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Juventus: Rômulo revela como técnico Andrea Pirlo impõe respeito: 'Nunca vi xingar um jogador'

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Rômulo, ex-Juventus, chama Pirlo de 'líder silencioso' e diz que o craque era como um professor: 'Ensinava a jogar' (1:28)

'O Pirlo sempre foi um cara sensacional. Ele falava muito pouco, mas, sempre que falava, a gente prestava atenção', contou o volante (1:28)

Nesta quarta-feira, a Juventus recebe o Barcelona no Allianz Stadium, em um jogaço pela 2ª rodada da fase de grupos da Uefa Champions League. Sem Cristiano Ronaldo, desfalque por COVID-19, a "Velha Senhora" precisará das soluções criativas encontradas pelo novato técnico Andrea Pirlo para bater o rival catalão e assumir a liderança de sua chave.

O ex-meio-campista assumiu o cargo de treinador da equipe principal em 8 de agosto deste ano, após a saída de Maurizio Sarri. Até o momento, ele está invicto, com 3 vitórias e 3 derrotas nos 6 jogos em que comandou os bianconeri.

Ainda é cedo para falar em um "estilo Pirlo" como técnico, já que a Juve é sua 1ª experiência como comandante depois da aposentadoria dos gramados. No entanto, quem o conheceu nos tempos de jogador exalta sua capacidade de liderança tranquila, silenciosa e respeitosa.

É o caso do meio-campista Rômulo, que jogou por Cruzeiro e Athletico-PR no Brasil, mas fez a maior parte de sua carreira na Itália, atuando por grandes equipes do país.

O atleta, que tem nacionalidade italiana e chegou até a ser pré-convocado pela Azzurra para a Copa do Mundo 2014 pelo técnico Cesare Prandelli, jogou uma temporada pela Juventus, em 2014/15 (campeão do Italiano e da Copa da Itália), emprestado pelo Hellas Verona, equipe pela qual vinha se destacando de forma notável.

Em entrevista à ESPN, Rômulo lembrou a convivência com Pirlo e exaltou a personalidade do ex-companheiro.

"Meus primeiros treinos com o Pirlo foram na seleção italiana, antes da Copa-2014. É um cara que sempre conversou muito comigo e deu conselhos valiosos. Ele é o que a gente chama de líder silencioso, pois falava pouco como jogador. Ele se comunicava com os pés e com o olhar", contou.

"Claro que agora, como treinador, ele terá que falar muito mais. Como jogador, era quieto, mas sempre foi um cara muito correto e sensacional. Falava pouco, mas, quando falava, todos paravam para ouvir, porque ele estava sempre certo. E recordo que ele é um cara de fala muito 'fria', pois pensa muito antes de dizer alguma coisa", acrescentou.

O meio-campista elogiou muito a postura sempre educada do ex-colega de equipe, principalmente com os novatos.

"No ano e meio que eu fiquei na Juventus, nunca vi ele xingar ou gritar com um jogador mais novo. Sempre procurou aconselhar de forma educada e sábia. Ele na verdade nem parece jogador de futebol, porque é sempre calmo e tranquilo, algo até atípico no nosso meio. É um cara do bem, que merece ser vencedor", afirmou.

Rômulo revela que a decisão da Juventus de colocar Pirlo como treinador da equipe principal, mesmo sem qualquer experiência prévia, não foi tão chocante assim, já que o ex-volante era um "técnico em campo" nos tempos de jogador.

"Aqui na Itália, para falar a verdade ninguém ficou surpreso com o fato dele ter virado treinador da Juve. Todos sabem da capacidade que ele tem, até porque, quando ele jogava, era praticamente um professor. Ele ensinava os outros a jogarem futebol", exaltou.

"Além disso, ele estava estudando há muito tempo para ser treinador. Não foi de uma hora pra outra, ele se especializou e estudou. Sabíamos que, mais cedo ou mais tarde, iria assumir um clube. Claro que não esperávamos que o 1º time dele fosse um gigante logo de casa, mas quis o destino que fosse assim", ressaltou.

O ítalo-brasileiro relata, aliás, que há enorme expectativa que Pirlo tenha o mesmo "efeito" causado por Zinedine Zidane quando ele assumiu o comando do Real Madrid.

"Estão esperando que ele vire o 'novo Zidane', que assumiu o Real e imediatamente fez sucesso e ganhou muitos títulos. O Pirlo vive a mesma situação do Zidane no começo: pegou o time cercado de dúvidas sobre seu sucesso como treinador. O Zidane, porém, converteu isso em um tricampeonato de Champions League", salientou.

"Mas o que eu sinto é que todos na Itália estão torcendo para que ele seja um grande treinador, como ele foi um grande jogador. O Pirlo é um cara muito querido por todas as torcidas daqui, até pelo que ele fez pela seleção italiana", argumentou.

Outra grande lembrança que Rômulo tem de Pirlo é a "estica" do ex-companheiro com suas roupas. Não à toa, o hoje técnico da Juventus é visto frequentemente em grandes eventos do mundo fashion, como a Semana de Moda de Milão, sempre vestido impecavelmente.

"A forma dele se vestir sempre foi muito elegante. A gente reparava que ele tinha todo o cuidado para combinar camisa, calça, sapato e óculos. Digamos que ele era perfeccionista em campo e também na frente do armário (risos)", brincou.

Por fim, Rômulo recordou o último grande momento que viveu ao lado de Pirlo.

"O que acabou mais me marcando na temporada que jogamos juntos na Juventus foi quando perdemos a final da Liga dos Campeões para o Barcelona. Fizemos uma linda campanha, mas acabou ficando essa memória amarga no final", lamentou.

"Ele chorou demais depois do jogo, porque era a despedida dele da Juve e ele não conseguiu o título que tanto sonhava. Ele já tinha vencido tudo no futebol: Champions, Mundial de Clubes, Campeonato Italiano, Copa do Mundo... Mas não conseguiu a 'orelhuda' com a Juventus. E era uma temporada em que a gente tinha vencido tudo, então nossa confiança de ganhar aquele título era grande", finalizou.