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Quatro pontos que mudaram no Liverpool após Klopp e ajudam a explicar campanha impressionante

Passaram-se dez meses desde que um anúncio surpreendente mexeu com as estruturas de Anfield. Por "falta de energia", Jurgen Klopp comunicou publicamente que não cumpriria o contrato assinado até 2026, um movimento que colocou dúvidas do que seria o Liverpool sem o carismático alemão na beira do campo.

A temporada não chegou nem à metade, mas é correto dizer que, neste momento, poucos sentem falta de Klopp. Seu substituto, Arne Slot, faz campanha irrepreensível pelos Reds, que venceram 17 dos 19 jogos até aqui e vão embalados para quem sabe abrir 11 pontos de vantagem na liderança da Premier League.

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O clássico contra o Manchester City, neste domingo (1º), em Anfield, com transmissão ao vivo do Disney+, pode ser a cereja do bolo de um início altamente promissor. E também a melhor maneira de comprovar que as novidades criadas pelo treinador holandês surtiram o efeito desejado.

Mas o que mudou no Liverpool desde que trocou Klopp por Slot? O ESPN.com.br apresenta abaixo quatro pontos que ajudam a explicar as novas ideias do técnico e também a boa fase em campo.

Desenho do meio-campo

Toda a era Klopp no Liverpool foi baseada em um mesmo esquema de jogo: 4-3-3, no qual o meio-campo era basicamente formado por um volante de marcação fixo na frente dos zagueiros e dois jogadores de maior mobilidade na linha da frente, com obrigações de ajudar na defesa e também encostar no trio de ataque.

Arne Slot alterou o desenho. Hoje, é possível dizer que o Liverpool atua no 4-2-3-1, o que oferece uma dinâmica diferente ao time. Em vez de um volante, o time atua com dois, que não necessariamente possuem característica só de marcação, mas que se ajudam na missão de proteger a defesa.

Essa formação também libera o terceiro meio-campista, na maioria das vezes Dominik Szoboszlai, a ser o armador mais adiantado da equipe, com liberdade criativa para atuar lado a lado com os pontas (Mohamed Salah e Luis Díaz). Os resultados corroboram a ideia: são 42 gols marcados e apenas 12 sofridos no ano.

O 'velho' Alexander-Arnold

Acostumado a ser mais um armador em Anfield, sobretudo nas temporadas mais recentes, Trent Alexander-Arnold ganhou uma nova função no Liverpool de Arne Slot: a de ser novamente um "simples" lateral.

Com o novo técnico, o camisa 66 voltou a atuar mais pelos lados do campo e cumprir as funções básicas de alguém da posição, sem a liberdade de se movimentar pelo meio-campo como um jogador livre dos tempos de Klopp.

Isso, naturalmente, causa uma mudança nos números. Alexander-Arnold tem duas assistências em 15 atuações na temporada, uma quantidade inferior em média ao que ele costumava produzir. A dúvida é se o padrão vai subir ou não até o fim da campanha.

Salah mais participativo

Mohamed Salah foi uma das caras de sucesso do Liverpool de Klopp, mas tem tudo para também personificar a passagem de Arne Slot (seja só por uma temporada ou por mais, caso chegue a um acordo para renovar o vínculo além de junho de 2025).

A mudança de comando no clube trouxe a Salah uma liberdade maior pelo campo, o que é vista nos números. Até agora, o egípcio soma dez assistências na temporada, perto das 14 da campanha passada, mas em um número bem menor de jogos (18 a 44).

Isso faz do atacante um fator de desequilíbrio para o Liverpool. Sem os gols ou assistências de Salah, o clube estaria na modestíssima 13ª posição da Premier League. Mérito do craque, é claro, mas também de Arne Slot.

O 'novo' Gravenberch

Ryan Gravenberch chegou com expectativa no Liverpool após somente uma temporada no Bayern de Munique, mas teve dificuldades para se consolidar como peça importante nos tempos de Klopp.

A chegada de Slot alterou isso. De um meia ofensivo centralizado, o holandês passou a ser um dos volantes na linha de dois marcadores, função que ele jamais havia desempenhado na vida.

A aposta surtiu resultado. Hoje, Gravenberch é titular absoluto e peça fundamental para o sucesso do Liverpool.