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Com futuro em aberto, Neymar vai completar 200 dias longe da seleção; outros ficaram tanto tempo longe?

Romário, Ronaldo, Neymar, Kaká e Ronaldinho Gaúcho pela seleção brasileira Getty Images

A seleção brasileira cumpre agenda na Europa nesta data Fifa, com amistosos contra Guiné, neste sábado (17), em Barcelona, e depois Senegal, na terça-feira (20), em Lisboa. Ainda sob comando de Ramon Menezes enquanto o sonho por Carlo Ancelotti segue vivo – ao menos para o presidente Ednaldo Rodrigues –, a equipe também vai a campo sem o principal nome da atual geração.

Operado em fevereiro para reparar os ligamentos do tornozelo direito, que machucou jogando pelo PSG, Neymar não veste a camisa da seleção desde 9 de dezembro, dia que o país deu adeus ao sonho do hexa ao ser eliminado pela Croácia, nos pênaltis, nas quartas de final da Copa do Mundo. No sábado, portanto, serão 190 dias sem o atacante, tempo que claramente vai crescer mais nos próximos meses.

Claro que a grave lesão impediu que Neymar fizesse parte das duas convocações do Brasil desde a saída de Tite, mas o craque também não tinha dado a certeza de que vestiria novamente a camisa verde e amarela. "Não fecho as portas para a seleção, mas não digo 100% que vou voltar", disse o camisa 10, horas após a queda no Mundial do Qatar.

Aos 31 anos, Neymar claramente faz parte dos planos de qualquer treinador que assumir a seleção antes da próxima Copa, mas é preciso saber em que condições o atacante voltará a atuar – seja no PSG ou não. No passado, o atacante até teve outros momentos maiores longe das convocações, mas também foram por lesões, como as que sofreu no metatarso e atrapalharam seu rendimento na Copa de 2018.

E outras estrelas do passado da seleção, já ficaram tanto tempo assim sem defender o país? E a resposta, até certo ponto surpreendente, é sim – e com jogadores com muito mais conquistas e sucesso que Neymar com a camisa amarela.

Romário e as crises de relacionamento

A começar com o herói do tetracampeonato. Romário, muitos sabem, ficou na "geladeira" até ser chamado por Carlos Alberto Parreira e não só garantir a classificação à Copa de 1994, como também ser o protagonista da conquista nos Estados Unidos. Mas nem isso lhe garantiu vida longa na seleção imediatamente após o torneio.

Foram 955 dias sem vestir a camisa do Brasil, de 17 de julho de 1994, data da final contra a Itália, até 26 de fevereiro de 1997, quando o técnico Zagallo, declarado desafeto do atacante, atendeu o clamor popular e convocou o Baixinho para formar dupla com Ronaldo "Fenômeno", à época o grande nome da seleção e também do Barcelona.

A parceria fez um sucesso estrondoso e garantiu sobrevida a Romário no grupo até a Copa de 1998, quando uma lesão o tirou do torneio na França.

Ficou mais 364 dias sem ser chamado, quando foi lembrado por Vanderlei Luxemburgo para um amistoso contra o Barcelona, em 1999. E depois outros 494 dias ausente das listas até 3 de setembro de 2000. Ainda sob comando de Luxa, o Baixinho comandou a goleada sobre a Bolívia com um hat-trick em um domingo para lá de chuvoso no Maracanã.

Romário, então, ganhou continuidade na seleção até julho de 2001, data da estreia de Luiz Felipe Scolari. O atacante teve problemas até hoje não revelados com o técnico e só voltaria a defender o Brasil em 2005, em amistoso organizado pela CBF contra a Guatemala, no Pacaembu, como homenagem ao eterno herói do tetra.

Ronaldo e as lesões

Se Romário ficou quase mil dias sem ser chamado para a seleção, mesmo no auge de sua carreira, Ronaldo também chegou perto dessa marca, ainda que por motivos diferentes.

A primeira grande ausência do camisa 9 foi logo após a final da Copa de 1998, quando o Brasil perdeu por 3 a 0 para a França, também por causa da convulsão sofrida pelo atacante horas antes da partida. Assim, Ronaldo ficou 290 dias sem ser lembrado pela seleção, até ser reconvocado por Luxemburgo para um amistoso contra o Barcelona (dia em que, por sinal, atuou pela última vez ao lado de Romário).

Só que o grande hiato da carreira de Ronaldo na seleção aconteceria pouco depois. Acometido por duas lesões bem graves no joelho direito, uma que o deixou parado por mais de um ano, o Fenômeno passou 900 dias sem ser chamado para defender o Brasil, de 9 de outubro de 1999 até 27 de março de 2002.

Neste dia, Ronaldo atuou 45 minutos na vitória por 1 a 0 sobre a Iugoslávia, às vésperas da Copa do Mundo. Ganhou a confiança de Felipão e, no Oriente, foi o artilheiro da campanha do pentacampeonato, a última conquista do Brasil no torneio.

Ronaldinho e os descuidos

Quem estava ao lado de Ronaldo na sua redenção particular em Yokohama, no Japão, era Ronaldinho Gaúcho, sucessor do Fenômeno no coração da torcida e também como grande nome da seleção. Os dois atuaram juntos até o Mundial de 2006, o último disputado pela dupla.

O craque tinha a oportunidade de atuar na Copa de 2010, mas a má forma técnica, aliada ao relacionamento turbulento com o técnico da época, Dunga, deixaram Ronaldinho afastado da seleção por 595 dias, de 1º de abril de 2009 até 17 de novembro de 2010, quando a equipe já era treinada por Mano Menezes.

Mas engana-se quem pensa que o craque recuperou o terreno na seleção. Ainda na gestão de Mano, Ronaldinho demorou mais 292 dias até ser lembrado de novo, em 5 de setembro de 2011, e fez sua despedida com a camisa amarela em 6 de fevereiro de 2013, sob comando de Felipão.

Kaká e os problemas físicos

Outro craque contemporâneo de Ronaldo e Ronaldinho que passou longos períodos ausente da seleção brasileira foi Kaká. O último jogador do país a ser eleito melhor jogador do mundo ficou de 2 de julho de 2010, data da eliminação para a Holanda na Copa da África do Sul, até 11 de outubro de 2012 sem ser chamado.

Os 832 dias longe da seleção, à época dirigida por Mano Menezes, eram reflexos dos problemas físicos de Kaká, que já disputou aquela Copa com dores quase insuportáveis no púbis, e também da falta de espaço no Real Madrid. O brasileiro não conseguiu convencer José Mourinho de que poderia ser titular na equipe merengue, o que atrapalhou seu aproveitamento no time nacional.

Quando Kaká parecia ter recuperado espaço na seleção, houve a troca de comando de Mano por Felipão, que só chamou o meia uma vez, para um amistoso em 2013. Scolari duraria até a Copa de 2014, e a história do craque na equipe brasileira acabaria de vez em 11 de outubro de 2014.