"Quando Luka Modric está bem, ele joga. Portanto, amanhã ele vai jogar". A frase de Carlo Ancelotti é definitiva. O amanhã chegou e o meia croata estará na escalação titular do Real Madrid para o primeiro jogo das semifinais da Champions League nesta terça-feira (9), contra o Manchester City, no Santiago Bernabéu.
Aos 37 anos e prestes a renovar por mais uma temporada, o croata ainda é uma peça fundamental na equipe do treinador italiano.
O meio-campista disputou 45 dos 54 jogos do Real Madrid na temporada 2022-23, contando todas as competições. Chegou a ser dúvida para o confronto contra o City, após se lesionar, mas a recuperação foi tão rápida que jogou a final da Copa do Rei, no último sábado, contra o Osasuna.
Suas estatísticas impressionam mais pela regularidade do que pelos números totais. Contribuiu, por exemplo, com seis gols e seis assistências, sendo que os índices de gols e assistências esperadas dele foram de 6,48 e 6,35, respectivamente.
No esquema de Ancelotti, Modric é o meia no 4-3-3 que mais liberdade tem para atacar, até mesmo pelas suas características de jogador mais técnico. Mantém incrível aproveitamento de 90,5% nos passes, e praticamente não diminui no último terço do campo, com 88,1%. Defensivamente, cumpre as funções com entrega total e ainda colabora com 3,2 recuperações de bola por partida.
Muito além dos números está a liderança do croata. Ele é o jogador mais veterano do grupo e, ao renovar para a próxima temporada, se tornará o segundo mais velho a vestir a camisa do Real Madrid em todos os tempos, atrás apenas de Ferenc Puskás, que o fez aos 39 anos e 36 dias.
"Quero seguir, mas por merecimento. Não quero que seja um presente pela minha carreira aqui. Nunca ninguém me presenteou nada e não quero que agora seja diferente", disse há algumas semanas Modric, que completará 38 anos no próximo dia 9 de setembro.
Dentro do vestiário, Modric é o principal líder de um time que conta ainda com Karim Benzema como voz ativa entre os jogadores, além de Dani Carvajal e Nacho, os espanhóis que há mais tempo ali estão.
Rodrygo chama Luka Modric de pai. Em uma conversa informal entre os dois, ainda em 2020, o atacante brasileiro contou que seu pai faria 36 anos. Foi quando o croata respondeu, então, que teria idade para ser pai de Rodrygo. O apelido pegou.
Essa é umas das histórias de bastidores que envolvem Modric e os jogadores brasileiros do Real Madrid. Depois de ganharem a 12ª Champions League, os atletas celebravam no vestiário. O croata estava com Casemiro, Marcelo e Danilo, além de Roberto Carlos, quando alguém grita "Luka, você é croata". Imediatamente ele responde: "Sim, sim, mas jogo como brasileiro".
São muito comuns também os vídeos dos companheiros de Real Madrid tentando emular seus chutes e passes de trivela nos treinamentos do clube. "Tenho um bom professor", brincou recentemente Vinicius Júnior, após mais um jogo com assistência de três dedos.
Tudo isso em uma temporada na qual ele ainda conduziu a Croácia para outra semifinal de Copa do Mundo, com atuação épica diante do Brasil nas quartas de final. Modric é um sobrevivente das guerras nos Balcãs, que mataram seu avô, e um herói nacional.
No Real Madrid, os grandes jogadores de sua história ganham status de "Leyendas Blancas". Modric já tem seu lugar garantido no panteão dos maiores do clube, e a torcida no Santiago Bernabéu reconhece isso a cada jogo ao aplaudi-lo de pé. A trajetória de Luka Modric está chegando ao fim, é preciso desfrutar.
Próximos jogos do Real Madrid
Manchester City (C) - terça-feira (09/05), 16h - Champions League (semifinal)
Getafe (C) - sábado (13/05), 16h - LaLiga, com transmissão pela ESPN no Star+
