Sadio Mané foi vendido pelo Liverpool ao Bayern de Munique, enquanto Mohamed Salah ganhou renovação astronômica de contrato
Nesta terça-feira (13), o Liverpool recebe o Ajax, em Anfield, às 16h (de Brasília), pela 2ª rodada da fase de grupos da Uefa Champions League. O fã de esporte confere o melhor pré-jogo no ESPN FC, às 15h (de Brasília), com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.
Jogando em casa, os Reds precisam de uma boa vitória para "limpar" a imagem que feia que ficou da vergonhosa derrota por 4 a 1 para o Napoli, na semana passada, pela estreia no torneio europeu.
Para conquistar o triunfo, o time de Jürgen Klopp conta com a reação de Mohamed Salah, que, apesar ter números satisfatórios (3 gols e 3 assistências em 8 jogos na temporada), não vem lembrando o mesmo jogador de anos anteriores.
Com isso, vem sendo discutido frequentemente na mídia britânica nos últimos dias a seguinte questão: será que Sadio Mané, que foi vendido para o Bayern na última janela de transferências, era o "verdadeiro craque" daquele "Super-Liverpool", e isso vem fazendo Salah sofrer por ter que resolver sozinho?
Na Inglaterra, muitos analistas argumentam que o senegalês fazia o trabalho de pressão no ataque e criação de espaços, permitindo ao egípcio brilhar pelos flancos do campo.
Com sua saída, Reds e Salah vêm sofrendo, com a equipe de Anfield tropeçando muito neste início de temporada, tanto na Premier League quanto na Liga dos Campeões.
Será que Mané era mais importante do que todos pensavam? Ou os problemas atuais do Liverpool têm outras explicações?
Para ter a reposta para essa pergunta, o ESPN.com.br ouviu os especialistas da ESPN, que deram suas visões sobre o tema.
Confira abaixo as opiniões:
Leonardo Bertozzi
Comentarista da ESPN e blogueiro do ESPN.com.br
Acho totalmente sem sentido você tentar julgar o Salah de outras temporadas com o metro atual, com a situação individual dele hoje e do time como um todo.
Claramente, o Liverpool hoje sofre para executar o jogo do Jürgen Klopp, de intensidade e pressão alta, porque há um envelhecimento geral do elenco. E isso engloba também o Salah.
Mas tentar diminuir o peso do Salah nas últimas temporadas, ou sobrevalorizar o impacto do Mané, que sem dúvidas também foi importante, não acho que faça sentido.
Mané foi um jogador muito importante, que ajudou a mudar o patamar do Liverpool... Da mesma forma que o Salah.
O Salah teve números absurdos nos últimos anos. Se você olhar para gols, assistências, números que ninguém jamais imaginaria que ele teria. Tudo isso com dribles, velocidade, desequilíbrio.
Por isso, tentar colocar o Salah abaixo do que era antes é, no mínimo, oportunista e ignora o quanto os contextos mudam de uma temporada para outra e também a situação geral do elenco atual do Liverpool.
André Donke
Comentarista da ESPN e blogueiro do ESPN.com.br
Para mim não havia/há um verdadeiro craque neste Liverpool de Jürgen Klopp, ainda que consideremos apenas os atacantes.
Vejo o Salah como o nome de maior repercussão em relação ao Mané pelo pacote (jogador + personagem). Tecnicamente, os dois estão no mesmo nível, chegando até a dividir uma artilharia de Premier League.
Se fosse o Salah quem tivesse saído e o Mané permanecido, não acredito que isso seria tão determinante para que víssemos um Liverpool sem os problemas que está enfrentando neste início de temporada, embora reconheça que o Salah está abaixo de seu potencial neste 2022/23
Mário Marra
Comentarista da ESPN e blogueiro do ESPN.com.br
Paulo Andrade
Narrador e apresentador da ESPN
Eu acho que não dá para olhar para Salah ou Mané e dizer: 'Esse era o craque do Liverpool dos melhores tempos'. Acho que o craque dos Reds na verdade é o conjunto. Claro, um conjunto formado por grandes nomes, e do qual o Mané fez parte, do qual o Salah fez parte e o Roberto Firmino, talvez num grau um pouquinho menos importante, também participou.
Não é possível dizer se Salah era o grande craque, se Mané era o grande craque, porque isso vai diminuir um ou outro. O craque do melhor Liverpool era o conjunto. E, se olharmos só para o setor ofensivo, o craque na verdade era o conjunto ofensivo formado pelas três peças: Salah, Mané e Firmino.
Tanto é que a reposição do Firmino é um pouco menos traumática quando chega o Diogo Jota. O Firmino ficou mais tempo na reserva na temporada passada porque o Jota chegou e se destacou. É um atleta de característica diferente do brasileiro, mas conseguiu se dar bem no mesmo encaixe, mesmo sendo mais centroavante na frente e colaborando menos que o Firmino na armação.
Mas repito: o craque do Liverpool supercampeão, se a gente olhar a linha de frente, era o conjunto formado pelos três, com Mané e Salah tendo importância parecida. O Liverpool perdeu um deles, e agora sofre, sente falta.
Imagino que as coisas podem melhorar ao longo do tempo. O Darwin Núñez também tem características diferentes e pode encaixar com o passar do tempo, mas o encaixe e o entrosamento que aqueles três tinham a gente não vai ver mais, pelo menos nesse primeiro momento. Até porque, agora, os jogadores de ataque do Liverpool, como Jota, Luis Díaz e Darwin, têm características diferentes.
O encaixe do tipo que vimos com Salah, Mané e Firmino, o Liverpool não terá tão cedo.
Renato Rodrigues
Comentarista da ESPN
Para mim, o craque do Liverpool nunca foi o Salah e nem o Mané. O craque do time é o sistema, o conjunto, o coletivo.
Quando o coletivo não está ajustado, como nessa temporada, por diversos motivos, por mudança de estrutura, por elenco reduzido, pela saída de jogadores importantes, pela fase que o Firmino ainda não conseguiu retomar, chegaram também outros reforços, o departamento médico está sempre cheio... A coisa não funciona.
Para mim, o craque do time nunca foi Mané ou Salah, mas sim o conjunto, a maneira como o coletivo funcionava e potencializava esses atletas, por mais que seja jogadores de um nível muito alto.
Tanto é que, no Liverpool, houve vários momentos. Em certa hora, o Mané foi protagonista. Noutro momento, o Salah foi um pouco mais. O time alternava muito essas situações por causa de um sistema coeso.
Talvez o grande craque mesmo seja o Klopp. Mas, no momento, é fato que ele não está tendo muitos subsídios para reproduzir as coisas nessa temporada, pelo elenco pequeno e pelas lesões. Está tendo até que jogar com Milner como titular, e isso é "forçar a amizade" um pouco...
