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Barcelona: Sylvinho revela como é liderança de Messi: 'Não é questão de mandar, tem direitos adquiridos'

O duelo deste sábado entre Real Madrid e Barcelona pode ser o último El Clásico do craque Lionel Messi, que ainda não renovou seu contrato com os catalães e tem destino incerto para a próxima temporada.

El Clásico Real Madrid x Barcelona acontecerá no sábado 10 de abril, às 16h (horário de Brasília), e terá transmissão ao vivo de ESPN Brasil e ESPN App, além de acompanhamento em tempo real do ESPN.com.br, com VÍDEOS de lances e gols. A cobertura começa já às 15h, em live com Gustavo Hofman e os ex-jogadores Edmílson e Júlio Baptista no YouTube da ESPN e nas páginas de ESPN e FOX Sports no Facebook; e na TV, a partir das 15h30, com o SportsCenter Abre o Jogo.

Ao longo de seus muitos anos com a camisa blaugrana, o gênio sempre cresceu na hora dos jogos contra o rival de Madri.

Contando partidas oficiais, foram 44 clássicos, com 19 vitórias, 11 empates e 14 derrotas. O argentino anotou 26 gols e ainda contribuiu com 14 assistências.

E quem viu Messi surgir ainda adolescente na equipe principal do Barça garante: desde cedo, já dava para saber que ele estava destinado a algo grande.

É o que conta o ex-lateral esquerdo Sylvinho, que atuou pelos culés entre 2004 e 2009 e testemunhou de perto a ascenção de Lionel rumo ao estrelato.

Em entrevista à ESPN Brasil e ao ESPN.com.br, o hoje treinador lembrou a timidez de Messi logo que ele foi promovido do Barcelona B para a equipe adulta e contou como ajudou La Pulga, ao lado de outros atletas mais experientes daquele elenco.

"O Messi sempre teve esse perfil mais introvertido e quieto. Mas, desde que ele estava no Barça B, os funcionários do clube já falavam muito dele. Quando ele foi promovido, construímos uma boa relação de amizade ao longo dos anos. Era um moleque fora do normal", lembrou Sylvinho.

"O Messi gostava muito de ficar com os brasileiros. Ele é muito grato até hoje pela forma como a gente o acolheu desde o início. Sempre se inspirou no Ronaldinhoe no Deco. E, naquele elenco, eu era o mais velho e ele o mais jovem. O meu espanhol era de argentino, então a gente conversava bastante (risos)", brincou.

"Eu percebi também que ele era muito inteligente desde novo. Vem de uma família bem estruturada e foi bem educado. Ele 'pega' as coisas no ar, é bem esperto. Não é à toa que ele tem esses 15 anos de Barcelona. Sempre falamos que ele tinha tudo para ser um fenômeno", completou.

Ao longo dos anos, Messi foi deixando a timidez de lado e se tornou a maior lenda do Barcelona e um dos nomes mais importantes da história do futebol.

Não à toa, com o passar das temporadas, o argentino foi se tornando cada vez mais "poderoso" nos bastidores do clube, com sua palavra várias vezes definindo os rumos que a equipe iria seguir.

Segundo Sylvinho, o camisa 10 conquistou o respeito com tudo o que entregou ao clube em 15 anos, o que lhe deu grande influência dentro da agremiação.

"Não é questão de 'mandar' nos outros. O Messi tem direitos adquiridos", definiu o ex-lateral-esquerdo.

"Lembro que o Guardiola uma vez nos disse: 'Você não precisa conversar com o Messi. Você precisa entender o Messi e o mais importante: você precisa entender o olhar do Messi. Só isso'", rememorou.

O brasileiro, aliás, torce para que este não seja o último El Clásico de La Pulga.

"Somos privilegiados por seguir vendo Barcelona x Real Madrid com jogadores lendários como Messi e Piqué. É um ingrediente espetacular para um jogo que já é gigante por si só. Temos que aproveitar para ver esses caras em campo sempre, porque está cada vez alguém ficar tanto tempo em um clube como eles", salientou.

FICA OU SAI DO BARÇA?

Perguntado se acha que Messi continuará no Barcelona ou deixará o clube após tantos anos, Sylvinho é reticente.

Apesar de preferir que o argentino siga no Camp Nou, o brasileiro ressalta que uma decisão tão difícil é complicada de ser tomada, já que envolve muitos fatores.

"É uma situação difícil, porque, quanto mais o Messi estender sua carreira, melhor para todos nós, fãs de futebol. Veja o caso do Ibrahimovic, que voltou ao Milan 'quarentão' e ainda está fazendo enorme diferente. Só o Messi sabe o que é melhor para ele mesmo", observou.

"Não consigo desassociar o Messi do Barcelona, até pelo tempo que jogamos juntos. Se for para ele seguir no Barça, acho excepcional. Afinal, ele 'nasceu' ali. Mas, se for para seguir brilhando em outro lugar, é porque ele sabe no seu coração que chegou o momento de fazer uma troca", complementou.

Na opinião de Sylvinho, porém, o fato de Joan Laporta ter assumido a presidência do clube culé no lugar de Josep Maria Bartomeu, antigo desafeto de La Pulga, pesa muito a favor da possivel permanência de Messi.

Para o ex-atleta, se tem alguém que pode convencer o argentino a ficar na Catalunha, esse alguém é Laporta.

"A volta do Laporta é importante e muito boa para o Barcelona, na minha visão. Ele foi um presidente muito vencedor no passado e conhece tudo de Barça, as estruturas do clube, os bastidores. Ele vai trabalhar para ter uma segunda passagem ainda mais vencedora", sinalizou.

"Certamente o Laporta vai trabalhar para o Messi seguir. E, para o Messi, vejo que é uma vantagem a volta do Laporta. Mas, no fim das contas, será uma questão muito pessoal do próprio Messi e da construção final que ele deseja para uma carreira que sempre foi no Barça desde moleque, e é muito bonita", acrescentou.

"Acredito que, com o presidente sendo o Laporta, é uma vantagem para eles sentarem e conversarem. A decisão é do Messi, e tem que ser respeitada, pois ele sabe o que faz", finalizou.