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'A torcida nos aplaudia de pé': ex-São Paulo e Vasco lembra como era jogar no PSG do 'pagode e churrasco' com Ronaldinho e Aloísio

PSG enfrenta o Montpellier, neste sábado (14), às 16h (de Brasília), com transmissão pela ESPN no Star+


Neste sábado (14), o PSG visita o Montpellier, às 16h (de Brasília), pelo Campeonato Francês. A partida terá transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.

Contando atualmente com nomes como Neymar e Marquinhos entre seus principais jogadores, o Paris tem longa tradição de atletas brasileiros em seu elenco.

Um dos nomes que vestiu a camisa da equipe francesa no passado recente foi o atacante Alex Dias, que jogou pelo time na temporada 2001/02, após brilhar nos anos anteriores com grandes atuações na Ligue 1.

"Eu tinha me destacado pelo Saint-Étienne, fiz duas temporadas muito boas lá. Aí o PSG comprou o Aloísio 'Chulapa' do Saint-Étienne e queriam me comprar também, mas eu precisei esperar eles liberarem o Vampeta para o Flamengo. Só quando isso aconteceu eu fui contratado", recordou Alex, em entrevista ao ESPN.com.br.

Ao chegar ao Paris, o sul-mato-grossense, que teve boas passagens por times como São Paulo e Vasco, encontrou um vestiário recheado de craques, incluindo outro brasileiro recém-chegado e que viria a se tornar um dos maiores da história.

"Eu cheguei ao PSG bem na primeira temporada do Ronaldinho Gaúcho. Foi uma alegria imensa tê-lo no time com a gente. Jogamos várias partidas juntas e construímos um entrosamento bem legal", exaltou.

"No nosso time ainda tinha caras como Jay-Jay Okocha, Anelka, Heinze, Arteta e várias outras feras. O treinador era o Luis Fernández, ex-seleção da França. O elenco era tão recheado que tinha vezes que você era titular em um jogo e, na partida seguinte, nem era relacionado, de tão impressionante que era nosso ataque", relatou.

Em um tempo em que o PSG ainda não era um dos clubes mais ricos e poderosos da Europa, Alex Dias viveu grandes momentos com a camisa da equipe francesa. Era um período também de menores expectativas dos fãs, ao contrário dos dias de hoje, quando a torcida vaia a equipe por só ter conquistado a Ligue 1 na temporada.

"O PSG mudou muito da minha época para hoje. Atualmente, é um clube com outras cifras, e os torcedores cobram mais, porque o time é recheado de craques internacionais e jogadores de seleções", observou.

"Eu fiz gols no Parque dos Príncipes, que estava sempre lotado, e foi muito emocionante. Na temporada, fomos campeões da Copa Intertoto contra o Brescia do Roberto Baggio na final. Foi com gol do meu amigo Aloísio, que virou ídolo do clube. Isso foi marcante demais", festejou.

"Depois, jogamos ainda a Copa da Uefa [atual Europa League], mas infelizmente fomos eliminados nos pênaltis pelo Rangers. Foi uma passagem bem legal para mim, mesmo eu tendo ficado só um ano no PSG", seguiu.

"E o mais legal foi poder jogar com o Aloísio, meu grande amigo. Ao todo, somando Goiás, Saint-Étienne, PSG e São Paulo, atuamos juntos por sete anos!", afirmou.

Outro integrante do elenco do Paris neste período era o argentino Mauricio Pochettino, que hoje é técnico do clube.

"O Pochettino era nosso zagueiro titular ao lado do Heinze. Era um dos líderes do elenco e também um dos capitães. Ele sempre ficava com a gente na mesa durante as concentrações. Sempre foi esse cara com perfil para ser treinador. Era ótimo jogador, tanto é que foi para a Copa do Mundo (de 2002), com a Argentina", rememorou.

O espanhol Mikel Arteta foi outro daquele plantel que seguiu carreira de técnico depois da aposetadoria, comandando o Arsenal atualmente.

"O Arteta era diferenciado. Apesar de garoto, todos aposetavam nele. Era uma pessoa simples, humilde, que não aparecia muito. Marcava muito bem no meio-campo e tinha ótima técnica para sair jogando", rememorou.

Ronaldinho superstar

Quando Alex Dias chegou ao PSG, Ronaldinho Gaúcho ainda era apenas uma jovem aposta contratada pelo Grêmio, apesar de já ter brilhado pela seleção brasileira.

Logo em sua 1ª temporada em Paris, porém, o craque já arrebentou, anotando 13 gols em 40 jogos, e começou a se transformar em superstar.

"A chegada dele teve um impacto muito grande, porque, apesar dele ser bem jovem, já era um cara de destaque na seleção. O tratamento dado a ele era especial, porque sabiam que um cara promissor daqueles tinha tudo para brilhar. Logo ele foi dando os primeiros passos e começou a jogar muita bola", lembrou.

"O Ronaldinho já demonstrava o talento enorme que conquistaria o mundo futuramente. Com a bola no pé, era uma coisa fora de série a habilidade que ele tinha. Fora de campo, um ser humano incrível, que tratava todo mundo bem, nunca foi um cara 'estrela'", elogiou Alex.

"Aliás, ele é assim até hoje. Sempre que nos cruzamos em jogos beneficentes e no futevôlei é muito legal. Cara humilde, talentoso, gênio. Virou campeão do mundo com a seleção e mostrou todo o seu valor depois no Barcelona", apontou.

Ao lado de outros grandes jogadores, R10 costumava levantar os torcedores do PSG no Parque dos Príncipes.

"O jogo mais absurdo do PSG nessa temporada que jogamos juntos foi uma partida no Parque dos Príncipes que todo o estádio ficou de pé para aplaudir uma jogada dele com o Okocha. Eles fizeram uma tabela dando de letra e de calcanhar, a jogada foi linda e quase saiu o gol. Éramos eu, Aloísio e Anelka no ataque, com Okocha e Ronaldinho no meio. Ia ser um gol antológico, para ficar na história. Apesar de não ter entrado, todos aplaudiram muito, foi sensacional", contou, saudoso.

Fora de campo, Ronaldinho também dava seus shows.

"Ele adorava organizar um pagode na casa dele, e junto a gente fazia um churrasco (risos). Estávamos sempre juntos. O Ronaldinho era sempre aquele cara de sorriso largo, que queria brilhar na Europa, mas jamais perdia a essência", salientou.

O técnico Luis Fernández, que teve problems com alguns medalhões gostava muito do brasileiro à época, apesar dos problemas que eles tiveram depois na temporada 2002-03.

"No tempo que fiquei lá, nunca vi ter problema entre Ronaldinho e Fernández. O treinador sempre cobrava muito em cima dele, mas o Ronaldinho entregava. Mas muitas estrelas tiveram problema com o Fernández, como o Anelka", finalizou Alex Dias, citando o polêmico ex-centroavante francês que nunca se deu bem com ninguém na carreira.