Cuca dá sugestão ousada para Brasil voltar a ser campeão do mundo: 'abrir mão' da Copa

Vinicius Jr. durante Brasil x Uruguai pelas eliminatórias Pedro Vilela/Getty Images

O técnico Cuca levantou uma importante reflexão sobre o planejamento da seleção brasileira para o futuro. Em entrevista recente à CNN, o comandante do Atlético-MG destacou a necessidade de um pensamento estratégico e ousado, similar ao adotado por seleções campeãs do mundo recentemente, como Alemanha e Espanha.

"Se você pegar a Alemanha, por que ela foi campeã? Se você pegar a Espanha, por que foi campeã? Se você pegar o trabalho que foi feito antes de elas serem campeãs, elas abriram mão de uma Copa do Mundo para ganharem a outra. O Brasil tem esta coragem? O Brasil teria coragem de abrir mão desta Copa para ganhar a outra?", questionou o treinador.

Para Cuca, o segredo do sucesso de algumas seleções europeias foi a aposta em jovens talentos em um ciclo de médio prazo, permitindo que esses jogadores chegassem mais experientes e preparados ao torneio seguinte. Ele cita o exemplo da Alemanha, que reformulou seu elenco em 2006 e colheu os frutos em 2014.

"Mas o que é abrir mão da Copa? Por os jovens para jogar essa Copa... A Alemanha fez em 2006 e depois ganhou. O Brasil teria coragem de colocar os jovens nesta, mesmo que não ganhe, que não vá à final? Você já pensou esses jovens na outra Copa? Mas, se não tiver essa coragem...", ponderou Cuca.

O treinador também criticou a falta de paciência e continuidade no futebol brasileiro, apontando que o imediatismo pode prejudicar processos de renovação dentro da CBF e da seleção: "Será que vão deixar o treinador ficar para a outra Copa se não ganhar? São processos que têm que existir, riscos que têm que correr. Se não tiver esse pensamento, essa cabeça, dificilmente vai ganhar. O Brasil pode ganhar essa Copa, mas a tendência é maior para não ganhar do que ganhar", alertou.

Por fim, Cuca enfatizou que o Brasil precisa investir na nova geração sem a pressão de conquistar um título de imediato, permitindo que os jovens jogadores ganhem experiência e maturidade para brigar de igual para igual na Copa seguinte.

"O Brasil precisa pensar no futuro, ter paciência, dar direito para quem está trabalhando lá na CBF de fazer isso, por essa gurizada, eles jogarem, sem aquele peso de ser campeão. Porque aí vão render. E, na outra Copa, eles vão ser os caras, os que vão ganhar."