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Garrafa Sánchez: o amor por moto que fez o craque e falecido ídolo do Banfield ser dispensado pelo Boca Juniors

Neste domingo (17), Banfield e Boca Juniors se enfrentam pela final da Copa Diego Maradona. A partir das 22h10, a bola rola no Estádio San Juan del Bicentenario e põe frente à frente duas equipes bastante distintas que se conectam por um personagem em comum e, talvez, um tanto incomum.

O jogo, que terá transmissão da ESPN Brasil e do ESPN App, terá acompanhamento em tempo real do ESPN.com.br.

José Luis Sánchez. Um nome desconhecido que figurou no início do século pelo apelido de Garrafa. A origem vem de seu pai, acostumado a entregar botijões de gás em La Jabonera, comunidade na Grande Buenos Aires, onde o ex-jogador cresceu.

Na adolescência, sua família conseguiu se mudar para Laferrere, na província de Buenos Aires. Foi lá que começou a dar seus primeiros passos no futebol. Com habilidade na perna canhota, defendeu o clube da cidade entre 1993 e 1997, quando teve uma de suas grandes chances na carreira.

Em 1996, o Deportivo Laferrere disputou dois amistosos com o Boca Juniors no CT do clube em Ezeiza. Garrafa Sánchez foi um dos destaques e recebeu das mãos do lendário treinador Carlos Bilardo a oportunidade de realizar alguns treinos no clube da Bombonera por conta do que fazia com seus pés.

Apaixonado por motos, Garrafa sabia que Bilardo, com seu jeito obsessivo, controlador e bastante regrado, jamais deixaria um jogador se arriscar em cima de uma moto. No dia do treinamento, se dirigiu a Ezeiza mais cedo com sua Honda CBR 600 para não ser visto pelo treinador. No entanto, a caminho do centro de treinamento do Boca, o meia foi visto em alta velocidade na rodovia pelo técnico. Dispensado, viu seu sonho de jogar a primeira divisão ser findado. Mas, não parava ali.

Depois disso, Garrafa foi destaque no El Povernir, clube que ajudou a subir para a Primera B Nacional (segunda divisão argentina) e Bella Vista, do Uruguai, clube o qual classificou para a Conmebol Libertadores de 2000, a qual não jogaria. Por conta de um câncer de seu pai, retornou à Argentina e deixou o futebol de lado. Mas, não parava por ali.

Foram sete meses fora das quatro linhas em uma carreira que tinha tudo para explodir, mas que, por desencontros e circunstâncias da vida, não aconteciam. Até que o Banfield entrou em seu caminho. Entre 2000 e 2005, uma relação de amor entre o clube do sul de Buenos Aires e Garrafa Sánchez. O meia vestiu, de fato e com gosto, a camisa do Taladro para entrar para a história.

Em 2001, levou o clube do estádio Florencio Sola à primeira divisão após bater o Quilmes nas duas partidas decisivas da promoção. Foi aí que realizou o sonho da carreira: ascender e jogar a máxima divisão argentina. O jeito alegre e habilidoso o fez se tornar um dos grandes ídolos da torcida banfilenha.

Em 2005, retornou ao Laferrere, clube que o revelou, para encerrar sua carreira. Filho prodígio, renunciava aos holofotes da elite nacional para disputar a terceira divisão por amor.

No entanto, quis o destino que, em 2006, um acidente de moto findasse sua vida. No dia 6 de janeiro de 2006, uma sexta-feira, em cima da mesma motocicleta que o tirou do Boca Juniors e, consequentemente, um dia, o levaria ao Banfield, tirou sua vida. Sem capacete, caiu em frente à casa em que morava.

Dois dias depois, em um domingo, 8 de janeiro de 2006, tradicional - e sagrado - dia de futebol, Garrafa Sánchez, aos 31 anos, se despedia dos torcedores que, seja para qual fosse o time que torcessem, se comoveram com aquele meia do apelido incomum, que não havia defendido gigantes, mas que era falado por todos pelo que fazia com a perna esquerda.