Um dos líderes da Liga Forte Futebol, o Internacional tem em mãos também uma oferta da Libra para uma possível migração de lado na questão da venda de direitos televisivos e comerciais para os próximos 50 anos.
Na última quinta-feira (6), 207 conselheiros, entre oposição e situação, estiveram no Beira-Rio para assistir uma apresentação de membros da Libra, do Grupo Mubadala, investidor da organização, e do banco BTG, que intermedia as negociações.
Agora, o Internacional tem as duas ofertas, da LFF e da Libra, em mãos. Sergio Juchem, presidente do Conselho Deliberativo do clube, se debruçará em cima das propostas nos próximos dias e deverá convocar uma reunião de votação para a escolha da oferta vencedora para o dia 24 de julho.
A ESPN apurou que a ida da Libra ao clube aconteceu após um movimento orquestrado por membros da oposição à gestão do presidente Alessandro Barcelos, que encabeça as reuniões da LFF desde os primeiros passos do grupo. No entendimento destes conselheiros, a Libra não teve a mesma oportunidade de apresentar uma proposta.
O Internacional está em ano eleitoral e conta com um conselho dividido neste momento. Cerca de um terço dos membros do colegiado apoiam o presidente Barcelos, que conta ainda com o apoio de uma oposição que não deve disputar a eleição do final do ano.
Do outro lado desta história existe o grupo de oposição mais ferrenha, que brigará pelo pleito à presidência do Colorado para o próximo triênio (2024/2027). É neste cenário político que acontecerá uma das decisões contratuais mais importantes da história do clube.
Quais as diferenças entre as ofertas da LFF e da Libra?
Na Liga Forte Futebol, que conta com o presidente Alessandro Barcelos como um dos líderes desde a sua criação, o Internacional tem a maior oferta a receber dentre todos os clubes que compõe o bloco: R$ 218 milhões por 20% de todas as receitas comerciais que forem geradas pelos clubes do bloco pelos próximos 50 anos.
Já na Libra, o Colorado tem em mãos a possibilidade de negociar 12,5% por R$ 99,3 milhões. Apesar dos valores apontados serem proporcionais, existem outros fatores que implicam no debate interno e fazem com que o CD do Inter se divida a respeito do tema.
Com relação à LFF, o que incomoda parte dos conselheiros do clube é o fato de executivos da Live Mode, empresa que negociará os direitos e parceira dos investidores Grupo Serengueti e da LCP, terem passado na Turner, empresa que geria o Esporte Interativo, com quem o Inter assinou um contrato de direitos televisivos em 2016, quando era presidido por Vitório Piffero.
A questão é que a relação entre as partes foi “turbulenta”, uma vez que opositores à gestão do então presidente alegaram que o rival Grêmio, que tinha vínculo com a Globo, faturava até R$ 35 milhões, causando um desconforto no Beira-Rio.
Além disso, o Inter notificou a Turner dizendo que a empresa havia pago luvas extras ao Palmeiras, clube com o qual também tinha contrato. Esse mal-estar entre as partes é visto atualmente por parte do conselho como um fator que poderá ser um novo problema para o Inter no futuro.
Já com relação à Libra, existem dois pontos que incomodam parte do CD e que foram trazidos à tona na reunião de quinta-feira. O primeiro é o fato do grupo manter uma “cláusula de estabilidade” no contrato caso a receita em um período de cinco anos seja abaixo ao obtido em 2023.
No entendimento de alguns conselheiros, esta medida faria com que o rival Grêmio pudesse ganhar até R$ 100 milhões a mais do que o Inter no período acumulado. Além disso, o fato da Libra ter Flávio Zveiter como um dos principais articuladores é apontado como uma afronta para membros do CD do Colorado.
O advogado é filho de Luiz Zveiter, que presidia o Superior Tribunal de Justiça Desportiva em 2005, ano no qual foram anuladas 11 partidas do Campeonato Brasileiro apitadas pelo então árbitro Edílson Pereira de Carvalho, acusado de manipular os resultados dos confrontos.
Naquele ano, o Inter terminou a competição com o vice-campeonato, e o Corinthians ficou com o título. O Colorado nunca aceitou bem a forma como se sucedeu a competição após a descoberta da fraude e não nutre grande simpatia por membros da família Zveiter.
Outro fator questionado por membros do CD para com a Libra é o fato de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, questionar publicamente o comportamento do Flamengo como “irredutível” em negociações do grupo. Na visão destes membros do Colorado, o fato de um dos clubes líderes da organização (Leila) fazer reclamações públicas mostra que a Libra pode não ser o melhor caminho para o Internacional no futuro.
Carro “gremista” marca reunião e expõe ‘fragilidade’ em negociação
A ida de membros da Libra ao Beira-Rio ficou marcada também pelo fato de um dos carros que levou os dirigentes à reunião ter simplesmente um símbolo do rival Grêmio em sua traseira. A ESPN apurou que o assunto é tratado de forma diferente entre membros do CD.
Apoiadores da ideia de ter a Libra como parceira acreditam que tudo não passou de “infelicidade sem importância” e que não deve ser levado em conta, uma vez que a oferta da organização, assim como a da LFF, implicará nos próximos 50 anos do Colorado, algo superior a um simples adesivo do Imortal.
Por outro lado, pessoas que apoiam o acerto do Inter com a Liga Forte enxergam este fato como uma mostra de que a Libra não se preocupa com o Internacional e que o clube não seria tratado com o devido respeito pela organização em caso de um acerto para o futuro.
Além disso, a presença de um membro do banco BTG com vestes azul, cor do Grêmio, teria incomodado nomes do CD do Inter.
Como será o futuro?
Com as duas propostas em mãos, o Internacional deverá escolher para qual lado seguir nas próximas semanas. A decisão do impacto financeiro no Colorado está nas mãos dos 339 membros de seu Conselho Deliberativo, que votarão por Libra, Liga Forte Futebol, ou quem sabe, uma nova rota ainda desconhecida.
Próximos jogos do Internacional
Fluminense (F) - 09/07, 16h (de Brasília) - Brasileirão
Palmeiras (C) - 16/07, 18h30 (de Brasília) - Brasileirão
Red Bull Bragantino (F) - 22/07, a confirmar - Brasileirão
