Atualmente no Goiás, Vinícius era o antigo dono do recorde de Endrick no Palmeiras
Mais novo a estrear no time profissional do Palmeiras na história, Endrick bateu um recorde que pertencia a Vinícius, que debutou em 2010 na partida contra o Rio Branco, pelo Campeonato Paulista, aos 16 anos, 7 meses e 21 dias.
"Além da emoção de estrear, era uma honra estar ao lado de caras que eram meus ídolos como o Marcos. É difícil para qualquer jovem porque aconteceu muito rápido. Acho que foi muito bom, mas tem os dois lados. A parte ruim foi não ter experiência e ter pulado muitos ciclos", disse o jogador, atualmente no Goiás, ao ESPN.com.br.
Vinícius lembra que a vida mudou da noite para o dia e precisou contar a com a ajuda da família para que não se deslumbrasse com a nova realidade. O atacante era seguido de perto pelo pai, que o aconselhava.
"Essa questão de assédio é muito difícil. Até eu subir não tinha muito, mas depois aumentou quando fui jogando, aparecendo e fazendo gols. Quando você é muito jovem, é tanta empolgação a alegria que não está preparado de verdade para uma crítica pesada".
"E isso acontece muito em um clube tão grande. Você sente pela idade e a imaturidade. Tem o lado ruim, mas o lado bom é que você amadurece mais cedo e tira de letra algumas situações".
Cerca de 12 anos depois, Vinícius vê o filme se repetir no Verdão com outro jovem atacante.
"Quando eu vi o Endrick passou um filme na minha cabeça. Desde que ele surgiu e venceu a Copa São Paulo, torci para que ele quebrasse meu recorde. Sei o quanto é difícil a nossa luta de vir de uma família humilde. Precisa matar um leão por dia. Um dia eu fui um sonhador e ele também tem esse sonho. Espero que possa fazer muitos gols, ganhe títulos e conquiste a torcida do Palmeiras", afirmou.
"Antes do Endrick estrear um monte de times europeus já queriam contratá-lo. Na minha época não tinha tantos campeonatos internacionais de base. Esse calendário novo é muito bom para os jovens".
Com a experiência de quem viveu os altos e baixos da profissão, Vinícius faz um importante alerta para Endrick sobre os perigos da fama repentina.
"As maiores armadilhas são a empolgação e o glamour da fama, que são normais pela idade. Mas não vejo isso perto dele porque parece estar muito bem assessorado no Palmeiras. Aparece muita gente (falsa e interesseira), mas não apenas no futebol. Pelo que vejo é um moleque de boa cabeça e merece tudo de bom que está vivendo".
"O Palmeiras é uma potência e hoje prepara melhor os atletas do que na minha época. As coisas evoluem".
Ascensão meteórica
Vinícius chegou ao Palmeiras aos 12 anos e teve uma ascensão meteórica. Em 2010, o garoto do time do time sub-17 era quase um desconhecido quando foi chamado para completar o treino do elenco principal e agradou ao técnico Antônio Carlos Zago.
"Gosto de contar para os mais jovens que estão nessa caminhada hoje em dia. Estava lá só para entrar se alguém estivesse machucado, mas fiz o treino da minha vida e nunca mais voltei para a base. Na semana seguinte, fiquei no banco no clássico contra o Santos na Vila Belmiro, quando vencemos por 4 a 3. Depois, estreei contra o Rio Branco. Foi muito legal porque não estava nos planos".
O jogador seguiu atuando pelo Palmeiras nos dois anos seguintes, mas sofreu uma lesão antes do rebaixamento no Campeonato Brasileiro de 2012. Na temporada seguinte, voltou ao elenco profissional em grande forma após abrir mão das férias e jogar a Copa São Paulo. Ele foi titular na disputa da Libertadores e no título da Série B.
"Foi o ano que tive mais destaque fui para até para a seleção brasileira sub-20".
Em 2014, porém, após a queda do Palmeiras no Paulistão, ele foi emprestado ao Vitória e enfrentou muitas dificuldades. Com a chegada no ano seguinte do diretor Alexandre Mattos ao Verdão, muitos reforços foram contratados e tiraram o espaço da antiga promessa.
"Foi bem difícil sair pela primeira vez de perto da minha família para um clube novo. Depois disso, fiquei uns cinco anos sendo emprestado e trocando de clube. Não fui bem depois no Ceará, mas consegui terminar a temporada muito bem no Coritiba", afirmou.
Com o destaque no Coxa, o atacante transferiu-se para o Adanaspor, da primeira divisão turca.
"Foi uma experiência incrível, mas resolvi voltar ao Brasil em 2018 para defender a Chapecoense. Se fosse hoje, eu teria ficado na Turquia porque tinha mais dois anos de contrato e o clube gostava de mim", admitiu.
Volta por cima
Após sair da Chape, Vinícius passou pelo Criciúma antes de ir para o Larissa, da Grécia. No entanto, ele viveu os problemas causados pela pandemia de COVID-19 na Europa e precisou voltar ao Brasil.
"Gostei muito de morar lá porque o grego é parecido com o brasileiro e recebe bem. Dos dez meses que cumpri do contrato eu fiquei nove meses sem receber. Foi um período difícil porque a minha esposa tinha uma gravidez de risco e não sabíamos o que iria acontecer. O país estava em lockdown e eu não recebia salário".
"Recebi uma oferta do Náutico, que era financeiramente bem menor, mas tem coisas na vida que falam mais alto do que dinheiro", contou.
Vinicius ajudou a equipe pernambucana a escapar da degola na Série B e 2021 e se destacou ainda mais na temporada seguinte. Com isso, despertou a cobiça de vários clubes e assinou um pré-contrato com o Bahia.
O problema é que o clube de Salvador foi rebaixado no Brasileirão, e Vinicius foi emprestado ao Goiás.
Escolhi o Goiás porque tem uma ótima estrutura e queria jogar de novo uma Série A de Brasileiro. Fui eleito o melhor jogador do Campeonato Goiano, e o Goiás me comprou em definitivo até o fim de 2025. Queria muito permanecer aqui", finalizou.
A equipe esmeraldina tem 46 pontos e já escapou da degola na Série A. O próximo compromisso é contra o Fluminense, nesta quarta-feira.
Próximos jogos do Palmeiras
América-MG (C) - 9/11 - Brasileirão
Internacional (F) - 13/11 - Brasileirão
