Técnico Tite convocou a seleção brasileira para a disputa da Copa do Mundo do Qatar; veja tudo o que o treinador falou à imprensa
Acabou a espera! A torcida finalmente conheceu os 26 convocados que buscarão o hexa com a seleção brasileira na Copa do Mundo do Qatar. O técnico Tite, que tentará comandar o time nacional rumo à sexta estrela, falou longamente com a imprensa sobre as escolhas. Entre os temas, a escolha pelo veterano Daniel Alves e o que diria aos craques que ficaram de fora da lista final.
Veja abaixo tudo o que o treinador disse na entrevista de convocação:
Daniel Alves
“Critério do Daniel Alves é o critério de todos. Premia qualidade técnica individual, aspecto físico e também o mental. Tal qual os outros. E alguns tem uma ou mais qualidades”
Ricardo Gomes
“Me sinto à vontade de falar, porque já falamos. Vou reproduzir o que falamos: momento de qualidade de embate, um grande Vasco em 2011, um time de qualidade e alma. Sentimos nos enfrentamentos. Falei para o Ricardo. Tem ainda o trabalho internacional, os países que trabalhou, a conduta. Traz um componente importante para agregar na nossa comissão”.
Martinelli
“Função do Gabriel, de externo, ponta, agressivo, tem sido um dos destaques do Arsenal líder da Premier League. Lance individual, transição em velocidade. Esteve em duas convocações, manteve o alto nível. Poderiam ser outros, seria justo, existem argumentos para outros. São escolhas. Escolha de um atleta, dentro da característica, modelo de equipe, precisamos de agudos pelo lado. É assim que equipe se estruturou. É o caso de Martinelli”.
Dependência de Neymar
“A seleção é protagonista com seus grandes atletas. Depende de seus grandes atletas. Do Antony, do Raphinha, Alisson, Neymar... individualmente, não tem expectativa maior. Talvez, por essa nova geração, que surgiu do meio da frente, deu essa importância, enfoque midiaticamente falando. Mas precisamos de todos. Dependemos da qualificação de cada um deles”.
Excesso de atacantes na lista
“Quero bater em uma tecla de equilíbrio, é fundamental. Aprendi como convicção. Atletas de alto nível, eles estão se convocando. Não sou eu, eles estão buscando, com desempenho alto. Com a versatilidade, aí sim, priorizamos como temos atletas como os da frente. Mas nunca vai sair da equipe equilibrada. Para vencer em alto nível, precisa ter gol. Mas isso não quer dizer que equipe não precisa ser forte defensivamente que te dá o equilíbrio para vencer. O bom momento deles determinou essa convocação”.
Questão física de Daniel Alves
“As pessoas têm que entender, os comentaristas podem falar, os laterais do Brasil, quando tem pontos, não tem lateral na ponta, ofensivo. O lateral construtor, e a qualidade do Daniel nesse quesito é impressionante. Ser um organizador, não um jogador de 60, 70 metros de ida e volta. Tem a capacidade de organizar. Essa é a virtude. É um dos capitães. Normalmente é o atleta mais longevo. Depende da escalação”.
Brasil é favorito?
“Não posso pensar, focar ali fora. Temos que fazer o melhor trabalho possível. Esse trabalho depois de quatro anos fica mais consistente, é o período. É essa confiança, desempenho, que gera com o torcedor. Mas não vejo que é (favorito). Está entre eles. Sempre coloca quatro ou cinco seleções no mais alto nível, num torneio como é, são características específicas. As vezes uma seleção não muito visada, pode chegar. A margem de erro é pequena. Talvez mais até do que Copa do Brasil, que tem ida e volta. Mundial é um jogo só. A gente assume que o Brasil é um dos favoritos. Na minha opinião, é um dos”.
Estreantes em Copa
“Experiência conta, assim como conta o momento, capacidade de concentração do atleta... Uma série de fatores são considerados, a carreira toda. Lembrei do Everton Ribeiro, o quanto retomou, tem essa consistência do 10, jogador criativo. Quando voltou dos Emirados Árabes, tinha essa expectativa, 'demorou para voltar'. Temos esse aspecto. Jogam em alto nível. Final de Mundial daqui a pouco, final de Libertadores. Na Europa, enfrentamentos constantes, até no dia a dia de treinamentos, jogadores de Copa. É muito relativizado o aspecto experiência”.
Peso de 2018
“Não sei. Juro que não sei. Alguma coisa incorporei. São situações diferentes. É cruel. Esquece o Adenor. Se não fosse 2018, não seria convidado a permanecer. Foi o desempenho daquela equipe que trouxe a possibilidade de agora. É o trabalho todo. Da CBF, em diferentes áreas, que dá consistência para que a gente desenvolva. Não é demagogia, pode levar também, não quero convencer ninguém. Mas é o que minha racionalidade manda. É isso que permite de eu estar aqui respondendo questões, falar que é uma das favoritas da Copa, é o trabalho”.
Falta de jogos com europeus
“Não ter enfrentado prejudica a seleção brasileira, mas também as europeias. Acompanhamento há das outras seleções”.
"Bancou" algum nome sozinho
“Se tivesse, não ia falar. Se não, o pepino estourava só em mim. Mas não teve. Na Copa América, teve. Eu viajei, lembro que tinha um atleta que queria muito. Fui ver in loco, queria que os meus olhos sentissem. Em outros momentos teve, mas nessa não”.
Formas diferentes de atacar
“Existem duas formas que temos de atuar, com dois de flanco, Paquetá de lado, meio-campista mais à frente. Depois tem peças de reposição com características parecidas. É o que acredito, não tirar de zona de conforto, mas colocar em zona de confiança. Desafiar o atleta, tem competição leal. Deixar atletas confortáveis. Bremer falou de um posicionamento. Nós estudamos um posicionamento que faz no clube para fazer na seleção. Aí foi para o clube, pediu para fazer outra coisa. Fiquei nervoso, para prejudicar a equipe. Coloquei: colocou isso la? 'Isso deixa inseguro'. É desafiar em alto nível. Pedir para fazer algo que não faz no clube, é professor Pardal”.
Rejeição 'popular' a Daniel Alves
“Que referência é o Twitter com milhões de torcedores que temos? Não vim aqui para agradar mídias sociais, é um público que não sei o percentual que é do total. Não estou aqui para convencer, não quero. Quero dar dados informativos, verdadeiros, para que pessoas façam sua análise e tenham sua opinião. Nosso papel é passar informação, opinião é de cada um. Mesmo essa parcela que é diminuta. Respeito...”
Qual setor mais preocupa?
“Em termos defensivos, temos jogadores versáteis. Danilo jogou de zagueiro, pode fazer aquela função de lateral como fazemos, a nossa construção, como articulador ou defensor. Dani na articulação, Militão como lateral. Temos jogadores versáteis no setor defensivo. Na frente, jogadores desempenhando em alto nível. Que chancelam de convocar mais jogadores do meio para frente pelo momento, essa geração deles proporcionou isso. Nossa visão é equilibrada, mas também qualitativa”.
Bremer
“Teve a condição porque a carreira dele, seu desempenho em alto nível. Isso o chancelou. Talvez não tenhamos olhado com a devida atenção antes. Mostrou quando veio aqui, uma segurança impressionante. Atleta de alto nível. Essa concorrência que tem, o desempenho”.
Arbitragem
“Há uma atenção. Mateus fala fluentemente inglês, esteve em uma conferência”.
O que trocaria para ser campeão?
“Não troco a liberdade minha por nada, isso não. Eu não trocaria, não. Mas é fazer tudo para merecer. Tudo para ser o melhor, ser mais competente. Não precisa dar porrada, ser escuso. O futebol tem um componente dele, educacional. Eu fui educado pelo esporte, tem regras, respeito, superação. Ser melhor, ser competente, esse é o nosso desafio”.
Formação tática
“Existe um aspecto modelo, as duas formas que equipe se consolidou. Existe a estratégia. Você ver o adversário e usar uma ou outra. Qual será a escalação da estreia? Não sei”.
Aspecto mental
“Quatro aspectos são fundamentais. O mais importante a qualidade, a parte física, da saúda, a parte tática e o aspecto mental. Atletas de alto nível, técnicos trabalham sob pressão. Técnico do Brasil é condenado a vencer, tu joga com esse estigma. Atleta também. A Rebeca (Andrade) deu entrevista sensacional: 'olho minhas adversárias, mas concentro mais nos meus movimentos. Deixo a margem. Domino o meu trabalho'. Pressão é enorme, mas atletas de alto nível, nós, temos condições de absorver”.
Recado a quem não foi chamado
“Uma vez o pessoal colocou: qual o conselho? Não dou conselho. O que digo é: quando estivemos juntos, vocês viram nosso comportamento com vocês. Esse é o sentimento maior. É muito difícil, mas há um respeito profissional e humano muito grande com cada um deles. Mais do que falar aqui, é nosso comportamento do dia a dia, que é verídico, real. São escolhas, que trazem o peso de deixar alguém fora”.
Coutinho fora
“A gente tem que premiar, valorizar essa competição em alto nível, quem foi convocado. Assistimos todos jogos do fim de semana, acompanhamos tudo, para ter todas informações, visualizar e ter definição. O pior deles é quando o cara machuca, não tem condição de lutar. A experiência de um atleta que parou cedo, teve que mudar. Passar num concurso público porque vida me tirou a possibilidade de ser atleta, isso da lesão é forte. Não só o Couto, Arana, Diego Carlos, queria que todos estivessem (na briga). Fica aqui o registro, o respeito, lastimar”.
Mais forte que 2018
“Não deve ser comparado. Aquele ciclo era de recuperação, diferentes. Hoje é um processo de quatro anos, é injusto comparar. Tu recupera na sexta colocação com um terço da competição, vai, classifica... É outra situação. Agora é ver mais atletas, ver aspectos táticos, claro que é diferente. É igual comparar gerações. O momento de cada um é importante. Agora, sim, por todo esse processo de trabalho, muito mais em paz, confiante, sim, por esses quatro anos. Isso quer dizer que vai ganhar? Não estou dizendo. Mas chega mais forte, estruturado, com possibilidades maiores. Até humanamente mais entrosado. Chega mais forte, mais firme, consistente para o Mundial”.
Futebol europeu x brasileiro
“Pergunta bastante ampla, repete a um aspecto estrutural do futebol, investimento financeiro, que se amplia, teríamos que aprofundar... Em termos de desigualdade, temos que ter cuidado com os recortes. Desses atletas que estão aqui, são nascidos em quantas regiões? Podíamos pegar esse recorte. Qual o clube de origem? Há uma série de recortes que podemos pegar para entender. Fiquei com curiosidade. Quantas regiões estão representadas aqui? Outros tantos poderiam estar aqui, fico à vontade para falar, não tenho crença irracional que escolhemos os melhores, não vamos agradar os outros. Humanamente é impossível não erras”.
“Mas, se de 10, acertamos 7, 8, fomos competentes. Falo com paz: está na hora de outros líderes estarem aqui, assim que se faz um grande futebol. Que faça um grande trabalho, grandes escolhos. Não é demagogia. Vai torcer para o outro, com um pouquinho de ciúme, talvez (risos), mas vai torcer: 'vambora, cara'. Talvez seja maior legado que eu tenha para a sequência”.
Relação com jogadores
“Porque a gente mostra que é ser humano, que a gente erra. Quando erra, reconhece com eles. Procuramos estudar bastante, respeitamos muito a ciência, aspectos médicos. Táticos também. A organização. Quando o atleta de alguma forma, a relação de lealdade se estabelece, o conjunto todo fica mais forte. Equipe toda. Relação de confiança, é profissional, atleta precisa saber, o atleta sabe que precisa ter conhecimento. Mas também não falar pelas costas, olhar de frente. Modifica o discurso dele com o atleta mais jovem ou mais experiente, ou tem equidade? Quando tem tempo, a gente se conhece mais”.
“Não conhecia tanto o Juninho antes, agora nos conhecemos mais. Quando esses componentes, ser duro, mas falar pela frente, não expor de forma pública. É bom para debates, mas soluciona problema? Já ouvi debates, imagino na reunião familiar, reunião de pauta da empresa, se vem para fora. Futebol é a mesma coisa. Conjunto da obra é importante para esse respeito, consideração. A gente está cheio de exemplos para nos nortear”.
Programação do Brasil até o Qatar
A seleção brasileira começa a viver oficialmente o clima de Copa do Mundo no próximo dia 14 de novembro, quando o grupo convocado pelo técnico Tite se apresenta em Turim, na Itália, onde o time pentacampeão fara a preparação antes do embarque para o Mundial.
O Brasil ficará na cidade italiana até o dia 19 de novembro, quando viaja para Doha, capital do Qatar”.
Tite e os jogadores convocados farão, entre 20 e 23 de novembro, a fase final da preparação para a estreia, que acontece no dia 24, em Lusail, contra a Sérvia. Ainda estarão no caminho da seleção brasileira no grupo G a Suíça (28 de novembro) e Camarões (02 de dezembro).
A Copa do Mundo no Qatar será disputada entre 20 de novembro e 18 de dezembro.
O calendário no Brasil na Copa do Mundo
As partidas na Copa de 2022 acontecerão no fuso-horário UTC+3, também conhecido como 'Horário de Moscou', que é contado a partir de mais três horas do horário do Meridiano de Greenwich, em Londres.
Isto quer dizer que o horário no Qatar está SEIS horas à frente em relação à hora de Brasília. Desta forma, se o relógio dos brasileiros marcar, por exemplo, 10h, os ponteiros na terra da Copa do Mundo de 2022 indicarão 16h.
Os jogos da fase de grupos, segundo planejamento da Fifa, acontecerão às 7h, 10h, 12h, 13h e 16h (horários de Brasília). O mata-mata terá dois horários: 12h e 16h (horários de Brasília). Veja os jogos do Brasil:
Brasil x Sérvia - 24/11 - 16h
Brasil x Suíça - 28/11 - 13h
Brasil x Camarões - 2/12 - 16h
