A eliminação da Copa do Mundo de 2022 nos pênaltis para a Croácia, em 9 de dezembro, marcou o fim da era Tite e abriu um portal que pelo jeito ainda vai demorar para ser completamente fechado na seleção brasileira.
Seis meses depois da última partida de Tite, que dirigiu a equipe ao longo de seis anos e duas Copas, a CBF ainda não tem um treinador efetivo para assumir a planejar o Brasil de olho no próximo Mundial, marcado para exatos três anos, no Canadá, México e Estados Unidos.
É assim que a seleção inicia a segunda data Fifa da temporada. Após derrota por 2 a 1 para Marrocos, o interino Ramón Menezes, que dirigiu o país no Mundial sub-20, recebe os jogadores convocados para amistosos contra Guiné, dia 17, e Senegal, três dias depois. O elenco se apresentou nesta segunda-feira (12), em Barcelona, e depois parte para Lisboa, onde fará o segundo compromisso da agenda.
Ficar tanto tempo sem um treinador definido é algo raro nas décadas recentes, mas já foi bastante comum na história da seleção principal, sobretudo entre as décadas de 1970 e 80. A última vez que isso aconteceu, aliás, envolveu dois dos grandes nomes do país.
Ídolo do São Paulo, onde ganhou todos os títulos possíveis, Telê Santana deixou a seleção em junho de 1986, logo após a eliminação para a França nas quartas de final da Copa, e só foi efetivamente substituído em maio de 1987, quando Carlos Alberto Silva, campeão brasileiro pelo Guarani nove anos antes, estreou com empate por 1 a 1 com a Inglaterra.
As trocas anteriores também aconteceram com esse hiato de tempo. Da saída de Edu Coimbra para a chegada de Evaristo de Macedo, entre 1984 e 1985, passaram-se 11 meses, tempo batido pelo um ano sem técnico, quando Zagallo, após perder a Copa de 1974, deu lugar a Osvaldo Brandão somente em julho de 1975.
Os maiores tempos sem técnico, porém, datam de quando a seleção sequer tinha sido campeã e em uma época diferente, em que as equipes nacionais não tinham tantos jogos e ficavam longos períodos sem atuar junta.
Após a perda da Copa de 1950, com Flávio Costa no comando, a então CBD só foi estrear o novo treinador em abril de 1952, com Zezé Moreira. Antes, foram mais de dois anos entre o fim da passagem de Ademar Pimenta, em fevereiro de 1942, até a chegada do próprio Flávio Costa, em maio de 1944.
O recorde, no entanto, data da década de 1920, quando o Brasil ficou quatro anos e meio sem entrar em campo. De dezembro de 1925 até a estreia na primeira Copa, em junho de 1930, a seleção sequer atuou e portanto não tinha a necessidade de ter um técnico. Outros tempos, que certamente não se repetirão agora...
Ancelotti, Abel e outros
A CBF, que havia prometido um novo treinador no primeiro semestre de 2023 para iniciar o planejamento da próxima Copa, segue em busca do grande sonho, que é ter Carlo Ancelotti à frente da equipe nacional, embora o italiano tenha repetido diversas vezes que pretende cumprir o contrato com o Real Madrid.
O presidente Ednaldo Rodrigues tenta um encontro pessoalmente com o pretendente para descobrir se há interesse em trabalhar na seleção brasileira e, se a resposta for sim, haveria possibilidade de esperá-lo por mais tempo.
Em caso de resposta negativa de Ancelotti, será obrigatório olhar para outros nomes. Segundo apurou a ESPN, Abel Ferreira e Fernando Diniz são os favoritos como alternativas a Ancelotti. Não houve, no entanto, até o momento, nenhuma sondagem direta da confederação a nenhum dos dois nomes.
Para Abel, especificamente, é verdade que seu comportamento à beira do campo, acumulando cartões, expulsões e discussões com árbitros, preocupa a CBF. Isso, a princípio, porém, não é visto como um impeditivo para sua escolha. O entendimento é que o português poderia ter uma postura diferente no comando da seleção brasileira, caso seja, de fato, a opção.
Sua passagem vitoriosa pelo Brasil, com títulos de praticamente tudo que disputou com o Palmeiras, falaria mais alto do que o temperamento explosivo.
No futebol nacional, Abel e Diniz são os únicos nomes vistos como viáveis – embora não tenha os títulos que o palmeirense, o hoje treinador do Fluminense agrada por seu estilo de jogo. Quem corre por fora é Jorge Jesus, de sucesso tremendo no Flamengo entre 2019 e 2020, mas que também tem a chance de assumir a seleção da Arábia Saudita, após o seu contrato com o Fenerbahçe, da Turquia, se expirar.
