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'Monopoly', retomada do 'Todos Somos Um' e 'nunca desistir': os lemas de Abel que levaram Palmeiras ao bi do Brasileirão

Bicampeão brasileiro em 2022/23, o Palmeiras de Abel Ferreira contou mais uma vez com alguns lemas e brincadeiras do treinador português para motivar o elenco, conseguir uma arrancada fulminante no segundo turno da competição e levantar o troféu pela 12ª vez em sua história.

Em 2022, o jogo utilizado pelo treinador como motivação ao plantel foi o Ludo. Para 2023, a história foi outra. Ainda no início do Brasileirão, logo após a vitória por 2 a 1 em cima do Cuiabá, no Allianz Parque, Abel revelou qual seria o jogo para a temporada.

“Os atletas já sabem, é o Monopólio. É o mantra para este campeonato. Sabe o que é Monopólio? Então, é este”, explicou brevemente o português.

A ESPN foi mais a fundo no tema e descobriu que o desafio proposto por Abel se tratava de avançar casas e acumular vitórias, objetivos principais do jogo de tabuleiro “Monopoly”, mais conhecido no Brasil como “Banco Imobiliário”.

A ideia principal era manter a constância, a fome, e, principalmente, não se acomodar após os três títulos obtidos em 2022: Campeonato Paulista, Recopa Sul-Americana e o Campeonato Brasileiro.

Além disso, Abel Ferreira manteve o “Todos Somos Um” como principal “mantra” da equipe para o ano. Porém, houve um momento que o lema foi fortemente abalado e colocado em xeque até mesmo pelo próprio português. Logo após a derrota por 2 a 1 para o Santos, pela 26ª rodada.

“Há sinais que têm de ser lidos. Todos somos um, não é assim que eu vejo o Todos Somos Um”, iniciou o técnico em coletiva.

“Tenho certeza de que todos que estão no clube fazem seu melhor. Tudo que eu falar após uma eliminação é difícil, o lado emocional está aflorado. Teremos tempo para refletir nesse ano, ainda faltam 12 jogos, mas fico triste porque o sentimento do Todos Somos Um está abalado”.

Naquele momento, o Palmeiras vinha de uma eliminação nos pênaltis para o Boca Juniors, nas semifinais da CONMEBOL Libertadores. Fora de campo, a presidente Leila Pereira concedeu entrevista coletiva com falas duras, que caíram como uma “bomba” internamente no clube, abalando até mesmo o prestígio da presidente.

Grande parte da torcida se voltou contra a mandatária e foram realizados protestos em sedes da “Crefisa”, empresa patrocinadora máster do Palmeiras e presidida por Leila. No mercado, o clube não trouxe nenhum reforço, mas viu nomes como Gustavo Gómez, Luan e o próprio Abel Ferreira serem alvos do futebol internacional.

Mas tudo mudou da água para o vinho a partir da 28ª rodada. O Verdão venceu o Coritiba por 2 a 0, no Couto Pereira, e emendou uma sequência de sete vitórias em nove partidas, que colocou a equipe na liderança do Brasileiro e, consequentemente, com o título em mãos.

Logo após a vitória por 1 a 0 diante do Fluminense, no Allianz Parque, pela 37ª vitória, Abel voltou a expressar a importância do “Todos Somos Um” e revelou que se percebesse uma desistência por parte do elenco pela briga pelo título do Brasileirão, ele também abriria mão, o que poderia acarretar até mesmo em sua saída do clube.

“Se eu sentisse que eles largassem, eu era o primeiro a largar. Eu disse que temos todos a oportunidade de sair daqui eu como melhor treinador e vocês como melhores jogadores. Os momentos de dificuldade são os momentos que podem nos fazer crescer e retornar melhores ainda. Eles entenderam as palavras que eu disse”, disse.

“Aqui Todos Somos Um e todos são responsáveis por todos. Se o Weverton franga, o frango é de todos. Sou contra os rótulos, heróis e vilões. Isso que transmito aos meus atletas. Todos têm caráter, deixaram o ego em casa. Não há só talento. Eu troco o talento pelo caráter. Fico feliz de ver essa equipe. Os torcedores mais cornetas são empurrados uns pelos outros. É muito difícil ser treinador aqui, é preciso muita coragem”, finalizou o técnico.