Abel explica renovação com Palmeiras e lembra gesto de Leila após eliminação para o Corinthians que 'marca tudo'

Nesta quarta-feira (10), o Palmeiras oficializou a renovação de contrato do técnico Abel Ferreira até 2027.

Após a assinatura do novo vínculo, o treinador concedeu entrevista aos canais oficiais de mídia do Verdão e explicou a decisão de permanecer no cargo.

"Ao longo desses cinco anos eu fui me identificando com o que são os valores do clube, com aquilo que é a identidade do clube. Falei o que significava o Palmeiras para mim, vou repetir o que falei, o Palmeiras é um estilo de vida, uma forma de viver e de estar. É um clube com princípios e valores. Foi um clube perseguido e maltratado e soube resistir a isso com união e com princípios", afirmou.

O português também exaltou um gesto da presidente palestrina, Leila Pereira, ocorrido logo após a eliminação para o Corinthians, nas oitavas da Copa do Brasil.

De acordo com Abel, a atitude da dirigente "marcou tudo" e fez com que ele resolvesse de vez permanecer no Palmeiras.

"(Decidi renovar) Por duas grandes razões. Ao longo do ano fui falando com a presidente e ela me falou várias vezes da vontade que tinha que eu ficasse nesse projeto. Falei que era um treinador de projeto e realizações. Falei também que era uma decisão em família, eles estão no Brasil há quatro anos, então, com as conversas que tivemos ao longo deste período, a nossa presidente manifestando o desejo que eu continuasse, queria estabilidade, consistência. Fomos falando, eu dizendo que não tínhamos conquistado títulos e ela me disse que, aconteça o que acontecer, que eu continuasse", salientou.

"Há um momento aqui que marca tudo. Foi a derrota a seguir para um de nossos rivais, o Corinthians, na Copa do Brasil, quando a presidente me chama e me coloca o contrato à frente para assinar. Quando você sente essa confiança do líder, essa inspiração, é difícil encontrar no futebol de hoje, não só o Nacional, quando ouves sua presidente, no momento mais difícil, te colocar o contrato para assinar. Me marcou muito, falei com a minha esposa, disse que não iria assinar naquele momento, mas disse que, aconteça o que acontecer, vamos seguir juntos", contou.

"Esse é o momento que marca minha continuidade no Palmeiras. Tem muito a ver com isso. Ela me falou da reformulação que fizemos, percebemos que na final da Libertadores tivemos seis jogadores que entraram no elenco neste ano, é uma equipe que te dá garantias, que nos pode ajudar naquilo que é a continuidade, consistência, para fazer aquilo que queremos, uma equipe como essa só se alimenta de títulos", apontou.

"Eu era um dos palmeirenses. Tenho um coração muito perto da boca. Sou capaz de amar e odiar ao mesmo tempo. Mas, tudo o que eu faço é para defender o Palmeiras e a nossa família. Nem sempre da melhor maneira. É de fazer o melhor ao nosso clube. Às vezes, o nosso ego fala mais alto, falas aquilo que não deves, mas tem muito desta paixão, desta emoção, eu falo da cabeça fria e coração quente, mas às vezes falo muito mais do que eu devo. Tem a ver com os princípios do Palmeiras, essa estabilidade, continuidade", acrescentou.

O comandante também comparou sua situação com a de treinadores de trabalhos longos no futebol europeu, como Pep Guardiola no Manchester City e Diego Simeone no Atlético de Madrid.

"Você vê em clubes que ganhem e perdem, como o Atlético de Madrid, o Simeone... Os anos que eu tenho de técnico ele tem de Atlético de Madrid. O City com o Guardiola que está há sete, oito anos, o Arteta no Arsenal... O PSG, que agora atingiu uma estabilidade, olhando para o panorama, para todo o institucional, você vê claramente que o Palmeiras sabe o que quer, sabe onde quer ir, mais do que tudo me agrada muito", argumentou.

"Sabe com quem quer ir. É uma coisa que eu gosto muito. Nosso clube é feito por pessoas e pela alma do clube. Tenho todos os direitos de ser brasileiro, conhecemos os defeitos e as virtudes uns dos outros. Já me conhecem. Com essas razões de me identificar com o clube, com a insistência da nossa diretoria de seguir no projeto, e o momento que me marcou da Leila, sem termos ganho qualquer título, a partir desse momento, estou onde querem que eu esteja, estou onde me valorizam, onde tenho opinião, e quero ganhar sempre", observou.

"E para ganhar sempre tem que estar em clubes como o Palmeiras. Temos que lutar sempre para ganhar. Estas lições de 2025 vão nos ajudar para 2026", finalizou.