Neymar retornou de lesão no tornozelo direito em grande estilo na vitória do Brasil sobre a Coreia do Sul na Copa do Mundo
Talvez nem Neymar pudesse prever que seu retorno à seleção brasileira, após uma lesão ligamentar no tornozelo direito, seria como foi nas oitavas de final contra a Coreia do Sul na Copa do Mundo. Uma atuação de gala em apenas 45 minutos que serviu para já encaminhar a classificação.
Tite optou por deixar o camisa 10 por mais 35 minutos no segundo tempo, mas o que precisava ser visto já havia sido. Se talvez Neymar não estava com 100% das condições físicas, não demonstrou. Passou, driblou, correu e coroou sua volta com um gol, o segundo do Brasil, na goleada por 4 a 1.
Desde o início, as atenções estavam todas voltadas para Neymar. Era exatamente 21h16 no horário do Qatar, 15h16 no Brasil, quando o craque pisou no gramado do Estádio 974 pela primeira vez, para o aquecimento. Foi um dos últimos da seleção a entrar, mas o primeiro a se encontrar com a bola.
A câmera da transmissão oficial da Fifa logo o buscou e nele ficou. Neymar levantou a bola com estilo, fez embaixadinhas e acenou para um grupo de torcedores com uma bandeira do Santos. No início do trabalho de aquecimento, teve Danilo, também voltando de lesão no tornozelo, como dupla. Trocaram passes, cabeceio, antes de partirem para um trabalho com finalizações.
Neymar, porém, fez algo que nenhum dos demais jogadores fizeram. Simulou cobranças de falta, mesmo sem barreira, para que Ederson e Weverton defendessem. Acertou a trave duas vezes e, na última bola antes de voltar ao vestiário, mandou sem chances para o goleiro do Palmeiras. Pouco antes disso, havia sido o nome mais aclamado ao ser anunciado no telão do estádio.
Ainda no túnel, Neymar deu abraço em Raphinha. Já para voltar ao gramado, agora para o jogo, escolheu o pé direito, com o tornozelo recuperado, para ser o responsável pelo primeiro passo. Assim que acabou o hino, o camisa 10 já disparou em velocidade e foi mudando de direção.
Após a reunião com os companheiros antes do apito inicial, Neymar deu mais um abraço em um companheiro de ataque, mas agora em Vinicius Jr. Segundos antes de a bola rolar, o astro encontrou conhecidos na arquibancada e mandou um beijo direcionado a eles.
Gol e emoção
Foram necessários dois minutos para que a bola se aproximasse de Neymar pela primeira vez na partida. Ele esperou para receber passe de Richarlison, mas a defesa da Coreia do Sul afastou. O primeiro toque, de fato, veio pouco depois, abrindo para Vinicius, mas o lance morreu pouco depois.
O Brasil abriria o placar logo, aos seis minutos. O cruzamento de Raphinha, rasteiro, até veio em sua direção, mas a bola passou. Encontrou Vinicius Jr. sozinho para fazer 1 a 0.
Aos 9, Neymar teve seu primeiro duelo individual com Heung-Min Son, o grande astro da Coreia, em um confronto que se repetiu algumas outras vezes. Foi dos pés do camisa 10 brasileiro, após se livrar do jogador do Tottenham, que surgiu o pênalti sofrido por Richarlison.
Foi Raphinha quem primeiro pegou a bola, mas apenas para despistar a possível pressão de sul-coreanos. Com a torcida gritando seu nome, Neymar recebeu do companheiro e foi para a batida. Correu da maneira tradicional, dando passos para a esquerda e diminuindo a passada até que o goleiro defina o canto. Lee até tentou esperar, mas nem conseguiu cair para evitar o gol.
Um tento, aliás, histórico, já que Neymar se tornou apenas o terceiro brasileiro a marcar em três Copas do Mundo diferentes, se igualando simplesmente a Pelé e Ronaldo Fenômeno.
Para comemorar, assim como já tinha feito no primeiro gol, Neymar dançou acompanhado de Vincius Jr., Raphinha e Lucas Paquetá. As cenas mais bonitas, porém, viriam em seguida. O camisa 10 olhou para os céus e agradeceu pelo tento. Dali, saiu correndo até a arquibancada que fica exatamente atrás do banco do Brasil, onde estava Alex Telles, fora da Copa com uma lesão no joelho direito. O craque abraçou o lateral, que, depois dessa partida, retornará ao Sevilla, na Espanha.
Show continua e até juiz é driblado
Neymar e o Brasil seguiram com tudo. Teve mais drible para cima de Son, um lançamento longo demais para Vinicius Jr. e uma demora demasiada para definir uma jogada que era promissora. Mas, aos 25 minutos, o craque levou a torcida ao delírio. Cercado por dois coreanos e também pelo árbitro Clement Turpin, ele achou um giro e conseguiu sair livre dos três.
Aos 29, veio o terceiro gol do Brasil, sem participação direta de Neymar. Próximo da jogada, porém, ele foi direto abraçar Thiago Silva, pulando em suas costas, pela assistência açucarada para Richarlison. Já no quarto tento, aos 36, foi dele a bola para Vinicius Jr., que em seguida cruzou para achar Paquetá – desta vez, Neymar foi um dos primeiros a chegar no autor do gol para festejar.
Nos minutos finais do primeiro tempo, foi a vez de lances mais plásticos. Em um intervalo de um minuto, Neymar deu passe de calcanhar e outro de letra. Aos 45, recebeu dentro da área da Coreia do Sul, marcado por dois. Tentou jogada de efeito para se livrar da dupla, mas errou o drible. Nos acréscimos, quase fez seu segundo no jogo, aproveitando rebote em finalização de Richarlison – ele comentou com o camisa 9, porém, que poderia ter recebido o passe direto na jogada.
Saída aclamada pelo público
Na saída para o vestiário, Neymar pegou uma garrafa d’água, deu um bom gole para se refrescar e jogou o restante no rosto e no cabelo. Na porta do vestiário, teve novo encontro com Alex Telles.
Neymar voltou para o segundo tempo abraçado com Raphinha, conversando bastante com o atacante que ainda busca seu primeiro gol na Copa, sem conseguir aproveitar as (boas) oportunidades que teve. O camisa 10, inclusive, tentou ajudar a encerrar o jejum, com um bom passe e depois permitindo o companheiro cobrar uma falta que normalmente bateria. Não deu.
Aos 13 minutos, quando foi bater um escanteio no lado esquerdo do ataque, Neymar aproveitou para pedir apoio da torcida brasileira. O ritmo do time em campo caiu, e a Coreia chegou a seu primeiro gol. Pouco depois, Tite chamou Rodrygo, que entrou no lugar do maior astro brasileiro.
Das arquibancadas, só se ouvia "Neymar". No gramado, ele abraçou o jovem do Real Madrid, cumprimentou Tite e todos da comissão técnica. No banco, teve retirada a bandagem que protegia seu tornozelo recém-recuperado. Àquela altura, o trabalho já estava mais do que cumprido no retorno.
