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Ronaldo Fenômeno, Kaká, Ceni e Adriano: quem ganhou ou perdeu espaço nos amistosos da seleção pré-Copa

Carlo Ancelotti admite a quem quiser ouvir: ainda tem certas dúvidas para fechar a lista de convocados para a Copa do Mundo. Nada melhor, então, do que tentar saná-las nos amistosos desta Data Fifa, em que o Brasil enfrenta primeiro a França, quinta-feira (26), às 17h (de Brasília), em Boston, e depois a Croácia, na outra terça (31), em Orlando, nos Estados Unidos.

Os últimos compromissos da seleção antes de divulgar a lista final da Copa servem para o italiano encontrar alternativas para posições abertas no elenco: as duas laterais, os reservas da zaga, o meio-campo e também o comando de ataque. Mas, ao mesmo tempo que os amistosos podem escancarar portas, o passado também ensina que são capazes de fechá-las.

Em uma lista que vai de Ronaldo "Fenômeno" até Adriano "Imperador", o ESPN.com.br relembra abaixo jogadores que carimbaram seus passaportes nos últimos amistosos antes do Mundial, asism como outros que, por mais chances que tiveram, ficaram pelo caminho.

1994

A busca pelos 22 convocados para a campanha que seria do tetra teve exemplos dos dois lados. Então um adolescente de futebol envolvente no Cruzeiro, Ronaldo atuou pela primeira vez em uma vitória sobre a Argentina, em março de 1994. Foi titular dois meses depois, contra a Islândia, quando anotou um gol e garantiu sua convocação, ao lado de Viola, artilheiro do Corinthians na época.

Mas houve os renegados. Edmundo, mesmo chamado para amistosos, eliminatórias e Copa América desde 1992, perdeu a disputa por um lugar no ataque da seleção. Outro que também não embarcou para o tetra foi Rivaldo, à época jogador do Corinthians e deixado de lado por Paulo Sérgio. O volante César Sampaio e o atacante Sávio também acabaram preteridos.

1998

Como campeã do mundo, a seleção brasileira não participou das eliminatórias para a Copa de 1998 e teve que criar sua base a partir de amistosos e torneios. Zagallo, substituto de Carlos Alberto Parreira no comando, construiu praticamente toda a base e chegou à reta final quase sem dúvidas.

As vagas abertas eram no meio-campo, em que Zagallo buscava um reserva para Dunga e também alguém para o lugar de Juninho Paulista, uma incógnita por causa de uma grave lesão. Zé Elias e Raí foram testados no último amistoso, contra a Argentina, no Maracanã, e acabaram reprovados. O ídolo do São Paulo saiu até vaiado do Rio e perdeu a batalha para Giovanni - que mal atuou na França.

2002

A lista de aprovados e cortados foi muito maior em 2002, em virtude de uma campanha fraca nas eliminatórias e a falta de um padrão na seleção de Luiz Felipe Scolari. O técnico privilegiou adversários mais frágeis nos meses pré-Copa e ganhou diversas opções: o zagueiro Anderson Polga, o meia Kaká e sobretudo os volantes Kleberson e Gilberto Silva, titulares na campanha do penta.

Se eles tiveram sucesso, outros foram testados e não convenceram Felipão. Foram os casos do lateral Paulo César (mesmo com capacidade de atuar dos dois lados), do meia Djalminha (que até iria para a Copa, não fosse um ato de indisciplina pelo La Coruña) e também dos atacantes França e Washington, preteridos na disputa por Edilson e Luizão.

2006

O estrelado elenco da Copa de 2006 chegou praticamente montado por Parreira. Mas dois conseguiram espaço no único amistoso que o Brasil fez antes do torneio. O goleiro Rogério Ceni foi titular e segurou a vitória por 1 a 0 sobre a Rússia, garantindo a confiança para ser o reserva de Dida, enquanto Fred ficou com a última vaga no ataque, aberta por causa da lesão de Ricardo Oliveira.

Do outro lado da moeda, Gustavo Nery ficou pelo caminho no amistoso disputado em Moscou. O lateral do Corinthians, que fez parte do ciclo desde a Copa América de 2004, perdeu a disputa para Gilberto, convocado para ser o reserva de Roberto Carlos.

2010

Quatro anos depois, o Brasil adotou a mesma estratégia, com apenas um amistoso antes da Copa. Mas a vitória por 2 a 0 sobre a Irlanda, somada a outras observações, ajudou Dunga a fechar o grupo. Adriano, o Imperador, vivia ótima fase no Flamengo, campeão brasileiro do ano anterior, e foi titular, mas não convenceu a comissão técnica.

A aposta, então, foi em uma dupla que estava em melhor fase. Grafite, artilheiro e destaque do Wolfsburg campeão alemão, e Nilmar, camisa 9 do Internacional, embarcaram com a seleção para o Mundial da África do Sul. Até hoje há quem lembre das ausências de Paulo Henrique Ganso e Neymar, que sequer foram testados por Dunga.

2014

Diferentemente de 2002, quando pinçou diversos nomes às vésperas da Copa, Felipão teve outro pensamento em 2014, quando entrou no ano do torneio quase sem dúvidas. O único testado no amistoso contra a África do Sul que não chegou ao Mundial foi Rafinha, lateral-direito do Bayern de Munique e hoje dirigente do São Paulo. A vaga de reserva de Daniel Alves ficou para Maicon, mesmo sem viver a mesma fase do ciclo passado.

2022

Tite praticamente não fez testes na Copa de 2018, mas decidiu abrir mais opções quatro anos depois, até pelo aumento de convocados para 26 jogadores. Nos meses antes do Mundial, nomes como o zagueiro Ibañez, o lateral Renan Lodi e o atacante Matheus Cunha tiveram oportunidades, mas ficaram pelo caminho.

Quem aproveitou a chance foi Pedro, que, em sua segunda partida pela seleção, entrou no amistoso contra a Tunísia, marcou um gol e carimbou a ida para a Copa.

Próximos jogos da seleção:

  • França (N) - 26/03, 17h - Amistoso

  • Croácia (N) - 31/03, 21h - Amistoso

  • Panamá (N) - 31/05, horário indefinido - Amistoso