Ele era 9 quando chegou à Europa, no PSV. Vestiu maravilhosamente a 10 do Barcelona de Johan Cruyff. Afinal, por que então Romário usou a 11 da seleção brasileira tetracampeã mundial em 1994? Ele próprio explica e conta bastidores inéditos do "movimento" que o fez imortalizar o número com a camisa amarela.
Depois de 30 anos do título da Copa do Mundo de 1994, a série Tetra pelo Tetra traz uma visão única da conquista, sendo contada através do ponto de vista de Zinho em sete episódios com conversas com sete de seus companheiros de equipe: Ricardo Rocha, Romário, Bebeto, Branco, Jorginho, Parreira e Mauro Silva. Todos os capítulos já estão disponíveis no Disney+.
O ano era 1993. Deixado de lado pela comissão técnica da seleção por nove meses, após um desentendimento com o coordenador Zagallo em dezembro de 1992, Romário foi novamente convocado para ajudar o Brasil a carimbar o passaporte para a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos.
O Baixinho, que brilhava na Europa, sabia que era "o cara" do momento. Visto como o salvador da pátria de um time que patinava em campo e irritava o torcedor. Por isso, sentiu-se à vontade para pedir um amuleto da sorte: a camisa 11.
Dono da 10 no Barcelona, já que Johan Cruyff tinha a política de presentear o craque do time com o número, Romário sempre gostou de atuar com a 11. O problema é que, na seleção, ela tinha dono: Zinho, então estrela do Palmeiras e titular absoluto do time nas eliminatórias.
O atacante primeiro acionou Carlos Alberto Parreira, mas o técnico não quis se envolver. Sugeriu a ele que se entendesse com Zinho. "Se ele liberar, não vejo problema algum", disse o comandante da seleção. Foi o que aconteceu.
"Eu cheguei no Maracanã, no dia que fomos fazer o coletivo, chamei o Zinho no canto e implorei humildemente para que ele deixasse eu jogar com a 11", contou Romário, durante bate-papo conduzido pelo próprio companheiro do Tetra. "Ele, como não podia ser diferente, me cedeu a camisa. Ali começou".
"A 11 estava no lugar que tinha que estar", elogiou Zinho, que também contou a "cobrança" que fez a Romário antes de abrir mão do número. "Eu falei: vem cá, você vai fazer gol? Então pode jogar com a 11. Eu jogo com qualquer camisa".
Romário assumiu a 11 na emblemática vitória por 2 a 0 sobre o Uruguai, que classificou o Brasil para a Copa. Foram dois gols, dribles e uma atuação de gala do artilheiro, que manteve o número para o Mundial dos Estados Unidos.
O resto é história. Com a camisa predileta, o Baixinho liderou a seleção rumo ao Tetra, desejado desde a conquista do tri em 1970, e transformou a 11 em sinônimo de Romário.
Quem disse que é só o camisa 9 que precisa fazer gols, não é mesmo?
