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Atlético-MG x Palmeiras na Libertadores: Dudu já abandonou treino irritado com substituição, mas é admirado por técnico até hoje

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Nesta terça-feira, o Palmeiras visita o Atlético-MG, às 21h30 (de Brasília), no Mineirão, pelo jogo de volta da semifinal da Conmebol Libertadores, em busca de uma vaga na grande final pelo 2º ano seguido - a ida, no Allianz Parque, terminou 0 a 0.

Para voltar classificado de Belo Horizonte, o Verdão conta o com brilho de Dudu, seu principal jogador, que deve ser titular na formação do técnico Abel Ferreira em Minas Gerais.

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Após jogar muito bem nas quartas de final contra o São Paulo, praticamente decidindo o jogo de volta com uma grande atuação, o camisa 4+3 não conseguiu atuar bem no duelo de ida contra o Galo, na última terça-feira.

Muito bem marcado pelo lateral Mariano, Dudu foi anulado na partida e pouco conseguiu produzir em campo. Até por isso, ele foi substituído por Wesley no 2º tempo, com o atacante entrando para tentar ganhar as costas do ala alvinegro.

Ao sair da partida, porém, o baixinho mostrou muita irritação. Ele não cumprimentou o técnico Abel Ferreira e, logo que sentou no banco de reservas, arrancou suas caneleiras e arremessou ambas no gramado do Allianz Parque.

Na coletiva após o jogo, o técnico português foi questionado sobre o tema e até colocou panos quentes na situação, mas fato é que Dudu visivelmente não gostou de ser sacado da equipe em uma partida de tamanha importância.

Quem conhece o atacante desde o início da carreira, porém, sabe que ele sempre ficou contrariado com substituições, até mesmo em treinos...

'Cadê o Dudu? Foi embora?'

Atualmente técnico nas categorias de base do Cuiabá, Alexandre Grasseli é um nome importantíssimo na formação de Dudu.

Ex-comandante das canteras do Cruzeiro, Grasseli conheceu o atacante ainda na categoria sub-13 da Raposa. Eles trabalharam juntos no sub-15, sub-17 e sub-20, até Dudu ser promovido aos profissionais em Belo Horizonte.

Em entrevista ao ESPN.com.br, o treinador de 47 anos lembrou que o hoje craque do Palmeiras sempre teve personalidade jovem desde a adolescência.

"O Dudu sempre teve personalidade forte desde novo. Ele era um menino que via nos funcionários da Toca da Raposa e nos treinadores algumas figuras familiares, porque ele deixou a família muito cedo para tentar ser jogador. Era um garoto muito afetivo, mas, ao mesmo tempo, de personalidade marcante", recordou Grasseli.

"Desde moleque, ele era um jogador que, se tivesse algo para me falar, fosse assunto de jogo ou extracampo, vinha me falar. Por exemplo: se ele não estivesse feliz com a posição em que estava sendo escalado, ele vinha e me falava. E seu sempre achei isso muito positivo, pois é uma demonstração clara de personalidade", afirmou.

"Fora isso, ele sempre se destacou dos outros pela capacidade técnica, pela habilidade com a bola e pela interpretação de espaços. O Dudu era um menino pequeno, mas isso nunca foi desvantagem para ele, pois semre soube usar o lado craque dele para tirar vantagem. É por isso que se destacou muito e virar um jogador fenomenal", exaltou.

No pacote da "personalidade forte", porém, também estava a característica de nunca gostar de ser substituído.

"Ele não gostava nem de sair de treino! Tenho até uma história interessante sobre isso: uma vez estávamos em um treino do sub-17 na Toca da Raposa e, no fim do coletivo, eu tirei o Dudu e coloquei outro atleta no lugar dele. O Dudu saiu de campo e o coletivo continuou. Só que aí eu quis colocar o Dudu de novo no jogo para fazer um teste. Procurei e não o encontrei", rememorou.

"Perguntei ao preparador físico: 'Cadê o Dudu?'. Ele respondeu: 'Já foi embora!', e eu retruquei: 'E quem deixou ele ir embora? O treino ainda não acabou!'", relatou Grasseli.

O técnico mandou a comissão buscar o atacante no vestiário da Toca e teve um certo trabalho para recolocá-lo de novo no treino.

"O Dudu já estava no vestiário e tinha até trocado de roupa. Foi feita uma conversa, ele recolocou a roupa de treino, voltou para o campo e sentou no banco. Eu disse para ele: 'O treino ainda não acabou. Agora vai lá de novo', e o recoloquei no time", contou.

"O coletivo começou a rolar de novo e, na hora que ele pegou na bola pela primeira vez, eu acabei o coletivo (risos). Cheguei para ele e disse: 'Aqui você tem que nos obedecer, temos regras para serem cumpridas e você não tem privilégio em relação a ninguém'. Ele até falou: 'Mas eu estava cansado e queria tomar banho', e eu só respondi: 'Não, o treino só acaba quando eu determino'", salientou.

O baixinho acabou aceitando aquilo como uma lição para sua vida.

"Passaram alguns minutos depois disso, ele me procurou, olhou nos meus olhos e conversou comigo como homem. Não ficou fazendo biquinho e nem reclamando pelos corredores. Quando precisava falar alguma coisa, ele sempre conversava e mostrava um respeito muito grande", ressaltou.

"O Dudu era um menino muito carente na parte familiar e a gente precisava suprir essa carência. Nós, da comissão, sempre entendemos isso, e tentamos ajudar também na formação do lado humano do jogador", complementou.

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'Você tem que me colocar como titular'

Depois do episódio do treino, a relação entre Dudu e Alexandre Grasseli ficou cada vez mais sólida. O treinador tinha a liberdade para ensinar e dar algumas duras no atleta, que também sentia a abertura para discordar e discutir opções com o comandante.

O hoje técnico da base do Cuiabá revela até mesmo que o baixinho cobrava a titularidade de forma aberta quando sentia que estava pronto para entrar no 11 inicial nos tempos de Cruzeiro.

"Alguns meses depois da situação do treino, nós fomos disputar uma competição grande de base no Rio Grande do Sul. Levei o Dudu, mesmo ele sendo bem mais jovem que a idade limite do torneio, e eu sempre o colocava no 2º tempo. Ele entrava bem e sempre mudava o jogo. No meio do torneio, ele me chamou e disse: 'Você tem que me colocar como titular!'. Eu fui sincero e respondi: 'Dudu, você está passando por uma etapa da vida. Ainda vai chegar aonde quer, mas, agora, você vai me ajudar da forma que eu preciso'", recordou.

"Terminou a competição e ele foi eleito o jogador revelação do torneio. Fomos vice-campeões, muito em função de tudo o que ele fez na competição. Desde essa época ele já demonstrava ser fenomenal, um craque, e é por isso que eu fico tão feliz de ver a evolução que ele teve na carreira", celebrou.

Grasseli também destaca que Dudu nunca "sentiu" o peso dos grandes jogos, principalmente contra rivais diretos.

"Ele sempre foi muito ousado. Na minha época de base, ganhamos muito mais do Atlético-MG do que perdemos. Nos clássicos, ele sempre se destacava muito, vibrava nos lances, era enérgico e contagiava a todos. Nas grandes partidas ele era garra pura, não sentia os jogos. Pelo contrário: chamava a responsabilidade e brilhava", afirmou.

'O Dudu acabou com o Santos do Neymar'

Para Alexandre Grasseli, o maior momento de brilho de Dudu na base do Cruzeiro aconteceu em 2007, quando ele ofuscou ninguém menos do que Neymar, então maior estrela do time juvenil do Santos.

"O Dudu sempre teve a facilidade no trato com a bola e o drible no espaço curto e reduzido. Ele sempre tinha uma solução fora do comum para os jogos. Mostrou isso principalmente em 2007, quando fomos disputar a Copa Votorantim e o Santos tinha o Neymar, que já era muito badalado", rememorou.

"Eles ficaram 15 dias se preparando, porque o Neymar já tinha uma fama grande na época - justificável, por sinal. Aí fomos jogar contra o Santos e ganhamos por 2 a 1. O Dudu simplesmente acabou com o jogo e foi aplaudido de pé pele torcida. Acabou ofuscando o Neymar naquela oportunidade e mostrando todo seu talento, terminando como destaque da competição", apontou.

Para Grasseli, Dudu sempre foi e continuará sendo julgado por sua personalidade forte, mas é um jogador diferenciado.

"Ele sempre foi apontado como um talento fora de série e fora da curva, mas, em vários momentos, as pessoas o julgaram por ser um pouco explosivo. Ele é muito 'coração' e sincero, mas, no fundo, isso é muita personalidade. Ele quer o melhor sempre. Ele briga, mas porque quer continuar. Ele não quer sair nunca, porque quer jogar e mudar o jogo sempre", explicou.

"É por isso que ele era visto como uma joia, ganhou quase tudo na base, virou uma realidade e se tornou o craque que é hoje", finalizou.