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Palmeiras: O dia em que goleiro Marcelo desfalcou o time porque foi mesário em eleição municipal

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Ex-Palmeiras revela surpresa ao ser chamado para ser mesário nas eleições e perder jogo do Brasileiro (2:40)

Ex-goleiro de Palmeiras e Juventus-SP, Marcelo Moreira falou com exclusividade aos Canais ESPN (2:40)

Neste domingo, o Brasil inteiro irá participar das eleições municipais para prefeitos e vereadores. E, como todo cidadão, os jogadores de futebol também irão fazer parte da "festa da democracia".

E acredite se quiser: no passado recente, houve até casos de atletas que desfalcaram suas equipes porque foram convocados para trabalharem como mesários nas seções eleitorais.

Foi o caso, por exemplo, de Marcelo Moreira, goleiro revelado na base do Palmeiras e que defendeu o clube por toda a década de 90, sendo reserva de lendas como Marcos e Velloso.

A história começa perto do 1º turno das eleições municipais de São Paulo, em 3 de outubro de 1996.

Marcelo e o meia Fernando Diniz (hoje técnico do São Paulo) foram convocados para serem mesários na votação, e desfalcaram os treinos prévios ao importante clássico contra o Corinthians, pela 13ª rodada do Brasileiro.

Os dois atletas tiveram que deixar a concentração do Palmeiras, que estava treinando em Atibaia (a 66km de São Paulo) para trabalharem no pleito.

Em entrevista à ESPN, Marcelo, que se aposentou em 2012, relembrou o curioso episódio.

"Uma semana antes de ir para Atibaia, eu recebi uma carta pelo correio dizendo que eu havia sido convocado para ser mesário nas eleições. Na hora eu já pensei: 'Será que o clube vai me liberar?'. Liguei para a diretoria e eles disseram: 'Marcelo, não tem jeito... Você vai ter que ir e ser mesário'", recordou.

"Fiquei a semana toda na concentração e, no domingo, cedinho, fui junto com o Fernando Diniz para ser mesário em São Paulo. Fui para a zona eleitoral em Santo Amaro com meu carro, que era um Mitsubishi Eclipse, e lembro que todo mundo ficou olhando (risos)", divertiu-se.

Marcelo conta que os outros mesários fizeram muitas piadas ao descobrirem que ele era goleiro do Verdão.

"Assim que o pessoal que trabalhou comigo soube que eu era atleta do Palmeiras e tinha deixado o treino para ser mesário, eles brincaram muito comigo. Um dia a gente estava trabalhando forte no retiro, depois ficamos o dia inteiro sentados como mesários... E aí voltamos para no dia seguinte treinar de novo!", brincou.

No fim das contas, ainda deu tempo de Marcelo e Diniz serem relacionados às pressas para o clássico contra o Timão.

Naquele 5 de outubro de 1996, Marcelo ficou no banco de Velloso, enquanto Fernando Diniz entrou no 2º tempo, no lugar do lateral-esquerdo Júnior, por opção do técnico Vanderlei Luxemburgo.

A partida terminou empatada por 2 a 2: Viola e Rincón marcaram para os palestrinos, e Célio Silva e Mirandinha anotaram para os alvinegros.

E ACONTECEU DE NOVO!

De forma bizarra, a situação se repetiu de forma idêntica no 2º turno da eleição paulistana.

Na ocasião, o Verdão, que estava em 5º no Campeonato Brasileiro, se preparava em Serra Negra (166km de São Paulo) para um jogo importantíssimo contra o Atlético-MG, 4º colocado, quando teve que lidar novamente com os mesmos desfalques.

"Hoje a gente conta e parece difícil de acreditar, mas eu tive que ser mesário de novo no 2º turno. Foi muito estranho! Eu e o Fernando Diniz tivemos que sair de Serra Negra para trabalhar na eleição novamente", recordou.

E o "azar" não parou por aí...

"Eu ainda tive que ser mesário em mais duas eleições depois dessa! Aí eu transferi meu título de eleitor e acabou de vez", contou.

Mesmo tendo faltado aos treinos, Marcelo e Fernando Diniz foram relacionados para o jogo contra o Atlético-MG.

Diniz entrou no 2º tempo, mas Marcelo não ingressou na partida (Velloso foi o titular). O Verdão ganhou por 2 a 0, gols de Djalminha e Leonardo.

A eleição, por sua vez, terminou com vitória de Celso Pitta, do PPB, sobre Luiza Erundina, do PT.