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Justiça manda, e ex-base pede R$ 104 milhões do Santos como 'valor simbólico'

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Ex-base do Santos acusa clube de tê-lo abandonado após diversas cirurgias; VEJA (1:56)

O processo cobra indenização por cláusulas contratuais específicas, danos morais, físicos e materiais, entre outros. (1:56)

Após fazer um pedido inicial que ultrapassava os R$ 30 milhões do Santos na Justiça, um ex-jogador da base atualizou a cobrança e quer agora receber do clube o exatos R$ 104.486.542,64 (cento e quatro milhões, quatrocentos e oitenta e seis mil, quinhentos e quarenta e dois reais e sessenta e quatro centavos).

A quantia foi atualizada após ordem judicial, já que a petição inicial trazia pedidos que ainda não tinham sido estimados pela defesa do ex-atleta, Tairon Trajano, como lucros cessantes, indenização por cláusulas contratuais específicas, danos morais, estéticos, físicos e materiais, entre outros.

A quantia que ultrapassa agora os R$ 104 milhões foi classificada pelo ex-jogador como "um valor simbólico".

Só de lucros cessantes ele quer R$ 26,4 milhões, por entender que perdeu a oportunidade de se tornar jogador profissional por conta das lesões e culpa o Santos por ter sido abandonado. Em danos materiais, mais R$ 5 milhões, e mais R$ 2 milhões por perdas e danos, por ter deixado de acertar com outros clubes.

Ele ainda aponta gastos com preparador físico estipulados em R$ 4,1 milhões, seguro contido pela Lei Pelé de R$ 10,5 milhões, R$ 15,9 milhões pelo que classificou como "rompimento da carreira de atleta", mais multas contratuais de R$ 10,1 milhões, entre vários outros pedidos.

A atualização dos valores veio após determinação do tribunal.

"No prazo de quinze dias, o autor deverá emendar a petição inicial para (i) atribuir valores a todos os pedidos, considerando a apontada expressão econômica de cada qual, e (ii) corrigir, por conseguinte, o valor dado à causa, que deve corresponder à soma dos valores de todos eles", escreveu o juiz Fabricio Stendard, da 3ª Vara Cível, em Santo Amaro, São Paulo.

Tairon Trajano também informou ao Judiciário que está sofrendo ameaças após a divulgação do caso por parte da ESPN, no dia 15 de janeiro, e pediu que seja decretado o segredo de Justiça na ação, que é pública.

"Conseguiram obter os dados completo do Autor, e iniciou uma chuva de críticas ameaças contra o Autor de torcedores fanáticos. Ainda estão ocorrendo as ameaças de forma velada pelos torcedores da Ré, uma vez que estão tendo acesso aos autos em tela", disseram os advogados de Tairon.

Procurado pela ESPN, o Santos não se manifestou.

Entenda o caso

O processo foi aberto neste ano e corre na Justiça de São Paulo. O jogador, Tairon Trajano, narra sua trajetória no time da Vila Belmiro, que teve início em 2018, quando ele tinha apenas 13 anos de idade e disputou a Copa Ouro, onde chegou a ser artilheiro.

Naquela ocasião, Tairon aponta que sofreu uma lesão grave no seu joelho, quando treinava por ordens do clube, e teve que passar por uma cirurgia. No ano seguinte, após se recuperar do procedimento, assinou contrato como atleta do clube.

Só que, meses depois, sofreu uma nova lesão grave no joelho, precisando passar por mais uma cirurgia. Sem recuperar-se de forma total, quando fez 16 anos, enfrentou mais um procedimento cirúrgico, no mesmo joelho.

Tairon alega que, em 2023, o Santos decidiu dispensá-lo, mesmo com todas as lesões permanentes que lhe causaram transtornos e prejuízos para o resto de sua vida, segundo o próprio alegou à Justiça. E é por essa razão que ele decidiu abrir o processo.

Tairon diz que, aos 13 anos, já recebia um valor mensal de R$ 4 mil do Santos, que após a assinatura do contrato foram definidos como "bolsa atleta" e "auxílio moradia". O atleta diz que o acordo tinha "cláusulas leoninas e desleais" contra ele, impondo multas excessivas ou indenizações apenas ao jogador e nada ao clube.

O ex-jogador também cita diversos gastos médicos, preparador físico, exames e com fisioterapia ao longo dos anos para tratar dos joelhos lesionados quando ainda era criança. Também apontou que foi rejeitado por outros clubes pelas cicatrizes visíveis no joelho lesionado e também por "informações discriminatórias" passadas pelo Santos.