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OPINIÃO: Vergonha atual do Boca Juniors, fora da Libertadores, não é acaso. Falta quase tudo

Dia 1º de novembro: o ‘mundo Boca’ estava eufórico. Os jornais argentinos anunciavam uma invasão ao Rio de Janeiro, a torcida iria ‘copar’ Copacabana em busca da ‘sétima’ CONMEBOL Libertadores. Os Xeneizes igualariam o número de conquistas continentais do Independiente e também clamariam o título de ‘Rei de Copas’. Tudo ilusão!

Em Copacabana, a festa azul e amarela foi interrompida por problemas com as organizadas do Fluminense e a Polícia Militar do Rio de Janeiro. No Maracanã, o jogo foi à prorrogação, mas o tricolor carioca foi melhor e ficou com a taça. O técnico Jorge Almirón pediu demissão.

Dias depois, a Bombonera, casa do Boca Juniors, viu a seleção argentina campeã do mundo perder seu primeiro compromisso após a Copa do Mundo disputada no Qatar, e o estádio, devido à superlotação, foi interditado. Uma lesão afastou o astro Cavani dos gramados, e ele não esteve em campo na derrota por 3 a 2 para o Estudiantes pela semifinal da Copa Argentina.

Fora da zona de classificação para as quartas de final da Copa da Liga, o time passou a precisar de uma combinação de resultados que o levasse à Libertadores através da tabela anual. Mas este sonho foi por terra com a vitória do San Lorenzo sobre o Central Córdoba.

Tudo isso em meio a um processo eleitoral no clube que, aliás, foi adiado pela Justiça e só deve terminar no dia 17 de dezembro. Um mês para se esquecer, e nada disso foi obra do acaso.

Em 2018, quando ficou decidido que a final da Libertadores seria disputada entre River Plate e Boca Juniors, o então presidente da república argentina, Mauricio Macri, disse que o perdedor demoraria uns 30 anos para se recuperar. Este perdedor foi o Boca, que desde então não encontrou mais seu rumo, embora tenha ganho títulos locais.

A oposição ganhou a primeira eleição depois da derrota com o apoio do ídolo Riquelme, que passou a comandar o departamento de futebol e agora é, ele mesmo, candidato a presidente. Uma gestão que não conseguiu tirar o clube da ressaca.

Claro que a profunda crise econômica do país atrapalhou, mas neste intervalo o rival teve fôlego para reformar seu estádio, transformá-lo no maior do continente e lucrar dezenas de milhões de dólares com as vendas de grandes jogadores, como Julián Alvarez e Enzo Fernández, a clubes europeus.

Faltou gestão ao Boca. Faltou revelar grandes jogadores. Faltou apostar em grandes treinadores. Riquelme falhou em não imprimir uma filosofia de futebol. O Boca vem desde então “apagando incêndios”, sem jogar um futebol convincente.

A campanha deste ano é o grande exemplo disso. O time nem chegou perto de disputar os títulos de competições que tinham pontos corridos. Chegou à final da Libertadores depois de passar por um grupo fraco e se garantir nas disputas de pênalti nos mata-matas. Também nos pênaltis se arrastou até à semifinal da Copa Argentina.

O que sobrou? A realidade

Hoje, o Boca só é suficiente para garantir uma vaga na CONMEBOL Sul-Americana. E pelo discurso dos seus candidatos, o clube ainda não entendeu os caminhos que precisa trilhar para ser forte de novo.

Macri voltou à política do Boca como apoiador do atual candidato da oposição, Andrés Ibarra, e promete contratar o ex-atacante Martín Palermo como técnico. Com isso, tenta usar a popularidade de um ídolo para enfrentar outro (Riquelme). Acontece que a trajetória de Palermo como treinador não lhe credencia a comandar o Boca. O projeto técnico já começaria comprometido.

É assim que se pensa o clube hoje, de forma tacanha, longe do que precisa e demanda um gigante como o Boca.