Seleção brasileira fará treinos cada vez mais intensos de olho na estreia na Copa do Mundo, e tudo que jogadores querem evitar é uma lesão
No primeiro treino com o grupo inteiro à disposição no CT da Juventus, em Turim, na Itália, a seleção brasileira trabalhou com a intensidade alta, como Tite sempre exige. Dois momentos, porém, causaram apreensão: Alex Telles e Bruno Guimarães precisaram de atendimento médico à beira do campo.
Nos dois casos, não foi nada de mais grave. Mas a preocupação se justifica. Falta agora exatamente uma semana para a estreia na Copa do Mundo, contra a Sérvia, na próxima quinta-feira (dia 24), e qualquer lesão pode significar o fim do sonho de ir em busca do hexacampeonato no Qatar.
No próprio grupo há exemplos de jogadores que conhecem bem essa realidade. Na Copa de 2018, na Rússia, Daniel Alves ficou de fora por uma lesão no joelho sofrida ainda no PSG. Fred até foi ao Mundial, mas não jogou um minuto sequer porque não conseguiu se recuperar totalmente de um problema sofrido já na preparação que foi feita em Londres, na Inglaterra.
Nesta quarta, Alex Telles sentiu o pé direito após dividida com Neymar. O médico Rodrigo Lasmar chegou a atravessar o campo correndo para o atendimento, e o treino foi paralisado, mas o lateral-esquerdo logo se levantou após sentir bastante no chão. Já Bruno Guimarães tomou um pisão de Fabinho. Para seu alívio, só a chuteira, rasgada, foi quem acabou levando a pior.
Apenas sustos. Mas as possíveis lesões são temas até mesmo das conversas entre os jogadores nos bastidores da seleção no hotel da Juventus, onde eles estão concentrados.
"Entre nós jogadores, a gente sempre conversa. É Copa do Mundo, não dá para normalizar isso, a gente sempre conversa, fala. Sempre existe esse receio", admitiu Danilo, que descartou, porém, se preservar em qualquer atividade pensando em tentar minimizar qualquer risco.
"Quando você joga uma pelada, se tiver com o pé doendo, a bola vai bater onde se estiver com medo? Na ponta do seu pé. Não tem conversa, tem que treinar ao máximo, se doar ao máximo, tentar não pensar nessa situação e pedir para o papai do céu te proteger."
Além de possíveis pancadas, o Brasil também carrega o fato de ser uma das seleções mais desgastadas para a Copa do Qatar. É o que mostra um relatório publicado pela FIFPRO (Federação Internacional de Jogadores Profissionais) sobre o nível de desgaste dos atletas convocados.
Segundo o relatório, por exemplo, o Brasil acumula ao lado de Portugal mais de 30 mil minutos jogados por seu elenco entre agosto e outubro de 2022. A seleção de Tite é aquela também que tem a maior marca em termos de minutos acumulados em partidas que foram disputadas sem que os jogadores tivessem o tempo de descanso ideal.
"Muitos falavam sobre chegar num momento de meio de temporada, no auge físico, mas o que estou vendo é que a galera foi espremida, é muito jogo. Aqui (na Europa) a gente jogou o tempo inteiro a cada dois e três dias. Não é reclamação, é um prazer, mas às vezes o corpo grita, precisa de descanso também", analisou Danilo.
Em caso de qualquer lesão, a seleção tem até 24h antes da estreia para fazer uma alteração nos 26 convocados, desde que apresente à Fifa os exames que comprovem a gravidade do problema físico. Segundo o preparador físico Fábio Mahseredjian, a comissão técnica está atenta. "Eles brincam comigo, chegou o 'Seca Pimenteira', vai gorar. Mas nós temos que planejar, é nosso papel."
Desde 2006, o Brasil não sabe o que é ter um jogador cortado de última hora. Na Copa da Alemanha, isso aconteceu com Edmíllson, que sofreu uma lesão grave no joelho direito e foi substituído por Mineiro. Em 2002, no pentacampeonato, Emerson ficou de fora da campanha do título por uma lesão no ombro em um "rachão" às vésperas da estreia. Ricardinho entrou em seu lugar.
No atual grupo, o lateral Guilherme Arana e o meia Philippe Coutinho tinham grandes chances de serem chamados por Tite para a Copa do Qatar, mas lesões em diferentes momentos já na reta final do período final que antecedeu a definição da lista impediram suas convocações.
