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Raphinha conta bastidores de eliminação do Brasil na Copa e lembra Tite: 'Saímos do vestiário e ele ainda estava chorando'

Tite, na eliminação do Brasil para a Croácia nas quartas de final da Copa do Mundo Getty

A eliminação da seleção brasileira para a Croácia, nas quartas de final da Copa do Mundo do Qatar, ainda atormenta os jogadores que estiveram no Mundial de 2022.

Um dos convocados pelo técnico Tite para a competição, Raphinha admitiu que a queda nos pênaltis, após empate em 1 a 1 na prorrogação, segue como uma lembrança ruim.

“Dói. A primeira vez que eu estou falando sobre Copa do Mundo depois da Copa”, afirmou o atacante em entrevista ao SporTV. “A verdade é que dói. A gente tinha uma seleção incrível, um elenco bom, tínhamos um treinador bom e tínhamos potencial de chegar longe e ganhar aquela Copa”.

Após o empate em 0 a 0 no tempo normal com atuação histórica do goleiro Dominik Livaković, o Brasil chegou a ficar em vantagem com Neymar, já na prorrogação, mas cedeu o empate a quatro minutos para o fim do tempo extra, levando a disputa para as penalidades.

“A forma como aconteceu foi tudo muito estranho, porque querendo ou não a gente fez um jogo bom. Na minha opinião, fizemos um jogo abaixo do que fazíamos, mas não fizemos um jogo ruim. A gente saiu ganhando e no final da prorrogação tomamos o primeiro gol. Foi o gol que derrubou a confiança”, lembrou Raphinha.

“Queria estar no campo. Foi o jogo que eu saí mais cedo, com 10 minutos do 2º tempo. Particularmente para mim foi ainda pior, porque no momento eu achei que eu poderia ter feito mais naquele jogo. Eu me cobro muito e vou sempre achar que eu poderia ter feito mais. Eu saí com 10 minutos e depois vi a gente sendo eliminado. Doeu bastante”.

Outro tema abordado por Raphinha foi a decisão do técnico Tite em deixar o gramado rumo ao vestiário logo após o fim das penalidades, que foi criticada por torcedores.

“Depois do jogo ele ficou mais na dele em um primeiro momento. O fato dele sair do campo e ir para o vestiário sem cumprimentar ninguém não faz dele menos humano ou menos treinador. Cada um tem uma maneira de digerir a derrota e a eliminação. Ele sabia a seleção que ele tinha nas mãos e sabia mais do que ninguém onde a gente poderia ter chegado. Para todo mundo foi um baque muito forte essa eliminação”, disse o atleta do Barcelona.

“A maneira dele de lidar foi entrar no vestiário. A gente não sabe, mas de repente ele foi para o vestiário porque não queria chorar na frente das câmeras. Querendo ou não, somos seres humanos e sofremos quando as coisas não vão da maneira que a gente quer”.

“Não queria ter chorado dentro do campo, mas foi mais forte do que eu. Depois que saímos, fiquei no túnel tentando entender, questionando o porquê. Além de muita qualidade, tínhamos uma seleção de grandes pessoas, todo mundo se ajudava. O Tite não gostava de falar em ‘Família Tite’, mas a gente tinha ali uma família, um sentimento e um carinho por todo mundo. A maneira dele de lidar de repente foi assim, de sair, sem demonstrar o que estava sentindo”.

“Dentro do vestiário ele abraçou todo mundo e chorou junto com a gente. Saímos do estádio três horas depois do jogo e ele ainda estava chorando. Ele tentava dar apoio para a gente. Era uma mistura. Ele tentava passar uma tranquilidade para os mais jovens que teriam outra oportunidade de disputar uma Copa”.