O futuro de Pia Sundhage como técnica da seleção brasileira feminina não será decidido de "cabeça quente" depois da eliminação na fase de grupos da Copa do Mundo feminina, nesta quarta-feira (2), com empate em 0 a 0 com a Jamaica. Já há, porém, nos bastidores, uma avaliação preliminar do trabalho da sueca, que coloca seu futuro em risco, apesar do contrato até o final dos Jogos Olímpicos de Paris 2024.
O presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ednaldo Rodrigues, é um dos defensores da cautela, de aguardar as próximas semanas para qualquer tomada de decisão. O desempenho decepcionante na Austrália e Nova Zelândia, no entanto, fez com que Pia perdesse apoio de nomes ligados ao comando da entidade.
Nesse balanço do trabalho, existe o reconhecimento de pontos positivos. Entre eles, estão o trabalho de preparação que antecedeu o Mundial e também a dedicação que a comissão técnica, que assumiu o Brasil em julho de 2019, sempre demonstrou.
A avaliação é que a eliminação precoce não passa por falta de empenho, estudo para a competição ou mesmo de análise das adversárias. Todos esses pontos são considerados satisfatórios no trabalho da estrangeira.
Já no lado negativo, o entendimento é que a técnica não foi capaz de fazer a seleção brasileira jogar – e também não houve evolução durante a competição, na qual o time estreou com goleada por 4 a 0 sobre o Panamá, mas depois jogou mal e perdeu para a França, por 2 a 1, antes do empate com as jamaicanas.
Para pessoas ligadas ao comando da CBF, também faltou variações táticas para o time, apesar das trocas de escalação que Pia promoveu para cada um dos três compromissos, principalmente, no ataque.
Mesmo as substituições de Pia foram mal avaliadas, algo que ela, inclusive, chegou a ser questionada em entrevista coletiva depois do 0 a 0 com a Jamaica.
"Essa pergunta sempre nos fazemos quando não funciona. Tem a ver com timing sempre. Algumas das situações ali na segunda metade poderiam ter sido melhores. Depois vem a discussão de quem vai entrar, tem pernas mais novas para o jogo. Quando temos o resultado, sabemos que talvez tenha sido um pouco tarde", disse ela, ao ser perguntada sobre a demora para alterações.
Pessoas ouvidas pela reportagem relataram "perda da confiança" no trabalho de Pia, o que reforça a "pressão" por uma troca nos bastidores.
Ednaldo, contudo, mantém a postura de avaliar com mais calma todo o contexto – incluindo possíveis substitutos – e tomar a decisão de "cabeça fria".
É certo que, pós-Mundial, a CBF promoverá mudanças na seleção brasileira, ainda que essa definição não signifique necessariamente a troca no comando técnico.
As alterações podem vir na estrutura de trabalho da seleção feminina, em cenário com a manutenção de Pia.
Oitavas da Copa do Mundo feminina
Suíça x Espanha - 05/08 - Eden Park (Auckland)
Japão x Noruega - 05/08 - Wellington Regional Stadium (Wellington)
Holanda x África do Sul - 06/08 - Sydney Football Stadium (Sydney)
Suécia x Estados Unidos - 06/08 - AAMI Park (Melbourne)
Austrália x Dinamarca - 07/08 - Stadium Australia (Sydney)
Inglaterra x Nigéria - 07/08 - Lang Park (Brisbane)
França x 2º grupo H - 08/08 - Hindmarsh Stadium (Adelaide)
1º grupo H x Jamaica - 08/08 - AAMI Park (Melbourne)
