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Treinos com Neymar no Santos a xodó de Fred no Fluminense e apelido de Thiago SiIva: Matheus Troche conta sua história

Zagueiro com passagens pelas categorias de base do Santos e Fluminense, o paraguaio Matheus Troche tem muitas histórias para contar. O jogador de 24 anos, atualmente no AD Camacha, de Portugal, é filho de pai brasileiro e mãe paraguaia e passou a infância entre os dois países.

Aos 14 anos, ele ganhou uma bolsa após ser aprovado em uma peneira com mais de quatro mil jovens no Paraguai para a Aspire Football Academy, em Doha, no Catar. Por ser menor de idade, o jovem ficou no país por apenas seis meses.

“A Fifa não permitia que um menor de idade morasse em um país estrangeiro sem o acompanhamento dos pais, mesmo sendo cuidado pela academia”, contou ao ESPN.com.br.

No Catar, ele conheceu outros jovens aspirantes a jogador de futebol vindo de várias partes do mundo, incluindo África e América do Sul.

Um dos responsáveis pelo projeto era Josep Colomer, antigo captador e diretor do Barcelona. Ele é considerado um dos responsáveis por ter descoberto Lionel Messi ainda criança na Argentina.

Ao voltar do Catar, Matheus fez teste no Coritiba antes de ser convidado para a base do Santos, aos 15 anos.

“A minha passagem pelo Santos foi muito rica e até hoje sou sempre muito grato ao clube. Era muito novo e aprendi demais. O Santos me formou como atleta e também como homem”, recordou.

Na Vila Belmiro, ele jogou ao lado de Gabigol (Flamengo) e Carlos Vinícius, atacante do Tottenham, que também atuava como zagueiro na base.

“Ele jogava com facilidade em ambas as posições, variava de acordo aos jogos ou de acordo com os treinadores de cada categoria. Acredito que ele já nem fale que também saiba jogar como zagueiro. Só se tivermos uma surpresa qualquer com o Mourinho, mas é improvável hoje em dia (risos)”, afirmou.

“Quem conhece a história do Carlos, sabe que ele é um milagre”, contou.

Jogando pelas equipes de base, Matheus chegou a fazer alguns treinamentos com o time profissional do Santos, que tinha Neymar como principal astro.

“O Neymar sempre foi muito acima da média e era uma joia protegida no Santos. Antes de alguns treinos, o pessoal mais experiente já avisava: ‘Atenção com o magrelo (apelido de Neymar entre os colegas no Santos). Quem bater no homem, rescindirá o contrato, hein!!’ (risos) Se em algum momento houvesse o risco de machucar o Neymar, diminuíamos a intensidade ou simplesmente o deixávamos passar”, disse.

Xodó de Fred

Aos 17, Matheus Troche foi para a base do Fluminense e virou um dos xodós do atacante Fred.

“Foi o primeiro clube onde eu me profissionalizei. Aprendi e aproveitei bastante. A galera costumava me chamar de filho do Thiago Silva, porque diziam que somos muitos parecidos na postura e até mesmo na forma de jogar. Nisso, o Fred pegava bastante comigo e dizia: ‘Vocês dois realmente até que são parecidos jogando, mas onde vocês realmente se parecem é na feiura!’ (risos)”, recordou.

O defensor também foi colega do volante Gerson, atualmente no Flamengo.

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“Gerson sempre fui um bom jogador. Só que era folgado em alguns momentos. Uma ou outra vez discutimos depois do treino, mas tudo normal. Ele tem personalidade forte e eu também, nenhum dos dois gosta de perder”, brincou o jogador.

Em 2016, ele saiu do Fluminense e foi tentar a sorte no futebol europeu.

“Durante a minha época no Santos, eu cheguei a receber três ‘cartas de interesse’ por parte do Sporting de Portugal. Por algumas episódios menos felizes, eu quis antecipar a vinda para a Europa. O Sporting na época abriu as portas para mim, mas para assinar um contrato profissional em uma equipe da primeira divisão na Europa, precisa de haver um acordo entre os clubes formadores [Santos e Fluminense], mas não houve acordo”, recordou.

“Fiquei mais de três meses apenas treinando na academia do Sporting Ideal durante a janela de transferência esperando chegar a liberação dos clubes. O valor dos direitos de formação é alto, não houve acordo. E quando o Santos enviou o documento de liberação eu já não poderia assinar o contrato pois já estava fora da época de janela de transferências em Portugal”, afirmou.

Matheus foi em seguida para o Angelholms, da Suécia. Depois, passou pelo Narva Trans, da Estônia e outras três equipes de Portugal: Torcatense, Vila Meã e Aljustrelense.

Na atual temporada, o defensor assinou com o Camacha.

“Hoje o meu foco total está em ajudar os meus colegas de equipe e ao clube para atingirmos os objetivos para esta temporada. Sou sempre muito sério e dedicado no meu trabalho, um tipo de jogador que dá sempre tudo em campo”, afirmou.