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Libertadores: Iarley lembra início de Tevez no Boca: 'Era como um caminhão sem freio ladeira abaixo'

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Iarley lembra começo de Tevez no Boca Juniors: 'Era um caminhão desgovernado sem freio' (0:58)

Em entrevista ao ESPN.com.br, o ex-atacante contou que os narradores até confundiam ele com o craque argentino durante as transmissões dos jogos: 'Dois baixinhos correndo e trombando com os zagueiros' (0:58)

Nesta quarta-feira, o Santos recebe o temido Boca Juniors, às 19h15 (de Brasília), na Vila Belmiro, pelo jogo de volta da semifinal da Conmebol Libertadores. Na ida, em La Bombonera, os gigantes empataram por 0 a 0.

O duelo entre Boca Juniors e Santos, dois dos maiores clubes do planeta, terá transmissão ao vivo e exclusiva da FOX Sports e acompanhamento em tempo real com vídeos no ESPN.com.br.

Para ir a mais uma final continental e seguir em busca de sua 7ª Libertadores, os argentinos contam mais do que nunca com a mística de Carlitos Tevez, principal jogador da equipe e grande ídolo da torcida.

Tevez é praticamente um estandarte do Boca. Revelado na base do clube e profissionalizado em 2001, ele coleciona taças em suas três passagens pela equipe azul e amarela.

Ao todo, o atacante já faturou cinco Argentinos, uma Copa da Argentina, uma Supercopa Argentina, uma Copa Sul-Americana, um Mundial de Clubes e uma Libertadores, vencida justamente em cima do Peixe, em 2003.

Mas se hoje Carlitos tem 36 anos e exerce um papel de liderança silenciosa no elenco, sendo extremamente respeitado em La Bombonera, no seu início de carreira o atleta era conhecido por ser uma verdadeira bomba relógio.

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'O Tevez era um grande parceiro meu, que sempre me escutou', lembrou o ex-jogador

É o que conta o ex-atacante Iarley, que atuou ao lado de Tevez no Boca entre 2003 e 2004 e foi campeão mundial e argentino pelos xeneizes, vestindo a lendária camisa 10 do time.

Em entrevista à ESPN, o ídolo do Internacional lembrou o temperamento explosivo do garoto nascido no bairro Fuerte Apache, um dos bairros mais pobres e violentos de Buenos Aires, e o comparou a um "caminhão sem freio ladeira abaixo" por vários motivos.

"Quando eu o conheci, o Tevez tinha uma vontade de jogar bola e triunfar que eram impressionantes. Era como um caminhão sem freio ladeira abaixo. Ele veio de um bairro muito humilde e teve uma infância e adolescência muito difíceis. E eu tive que frear muito esse caminhão, porque senão ele queria brigar, arrumar confusão e ser expulso em todo jogo", recordou Iarley.

"Com o Carlitos não tinha bola perdida. Eu jogava com ele no ataque e a gente fazia uma ótima dupla. Os narradores na Argentina muitas vezes não sabiam quem era quem, porque éramos dois baixinhos correndo que nem loucos para todo lado, trombando com os zagueiros e dando porrada. Éramos muito parecidos nisso (risos). Ele sempre mostrava uma garra muito grande pare vencer", exaltou.

"Era um cara que, quando estava no meio de três zagueiros, abaixava a cabeça, trombava, aguentava as porradas, protegia a bola e, daqui a pouco, saía um passe ou chute para o gol. A técnica dele nem se discute, sempre foi diferenciado", elogiou.

De acordo com Iarley, Tevez era extremamente tímido, o que fez com que os atletas mais experientes do elenco sempre tentassem "abraçá-lo" fora de campo, até porque sabiam que ele tinha que ser "domado".

"Carlitos era muito quieto e sempre escutava todo mundo. Não dava um 'pio', era um cara muito calado. A gente tinha na verdade é que puxá-lo para brincar e conversar. Era um cara muito tranquilo, mas, quando entrava em campo, se transformava e virava um leão", salientou.

O brasileiro também recordou que Carlitos sempre foi apaixonado pela cumbia, estilo musical famoso nos países latinos e que sempre inspirou as comemorações de gol do atacante.

Iarley revela que a paixão de Tevez pela música sempre foi enorme, e o jogador cogitava até mesmo tentar uma carreira de cantor junto com a de atleta. No entanto, foi aconselhado a não investir no mundo do show business, já que sua voz não era das melhores...

"O Tevez era meu parceirão. Ele sempre me escutava bastante, era muito tranquilo. Eu falava para ele parar com aquelas dancinhas de cumbia dele, pois eram muito feias (risos). Ele queria cantar e dançar, e eu falava: 'Para com essa de querer ser cantor, Carlitos! Concentre-se no futebol, porque com essa voz, você não vai ser cantor nunca!' (risos)", brincou.

"Às vezes ele até me convidada para as apresentações de cumbia do grupo dele, falava para ir vê-lo ao vivo. E eu sempre respondia: 'Carlitos, vai jogar bola... Essa de cantor não é pra você!' (risos)", gargalhou.

O ex-Internacional conta que costuma acompanhar os jogos do amigo pelo Argentino e pela Libertadores. Antes do confronto contra o Santos, Iarley analisou a subida de produção do Apache e pediu cuidado ao Peixe.

"O Tevez teve um período que não estava rendendo tanto, estava claramente num nível abaixo. Mas, do ano passado para cá, ele está sendo um jogador muito decisivo. Depois da saída do (técnico Guillermo Barros) Schelotto e a vinda do (treinador Miguel Ángel) Russo, ele se tornou fundamental no esquema", observou.

"O Russo conseguir colocar o Tevez em uma maneira de jogador com os parceiros que está sendo muito cômoda para ele, pois mais que tenha uma certa idade. Por isso, ele está demonstrando esse alto nível agora", explicou.

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Na atual temporada argentina, Carlitos soma 5 gols em 14 partidas, sendo 3 tentos em 9 duelos de Libertadores.