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Pedro Marlon, ex-Palmeiras, passou apuros em 'ilha de Lost'; hoje, joga com Drenthe, ex-Real Madrid

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'Olha o tamanho da asa do avião': Esteves relembra história engraçada de Gabriel Menino na base palmeirense (0:33)

O lateral-esquerdo Lucas Esteves se divertiu em entrevista ao ESPN.com.br: 'O Menino é muito resenha!' (0:33)

Desde 2020, o Palmeiras passou a adotar uma política de uso forte de jogadores revelados nas categorias de base em seu time principal. Com isso, jogadores como Gabriel Menino, Patrick de Paula, Danilo, Gabriel Veron, Renan e Esteves ganharam grande espaço no clube, levando a equipe à Tríplice Coroa na última temporada. Nem todas as joias alviverdes, porém, tiveram esse destino...

Um dos casos de atletas que não conseguiram sequência no Palestra Itália é o do meia Pedro Marlon, que iniciou a base no Verdão, mas saiu cedo do clube para atuar no futebol espanhol.

Atualmente com 21 anos, o atleta é um verdadeiro "Forrest Gump" da bola, com uma quantidade incrível de boas histórias para contar, apesar da carreira profissional ainda curta.

Em entrevista ao ESPN.com.br, ele lembrou a passagem pelo Alviverde e recordou os tempos em que jogou com os garotos que são hoje titulares ou "reservas de luxo" no Palestra Itália.

"Sou de São Paulo e comecei aos cinco anos em escolinhas de futsal no Ipiranga. Depois, fui para o campo. Aos 13 anos, fui aprovado no Palmeiras e fiquei cinco anos lá", recordou.

"O clube sempre deu um suporte incrível para a gente. Cheguei antes da chamada 'era Crefisa'. No tempo que fiquei no Palmeiras, vi como mudou a mentalidade de começar a contratar jogadores para a base e treinadores, nos mandar para todos os torneios possíveis fora do Brasil e nos dando uma estrutura ótima. Aprendi demais por lá e só tenho coisas boas para falar", relatou.

"Pelo Palmeiras, joguei torneios nacionais, paulistas e um torneio no Japão que fizemos a final contra o Boca Juniors. Joguei também uma Copa Nike, uma Copa BH. Você joga contra equipes grandes e se sente cada vez mais profissional", rememorou.

Durante sua passagem pela base alviverde, Pedro Marlon conheceu quase todos os jogadores que hoje brilham no profissional palmeirense.

"Joguei com Gabriel Menino, Wesley, Patrick de Paula, Esteves.... É muito gratificante saber que eles estão brilhando no profissional e ganhando títulos. Espero que em breve possamos jogar juntos ou contra", suspirou.

"Eu ainda tenho contato com os moleques via redes sociais. Desde aquela época, o pessoal gostava muito de zoar, assim como hoje (risos). Toda viagem a gente tinha que ficar espero, porque no ônibus sempre tinha alguma brincadeira. Tinha que ficar atento o tempo inteiro (risos)", gargalhou.

Em 2017, porém, tudo mudou na vida de Pedro Marlon, que fez o salto à Europa muito antes do que planejava.

"Eu estava na transição do sub-17 para o sub-20 do Palmeiras, mas em reta final de contrato. Estava jogando um pouco menos por causa disso e preferi rescindir", lembrou.

"Na época, meu pai estava pensando em se mudar para Espanha com a minha mãe. Recebi ofertas de times da Série A do Brasil, mas chegou também uma oferta do Getafe, que tinha interesse em mim. Acabou juntando tudo e me mudei com meus pais para a Espanha de uma vez", contou.

"Foi uma etapa de muito aprendizado. Os primeiros seis meses foram bem complicados, por causa da forma como eles trabalham na Europa. A base no Brasil é bem mais competitiva do que na Espanha. Mas treinei também com a equipe sub-23 do Getafe e fiz muitos jogos", completou.

A 'ILHA DE LOST'

Pedro Marlon ficou quase três anos na base do Getafe, mas, sem ser promovido ao elenco profissional, decidiu seguir sua aventura em outro lugar da Europa.

"Depois de dois anos e meio, eu pedi para me liberarem no Getafe. Fiquei dois meses de férias me preparando fisicamente. Foi aí que conheci meu empresário, que tinha uma oferta para jogar na 2ª divisão profissional da Grécia pelo Kerkyra. Eu tinha 19 anos e topei. Foi bom para ver a diferença da base para profissional, porque é um jogo muito mais rápido e forte. Aprendi muito lá", exaltou.

A pandemia de COVID-19, porém, acabou atrapalhando os planos do brasileiro na Grécia, e ele passou apuros em meio ao lockdown no país, ainda mais porque estava morando em Corfu, uma ilha que fica separada da parte continental do país helênico.

"Eu fui para a Grécia junto com o Pedrão, que é um colega meu zagueiro do Palmeiras. Fomos para a Grécia juntos, porque é difícil falar grego (risos). Quando chegou em fevereiro e os casos de coronavírus explodiram, não teve mais como... Eles fecharam a ilha de Corfu, e ninguém podia entrar e sair", relatou.

"Ficou tudo fechado. A gente precisou ficar cozinhando em casa, porque não tinha ne restaurante aberto. A única coisa que podia fazer era sair para correr, então pelo menos deu para manter a forma. Só que nós ficamos um pouco perdidos na ilha também (risos). Parecia a 'ilha de Lost'", contou, lembrando a famosa série de TV em que sobreviventes de um acidente aéreo tinham que viver em uma misteriosa ilha no Oceano Pacífico.

Por sorte, a amizade com Pedrão ajudou o lockdown a ser menos doloroso.

"A gente fez uma amizade muito próxima nesse ano, porque foi uma situação bem complicada. No começo, a gente não entendia direito o que estava acontecendo, e, além de tudo, estávamos longe das famílias. Passamos por tudo isso bem, na medida do possível, com uma boa amizade. Até porque muitas vezes você não tem amizade com alguns colegas de time", salientou.

Aos trancos e barrancos, o Campeonato Grego da 2ª divisão foi retomado, mas o brasileiro decidiu não ficar no Kerkyra por mais uma temporada.

"O campeonato ficou paralisado por causa de um problema e tivemos poucos jogos. Depois, parou tudo de vez por causa da COVID. No fim da temporada, voltei para casa e não saberia como seria na Grécia porque tem um pouco menos de dinheiro. Não queria passar por tudo isso de novo longe de casa. Resolvi voltar para a Espanha e ficar mais perto da minha família", admitiu.

Foi então que ele acertou com seu time atual, o Racing Murcia, que disputa a 4ª divisão espanhola.

A equipe é novata, mas está sob controle de empresários que querem crescimento rápido, segundo conta o meio-campista.

"Vim para o Racing Murcia, um bom time, que disputa o acesso para a 3ª divisão da Espanha. É um time que é novo e subiu ano passado, mas quer seguir subindo nesse ano para chegar nas primeiras divisões em breve", afirmou.

Na equipe espanhola, aliás, Pedro Marlon joga até com uma estrela: o holandês Royston Drenthe, que atuou pelo Real Madrid na época dos "galácticos", em meados dos anos 2000.

"Os donos do time são um empresário dono de uma empresa de telefonia e outro é italiano, mais ligado ao futebol. O italiano tem muitas conexões e gosta de estar na mídia (risos). Ele tentou trazer o (ex-zagueiro do Manchester City Joleon) Lescott para jogarmos contra o Levante, na Copa do Rei, mas não deu tempo. Em dezembro, ele contratou o Drenthe, que jogou no real Madrid e no Everton. Para a gente, é muito bom!", exclamou.

"Estamos fazendo um bom trabalho e vamos brigar pelo acesso. Espero um dia jogar em uma 1ª divisão na Inglaterra, Espanha e quem sabe um dia jogar pela seleção brasileira", finalizou.