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Integrante do Kasino, ícone da música pop, diz como virou fã do City e dá até 'puxão de orelha' em Guardiola: 'Relação de amor e ódio'

"Aeeee Kasinão…", "O som da noite!".

Você com certeza já viu e se divertiu com o meme do apresentador Gilberto Barros, no antigo programa da TV Bandeirantes "Sabadaço", na performance do Kasino, cantando "Can’t Get Over", hit da dance music brasileira no começo dos anos 2000.

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A participação aconteceu em 2006, mas foi virar meme nacional quase 10 anos depois. O que muita gente não sabe, porém, é a relação do Kasino com o Manchester City. Sim, isso mesmo!

E também que Kasino não é o artista que interpreta as músicas, mas sim um trio formado por Fher (que dá o rosto à banda), e os produtores Mister Jamm e Ian Duarte.

Depois de alguns anos separados, o trio voltou a se juntar e lançaram um novo trabalho do Kasino, com o álbum "Legacy of Love", já disponível nas principais plataformas de streaming.

Desde o sucesso de hits como "Can’t Get Over" e "Stay Tonight", Fher fez outros trabalhos e descobriu outras paixões. A maior delas talvez seja pelo City, que começa sua disputa pelo inédito título do Mundial de Clubes da Fifa nesta terça-feira (19), contra o Urawa Reds, do Japão, às 15h (de Brasília), em Jidá, na Arábia Saudita.

Assim como muitos, a conexão especial de Fernando Biscaia (nome de batismo de Fher) com o City teve início através da banda britânica Oasis, de Manchester, e que tem os seus principais integrantes, os irmãos Liam e Noel Gallagher, como torcedores ilustres dos Citizens. E tudo começou em 2009, quando o clube vivia o início de uma nova era após ser comprado pelo sheik Mansour bin Zayed, dos Emirados Árabes.

"Acho que não só eu, como muita gente, começou a torcer para o City por causa do Oasis. Pela influência, acho que meio que todos os fãs deles naquela época acabaram abraçando o City como seu time. Comigo não foi diferente. Eu sempre tive uma identificação com a cidade em si. Eu sempre fui um apaixonado por Manchester, por escutar muitas bandas de lá, não só o Oasis, o Joy Division, que também é uma banda que me influencia muito, o New Order, entre outras bandas de lá também, que eu gosto. E aí, em 2009, eu comecei a ter esse carinho pelo City. Comecei a torcer, mas nada muito fervoroso. A coisa começou a ficar séria quando, em 2011, eu fui para lá estudar inglês, fiz um intercâmbio por dois meses", disse Fher, em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.

Durante a passagem por Manchester, o artista aflorou ainda mais a sua paixão pelo City, que à época ainda vivia a chamada época das "vacas magras", sem um grande título de expressão conquistado sob o comando de seu novo dono. Fher conheceu o Etihad Stadium, mas por ironia do destino não conseguiu assistir a uma partida por lá, tendo esta chance apenas no Old Trafford, na casa do arquirrival, Manchester United.

"Quando você começa a estar na cidade, a viver aquela atmosfera, aí ali a paixão foi virando amor. E aí eu pude na época conhecer o estádio. Eu não tive sorte de ver jogo, infelizmente. Isso porque na época você vai aprender (inglês) com aquele dinheiro contado, os ingressos sempre foram muito caros. Eu acabei até vendo um jogo do United pela escola que eu fui fazer o intercâmbio, porque era uma das coisas que estavam na programação, porque era o time na época, a sensação da cidade natal, então todo mundo queria ir lá, eu queria ver jogo do United, acabei indo e aí depois eles marcaram pra mim aquele City Tour no estádio, que eu fui e aí pude realizar meu sonho de pisar no gramado. Ali as coisas começaram a ficar mais sérias", prosseguiu.

Tanto é que, com o passar dos anos, Fher se tornou, literalmente, fã de carteirinha do clube, que hoje é uma das potências da Premier League e da Europa, faturando o título inédito da Champions League na última temporada. Hoje, o artista é um dos membros do The Citizens Brasil, torcida oficial do City no Brasil, e participa ativamente, inclusive promovendo encontros entre outros torcedores brasileiros.

"Em 2016, 2017, eu conheci a The Citizens Brasil, da qual eu faço parte e ali eu comecei a fazer um trabalho junto com a torcida, comecei primeiro como secretário da parte de eventos aqui do Rio de Janeiro, porque a filial mesmo, a sede da torcida, é em São Paulo. Quando teve a final da Champions, a pessoa que organizou o evento fui eu, escolhi o lugar. Eu me organizei, montei todo o esquema. Assim a gente conseguiu lotar um pub. Teve gente que nem conseguiu entrar e foi assim que as coisas foram acontecendo. Teve um ano também que teve aquele tour das taças, teve evento no Rio, São Paulo e Curitiba. Aí eu fui aqui no Rio, foi em um hotel e depois teve em São Paulo, se não me engano, acho que foi no Pacaembu. Elano estava lá, o Robinho também foi, aí eu fui lá, fui daqui do Rio para os dois eventos."

Ao longo dos anos como torcedor dos Citizens, Fher também já fez algumas loucuras. Entre elas gastar praticamente todo o seu dinheiro - convertendo para libras - em produtos oficiais do clube quando esteve no Reino Unido. Além de também ter ido ao Maracanã, durante a disputa da Copa América de 2019, acompanhar a uma partida da Argentina só para poder ver de perto Sergio Agüero, por quem tem um apreço por ser torcedor do City.

"Tem duas (loucuras) bem específicas. A primeira foi gastar dinheiro. Quando eu estava lá no intercâmbio, já no finalzinho, eu estava com pouco dinheiro. Eu entrei na loja, torrei a loja toda comprando itens do City lá na Inglaterra e aí acabou que eu fiquei sem dinheiro faltando uma semana. Eu tive que pedir para o meu pai me mandar mais, que eu gastei além do que eu podia gastar. E ainda faltava coisa de duas semanas. Teve um jogo de uma Copa América que teve aqui no Rio, foi a Argentina, acho que Argentina e Venezuela. Eu fui só única e exclusivamente para ver o Agüero jogar. Uma vez na vida vi Agüero jogar e eu fui nesse jogo única e exclusivamente para só para isso."

'Puxão de orelha' em Pep Guardiola

Mesmo vivendo um momento de muitas glórias como fanático do City, vendo o clube empilhar taças como nunca na história, Fher não deixa de ser um torcedor "corneta". E fez até mesmo algumas ressalvas sobre o trabalho do técnico Pep Guardiola, com quem admitiu ter uma relação de "amor e ódio". O que o faz ter uma opinião sincera sobre um hipotético "contrato vitalício" para o espanhol.

"Eu até brinco que tenho uma relação de amor e ódio com ele. Eu acho ele um excelente técnico, mas às vezes bastante teimoso. Eu acho que a gente poderia ter ganhado a Champions antes se não fossem algumas teimosias do Pep. Teve algumas ali que ele escalou mal. Aquela (final) mesmo contra o Chelsea, eu acho que foi até hoje a pior de todas. Mas, ele é com certeza um dos maiores técnicos do mundo. Eu gosto muito do trabalho dele, acho que ele ainda tem mais lenha para queimar, mas (contrato) vitalício eu não acho, não. Eu acho que depois de um certo tempo seria boa uma troca de comando, de repente deixar ele ganhar mais uma Champions e, quem sabe, dar esse tetra que ninguém conseguiu na Premier League", disse, revelando que, hoje, o seu jogador preferido do City é o meia-atacante Phil Foden.

"Atualmente o meu preferido é o Phil Foden, porque eu tenho uma identificação com ele pela história dele ter essa identificação com o clube, dele ter vindo desde pequeno praticamente da base do clube. E eu acho que das antigas, realmente por tudo que representou para o time, não tem como ser outro (jogador) né? Eu destacaria o Agüero, Kompany também, porque acho que quando ele deu aquele título que estava engasgado durante muitos anos, na garganta de todos os torcedores do City, e aquele naquela viradinha ali com o United, já comemorando de um lado e aquele golzinho ali? Tipo, acho que ele ficou imortalizado assim para todos os torcedores, então acho que eu o destaco".

Em relação a uma possível final de Mundial entre City e Fluminense, que já está na decisão de sexta-feira (22), às 15h, depois de eliminar o Al Ahly, Fher revelou ter um outro motivo especial para torcer pelos ingleses: o fato de, no Brasil, ter um carinho especial pelo Flamengo, arquirrival do Tricolor das Laranjeiras.

"Eu vou torcer fervorosamente para o City, até porque é um título que a gente não tem. Então assim, graças a Deus, eu sei que por um lado não foi o Flamengo por não ficar dividido", finalizou.

Volta do Kasino e auge na 'Era Summer Eletrohits'

Integrantes do Kasino, Mister Jamm e Ian Duarte também falaram com exclusividade com o ESPN.com.br e contaram alguns bastidores sobre a volta do projeto, lembrando também da época em que o trio explodiu, virando até mesmo trilha sonora de novela, no inícios dos anos 2000.

E segundo Jamm, o retorno do projeto se deu, entre outras coisas, por conta da base de fãs que o Kasino já possuía e com o surgimento das plataformas de streaming de música.

"O Kasino tem uma fanbase muito grande e já vinham pedindo, individualmente, para a gente 'Poxa, quando é que vai ter nas plataformas (de streaming), que vocês vão colocar?' Quando a gente colocou 'Can’t Get Over' foi o estouro da boiada. O pessoal não acreditou. E foi assim, da noite para o dia, milhares de acessos. Hoje, quem quer ouvir está com quase 10 milhões. e até nos surpreende porque houve uma virada de chave do que ele tirou do movimento, em que ele deixou de ser apenas uma música de revival e ganhou muito com o meme. De 2018 pra cá, o meme veio assim, estourando muito, a gente ficou muito surpreso, até porque eu olhava o meme a princípio e falava assim 'o que tem no meme que a galera gosta tanto do negócio do Kasinão?’. Aí foi botar na plataforma e voltar a bombar. Assim a gente resolveu trazer de volta porque é muito carinhoso assim. A galera tem muito carinho pelo Kasino", contou.

Ainda sobre o grande hit do grupo, 'Can't Get Over', Jamm revelou que a mesma foi composta em apenas 40 minutos, com a pretensão de ser uma das trilhas sonoras da novela "América", de 2005, da Rede Globo, em uma cena protagonizada pela atriz Deborah Secco.

"Foi a coisa mais louca, porque eles iam pegar uma música para sonorizar uma cena que a Deborah Secco ia dançar numa boate. E aí parece que pegou um negócio com direitos autorais da música, iam pegar uma música gringa", contou.

"A música gringa não foi liberada e eles precisavam naquela tarde de uma música, para aquela cena e que fosse animadíssima, música dançante e que tivesse aquela pegada, que aquela música tinha, aquela vibração, sabe? E aí a gente teve grandes 40 minutos para compor e gravar", prosseguiu.

"Nessa tarde já vínhamos mandando músicas como Kasino para a Som Livre (gravadora) e algumas entraram em trilhas de novela, mas não havia tido projeção. E aí, nessa tarde, gente recebeu a incumbência de entregar em 40 minutos uma música assim, assado, era receita de bolo. Aí a gente olhou um para o outro. ‘Bom, vamos lá que está valendo o tempo’. E a gente compôs 'Can’t Get Over’ em 40 minutos. Na época não tinha esse negócio de enviar música pela internet. Tinha que ser em alta qualidade. Então, a gente meio assim tinha que queimar CD. E assim chegou lá, ele ouviu, curtiu e em seguida mandou pra novela. A gente nem soube se foi aceita ou não. Uma semana depois, estava viajando no Rio Grande do Sul. Liguei para o Ian e falei ‘tá tocando aqui a nossa música’, está tocando num programa de DJ aqui no Rio Grande do Sul. Como é que pode essa música já ter chegado aqui?’. Assim, o primeiro indício que uma coisa estoura é que a coisa chega aonde você estiver, no planeta ou principalmente no Brasil. E em uma semana foi assim. Impressionante. Eu liguei quando cheguei de volta no Rio, milhões de pedidos de show do Kasino e o sucesso de 'Can’t Get Over' e atropelou a gente assim, para dizer para vocês que a gente estava preparado para isso e que a gente fez pra fazer sucesso, não é verdade. A gente não fazia a menor ideia", complementou, revelando que Fher não era a única voz por traz do Kasino.

"Todo mundo sempre achou que o Kasino era uma pessoa só, que o Kasino era o vocalista que na época fazia parte da formação e tem gente que acha até hoje. Essa é a grande verdade. O que a galera não sabe é que o Kasino sempre foi uma dupla e começou lá atrás, em 2003. E nós tínhamos um estúdio no Leblon (Rio de Janeiro) e fazíamos música para Som Livre, para a Rede Globo, para trilhas de novela. E o Kasino só foi ganhar uma projeção em 2005 com essa formação. E já teve várias formações. Tem meus vocais, tem vocais do Ian, teve vocais até de outros cantores e cantoras. Mas, a formação que ganhou projeção nacional, por incrível que pareça, foi a que estava em 2005. E aí a galera sempre identificou como um cantor. Então é engraçado como a galera tem esse esse recorte das coisas, né? Acha que, por exemplo, o Roxette é uma cantora, o Van Halen é o vocalista e por aí vai", finalizou.