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Atlético-MG: '12º jogador' de Cuca lembra quando não ouviu pedido de Ronaldinho Gaúcho e foi embora antes de título

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Serginho é considerado campeão da Libertadores de 2013, mas já não estava no grupo no momento do título


Aos 35 anos, o volante Serginho se prepara para disputar o Campeonato Paulista de 2022 pelo Santo André. Ele chega com um vasto currículo no futebol, mas o maior título de sua vida, ele não conseguiu conquistar em campo: o da Conmebol Libertadores de 2013 com o Atlético-MG.

Serginho fez parte daquela conquista, já que iniciou a disputa do torneio no time mineiro. Têm lembranças, inclusive, em detalhes daquela época, mas, quando o Atlético venceu o Olimpia, do Paraguai, nos pênaltis, no Mineirão, Serginho já era jogador do Criciúma.

“Essa é a pergunta que mais me fazem (risos). A palavra arrependimento eu não tenho porque sou muito positivo. Deus quis assim. Talvez, se eu ficasse no Atlético, não sabíamos se seriamos campeões. Sabe aquele gostinho de, se eu tivesse ficado, teria sido diferente até a final? Seria um gostinho melhor, com certeza. Eu torci muito para ser campeão e recebi depois a medalha”, lembrou o agora jogador do Santo André, ao ESPN.com.br.

Ao falar sobre os segredos daquele time, Serginho não tem dúvidas sobre uma das principais armas. “Fizemos do Horto nosso caldeirão, e a gente não perdia. Conseguíamos até programar coisas depois dos jogos, porque sabíamos que ia dar certo. A confiança era muito grande, mas sem desprezar os adversários.”

Sem disputar a reta final, a principal lembrança de Serginho daquela Libertadores está na primeira fase. “Na Bolívia, eu participei de um gol contra o The Strongest, que deu a classificação na Libertadores. Foi muito importe, porque nos deu uma tranquilidade."

O Cuca, toda vez que me encontra, diz: se não fosse aquele gol, talvez a gente não tivesse sido campeão da Libertadores”, lembra orgulhoso Serginho, que fez 168 jogos em quase dez anos de Atlético-MG. “Falo que foi um diviso de águas na minha carreira”.

A saída do Atlético-MG e os pedidos de Ronaldinho e Cuca

Serginho seguiu no Atlético até o jogo de ida das quartas de final contra o Tijuana, no México. Na volta, do lance milagroso de Victor, em pênalti de Riascos, nos acréscimos, o meio-campista estava machucado e já com tudo certo para se transferir para Santa Catarina.

“Eu estava me recuperando de uma lesão no adutor, e com contrato de empréstimo para o Criciúma pronto. Eu pedi a minha saída, e muita gente não sabe... O Cuca não queria deixar, ele falava que eu era o 12º jogador. Ele me colocava de lateral-direito, para marcar jogadores mais perigosos, mas eu não gostava, era meio-campista. Não estava feliz, quis sair para jogar.

Mas o técnico não foi o único que quis “barrar” a saída de Serginho. Ronaldinho Gaúcho, o grande astro daquele Atlético, fez questão de que o volante seguisse até o final.

“Eu não vi o Ronaldinho na volta do Tijuana, mas encontrei com o (lateral) Junior César, que falar para mim: ‘Serginho, o Mano (Ronaldinho) falou que não é para você ir. Ele falou para você desfazer tudo e não ir para o Criciúma’. Eu falei: ‘Mas como? Eu já fiz contrato. Ele está feliz, já tem a carreira dele feita, eu preciso jogar e fazer a minha vida. Não estou feliz’. Fiquei com aquilo marcado na minha cabeça”, relembrou ele.

“Eu não era um dos melhores amigos do Ronaldinho, mas a nossa convivência era excelente. Ele brincava muito que eu falava cantando, por ser mineiro. Depois, eles foram campeões da Libertadores. Será que ele falou isso para mim porque já sabia que seria campeão?”

A sequência da carreira

Após o Criciúma, Serginho também teve um período emprestado ao Vasco, até deixar o Atlético em definitivo em 2016, quando foi para o Sport. De lá, se aventurou fora do Brasil.

“Depois eu respirei novos ares e fiz a minha carreira. Fui para os Emirados Árabes (Al Wasl) e depois fui para a Turquia, em um clube de menor expressão (Akhisarspor). Eu treinei de volante e depois fui jogar de segundo atacante, ao lado do camisa 9 chamado Paulo Henrique, que era brasileiro também. A gente se entrosou muito bem, eu fiz um gol no Antalyaspor, que tinha o Eto’o. Fechei a temporada como vice-artilheiro do time, e fomos campeões da Copa da Turquia em cima do Fenerbahce. Na Supercopa, a gente venceu o Galatasaray. Ou seja, dois títulos em cima dos maiores clubes do país. Foi uma passagem muito marcante."

“Somos reconhecidos até hoje por causa disso na cidade e no clube. Eu morava sozinho, e a minha família só passava as férias... Sou muito apegado a todo mundo. Eu sofri muito com isso, e o Paulo me ajudou demais. Não consegui cumprir o terceiro ano de contrato e voltei ao Brasil para jogar no Coritiba. Conseguimos o acesso para Série A do Brasileiro.”

Após 2019, Serginho acertou com o Villa Nova-MG, em 2020, mas não seguiu depois do início da pandemia, período que o deixou quase um ano parado. “Fiquei só treinando em casa com um personal todos os dias. Fiquei um pouco mais com a família, mas depois de um tempo, você fica louco para voltar ao futebol”, contou ele, que defendeu o Confiança até 2021.

Para 2022, no Santo André, Serginho reeditará uma antiga parceria, com Thiago Carpini, que foi seu companheiro no Atlético e hoje é treinador. “Meu acerto foi muito rápido por se tratar do Thiago Carpini, que me passou o projeto. Tudo que me passou é o que aconteceu mesmo.”

“O grupo tem jogadores humildes, que tem vontade de crescer, e os que desejam voltar ao futebol de alto nível, é o que gosto. Eu vim não somente para realizar meu sonho de jogar o Paulista, mas de fazer um trabalho bacana. Eu sonho em voltar a disputar uma Série A. Estou muito feliz de estar representando a camisa do Santo André e a cidade.”

E, aos 35, Serginho pensa em se aposentar? “Eu vou jogar futebol enquanto o meu corpo aguentar. Eu ainda gosto de jogar, o dia em que acabar o desafio e o frio na barriga, será a hora de parar. Esse tempo parado me deu ainda mais vontade de jogar, é o que sei fazer. Preciso aproveitar isso. Estou com 35 anos, mas, pelo amadurecimento e por saber me cuidar mais, eu estou muito bem. Acho que mais uns dois ou três anos dá para jogar.”