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OPINIÃO: Pane no segundo tempo estraga a viagem da seleção

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Fabrício Bruno comete falhas em Japão x Brasil; VEJA (0:38)

Seleção vencia por 2 a 0 até o começo do 2º tempo (0:38)

Seria incoerente criticar o técnico da seleção brasileira – seja quem for – por alterar radicalmente o time no segundo amistoso de uma visita à Ásia. Mais ainda se este treinador dispuser de poucas ocasiões para reunir e observar jogadores, como é o caso de Ancelotti, que nesta terça-feira (14) dirigiu o sexto jogo dos dez disponíveis até a Copa do Mundo do ano que vem. Mas é obrigatório registrar que a formação escolhida para iniciar o encontro com o Japão ofuscou a análise mais interessante do dia: o teste de um sistema desenhado para enfrentar adversários mais capazes.

O Brasil se apresentou num 4-3-3 em que a entrada de Lucas Paquetá permite a leitura de um meio de campo um pouco mais protegido, embora, com posse, a impressão de uma estrutura com dois meias tenha ficado clara no primeiro tempo. Como se sabe, Paquetá participa do trabalho defensivo, assim como Bruno Guimarães – em fase de brilho intenso – se envolve nos movimentos de ataque. Com Casemiro como um 5 clássico à frente dos zagueiros, o setor oferece o equilíbrio necessário para entregar o que o jogo exige, ou seja, intensidade para retomar a bola e qualidade para tratá-la.

O primeiro gol foi fruto de mais um passe decisivo de Bruno Guimarães, acionando Paulo Henrique para uma bonita finalização com o lado externo do pé direito em seu gol de estreia na seleção. Ancelotti vibrou com o sucesso da triangulação pelo lado direito, com toques de primeira entre os meias e a projeção do lateral do Vasco da Gama em direção à área. No segundo, o refinamento técnico de Paquetá se exibiu num gentil lob para Gabriel Martinelli bater de primeira. Até então, o Japão se defendia com tenacidade e tinha ameaçado uma vez o gol de Hugo, sinais de um oponente mais complexo do que a Coreia do Sul.

A sensação no intervalo era de uma atuação dominante do Brasil no aspecto coletivo, mesmo considerando as várias alterações na equipe. Não é pouca coisa, por mais insistente que seja a tendência, em certos lados da crítica e do público, a desvalorizar a capacidade dos adversários escolhidos para amistosos.

A segunda parte veio para reformar opiniões. Fabrício Bruno errou um passe após uma bola recuada por Paquetá, oferecendo a Minamino um gol que ele não poderia perder. Pouco depois, a defesa brasileira permitiu o avanço de Ito pelo lado direito e a finalização de Nakamura dentro da área, que entraria mesmo sem o toque de Fabrício Bruno no último instante. E para deliciar o público no Estádio Nacional de Tóquio, Ueda marcou de cabeça, vencendo Hugo após cobrança de escanteio.

A blitz japonesa durou 20 minutos, período em que o Brasil perdeu a bola e o sentido de marcação. As substituições, seis, não melhoraram o time e pouco fizeram pela manutenção da invencibilidade da seleção em quatorze encontros com o Japão. Já se vive o pré-Copa e, claro, a seleção brasileira tem ambições mais elevadas do que um amistoso em Tóquio, mas não foi possível evitar a desagradável percepção de uma derrota inédita.