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'Será uma polêmica eterna': única final de FA Cup entre Chelsea e Liverpool teve brasileiro herói e lance que até hoje não tem resposta

Chelsea e Liverpool se enfrentam neste sábado (14), às 12h45 (de Brasília), pela grande final da FA Cup, com transmissão pela ESPN no Star+


Neste sábado (14), Chelsea e Liverpool brigam diretamente por mais um troféu na temporada. Às 12h45 (de Brasília), os rivais disputam a grande final da FA Cup, no lendário Estádio de Wembley, com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.

Em uma competição com mais de 150 anos de história, essa será apenas a vez que Blues e Reds se enfrentam na decisão do torneio mata-mata, que é a mais antiga competição de futebol do mundo (foi disputada pela 1ª vez na temporada 1871/72).

Antes do clássico deste sábado, a única vez que Chelsea e Liverpool se encontraram em uma final de Copa da Inglaterra foi na temporada 2011/12, em um jogo que ficou marcado pelo ótimo futebol e também por uma enorme polêmica que levanta discussões até hoje.

Na ocasião, a equipe de Londres abriu o placar logo aos 11 do 1º tempo, em uma jogadaça do brasileiro Ramires: ele recebeu enfiada de bola, deixou o lateral José Enrique para trás com espantosa velocidade e, cara-a-cara com o goleiro Pepe Reina, bateu forte no canto para estufar as redes.

Na volta do intervalo, o sempre decisivo Drogba aumentou para os Blues. Lampard achou passe na área, e o marfinense, mesmo marcado de perto pelo zagueiro Skrtel, conseguiu fuzilar de esquerda, cruzado, sem qualquer chance de defesa para o arqueiro dos Reds.

Mas ainda havia tempo para muitas emoções em Wembley. Na metade do 2º tempo, o centroavante Carroll recebeu na área, humilhou John Terry com um corte e soltou um torpedo de perna esquerda para recolocar o Liverpool no jogo.

E o lance que gera polêmica até hoje aconteceu aos 36: Luis Suárez invadiu a área em velocidade e cruzou no capricho. Carroll acertou uma forte cabeçada e já saiu comemorando, mas o goleiro do Chelsea, Petr Cech, se esticou todo e conseguiu produzir um verdadeiro milagre, evitando que ela cruzasse a linha na totalidade. Veja na imagem abaixo:

Na época, não havia a tecnologia de linha do gol, que só foi adotada na temporada 2013/14 da Premier League, e nem VAR. Com isso, a decisão ficou para a arbitragem de campo, com o juiz Phil Dowd (e seus auxiliares) considerando que a bola não entrou totalmente. Os replays existentes do lance não dão qualquer certeza sobre nada.

Com isso, a partida acabou mesmo em 2 a 1 para o time da capital da Inglaterra, que conquistou seu 1º título na temporada 2011/12. Dias depois, a equipe comandada pelo italiano Roberto Di Matteo ainda venceria o favorito Bayern de Munique e faturaria a Champions League em plena Allianz Arena, corando seu grande ano.

Ramires crava: 'A bola não entrou'

Em entrevista ao ESPN.com.br, Ramires, que teve o Palmeiras como último clube, em 2020, lembrou que o título da FA Cup de 2011/12 foi ainda mais especial para o Chelsea porque o clube vinha disputando frequentemente grandes duelos de mata-mata contra o Liverpool, tanto em torneios nacionais quanto internacionais.

O brasileiro também revelou que mandou uma mensagem de apoio para o elenco atual, desejando sorte antes da nova decisão contra o Reds.

"Esse título da Copa da Inglaterra foi muito especial pra mim e para todos nós que fizemos parte daquela conquista. Eu tive inúmeras alegrias com a camisa do Chelsea e essa foi uma das mais marcantes, ainda mais pelo fato de eu ter feito um gol na decisão. Se eu não engano, eu fui o primeiro brasileiro na história a marcar em uma final de FA Cup, e isso torna essa lembrança ainda mais importante", destacou.

"Os jogos com o Liverpool tinham sempre uma atmosfera de decisão, pois a rivalidade estava bem acirrada. A gente vinha daquela classificação histórica contra o Barcelona (na Champions League), embalados pelo momento e, felizmente, aquele título acabou ficando com a gente. Mandei uma mensagem de apoio para o time e espero que a história venha a se repetir 10 anos depois", torceu.

O ex-jogador de Cruzeiro e seleção brasileira lembra com detalhes do lance de seu gol, que misturou todas as suas caracterísicas: velocidade, classe na condução de bola e calma na hora de finalizar.

"Lembro que foi uma jogada um pouco parecida com a do gol contra o Barcelona (pela Champions), porque, quando o Mata recebe, eu já disparo para receber. Meus companheiros sabiam que eu geralmente fazia essa movimentação para chegar como surpresa, usávamos muito isso e acabou dando certo mais uma vez", rememorou.

"Eu acabo ganhando do defensor deles na corrida e chuto no canto do Reina. Ele ainda toca na bola, mas ela acaba entrando. Marcar no estádio lotado, numa decisão, num clássico é algo que não dá para explicar muito falando. É uma sensação que realmente você precisa viver para entender. Graças a Deus eu tive essa felicidade", festejou, revelando ainda uma curiosidade.

"O inusitado dessa decisão foi que eu não comemorei o título. Eu tive que ir para o doping, e o pessoal foi para o vestiário fazer a festa. Quando eu saí, já não tinha mais ninguém lá. Tive que fazer a minha própria comemoração depois (risos)...", brincou.

Sobre o polêmico lance de Andy Carroll, o meio-campista crava: a bola não entrou

"Até hoje falam disso, mas a bola não entrou mesmo (risos). Essa vai ser uma polêmica eterna, mas o importante foi que o título ficou com a gente. Se tivesse o VAR, com certeza ele ia mostrar que a bola não passou inteira", assegurou.

Ramires argumentou que a conquista da Copa da Inglaterra preparou de vez o Chelsea para enfrentar o Bayern dias depois, na final da Liga dos Campeões.

"Aquela reta final de temporada foi muito boa para nós. A gente encaixou um jeito de jogar bem competitivo, e essa conquista veio para aumentar ainda mais a nossa moral e confiança para a grande decisão contra o Bayern. Acabou sendo um fator realmente importante para aquela sequência e posteriormente o título da Champions League", afirmou.

"Aquela reta final de temporada foi o momento de ápice do nosso time. Tudo estava dando certo, a gente estava muito entrosado, focado, e naquele momento era realmente difícil nos derrotar", finalizou.