O clássico mundial entre Brasil e França, que abre a Data Fifa nesta quinta-feira (26), em Boston, nos Estados Unidos, coloca dois técnicos de fama internacional e que, num passado distante, compartilharam vitórias e derrotas no mesmo vestiário.
No comando da seleção brasileira desde maio do ano passado, Carlo Ancelotti vai enfrentar Didier Deschamps, cujo trabalho nos Bleus começou em julho de 2012. Eles já duelaram na Europa, por clubes, e também foram técnico e jogador nos tempos de Juventus, uma passagem que não deixou tantas saudades assim.
"Os torcedores da Juve me odiavam", admitiu Ancelotti em sua autobiografia, traduzida no Brasil com o título "Liderança Tranquila". "Tinha sido jogador da Roma e do Milan. Quando estava no Parma, brigamos com a Juventus pelo título do Campeonato Italiano, então eles realmente me odiavam".
Ainda em início de carreira como treinador, Ancelotti foi o escolhido da Juventus para substituir Marcello Lippi, demitido em janeiro de 1999 para assumir a Inter de Milão. Na metade final de sua primeira temporada, apesar do elenco cheio de grandes nomes, o técnico não conseguiu resultados expressivos.
A Juve de Carletto foi apenas a 7ª colocada no Campeonato Italiano e parou nas semifinais da Uefa Champions League, eliminada em casa pelo Manchester United, que viria a ser o campeão europeu daquela temporada. No elenco, estrelas como Alessandro Del Piero, Zinedine Zidane, Filippo Inzaghi, Thierry Henry, Edgar Davids, além, claro, de Deschamps.
A parceria entre técnico e jogador acabou meses depois. Em junho de 1999, Deschamps despediu-se da Juventus para assinar com o Chelsea e iniciar um novo ciclo na carreira fora da Itália. Ancelotti, por sua vez, seguiu o trabalho em Turim por mais duas temporadas.
Em 1999/2000, sem disputar a Champions League, Ancelotti foi vice-campeão italiano, chegou às quartas da Copa da Itália e conquistou a Copa Intertoto da Uefa. No ano seguinte, novo segundo lugar na Serie A, mas uma eliminação na fase de grupos da Liga dos Campeões tornou a pressão insustentável, o que causou a saída.
"A Juventus foi uma experiência complicada para mim porque depois de ter trabalhado em um clube como o Parma, que era uma família, trabalhar na Juventus era como trabalhar em uma empresa", compartilhou Ancelotti em seu livro de memórias.
"A Juventus é uma grande empresa e organização, mas, para mim, ir até o centro de treinamento era o mesmo que ir a uma fábrica. A maior parte do tempo encontrava-os do lado de fora do CT esperando para me xingar. Era um trabalho que eu nem deveria ter começado, mas me deu uma ideia de como seria estar à frente de uma grande equipe".
A vida separou Ancelotti e Deschamps ao longo dos anos. Eles voltaram a se encontrar já com o ex-volante como técnico do Olympique de Marselha. Em 2010, foram dois embates, com uma vitória para Didier e outra para Ancelotti, no comando do Chelsea. Dois anos depois, embate pelo Campeonato Francês, em que o PSG, de Carlo, triunfou.
Agora a disputa é no mundo de seleções, um universo em que o comandante da seleção brasileira ainda engatinha, enquanto o adversário tem vasta experiência. O confronto pode até se repetir na Copa do Mundo, já que Brasil e França, duas das camisas mais pesadas do torneio, têm um histórico de duelos no passado. O de agora, porém, apenas aflora memórias do passado.
