Lloris é o capitão da França que tentará erguer troféu da Copa do Mundo pela segunda vez na final contra a Argentina no Qatar
Quando o árbitro apitar o final da partida entre Argentina e França, Hugo Lloris espera fazer o que nenhum outro jogador conseguiu na história do futebol: ser o primeiro capitão de uma seleção a levantar por duas vezes o troféu de campeão da Copa do Mundo.
Coube a ele a tarefa há quatro anos, na Rússia, e será assim também no Qatar em caso de título. A braçadeira no braço esquerdo simboliza sua liderança sobre os companheiros no vestiário, algo que nem sempre parece claro para quem vê, de fora, um jogador calmo e que parece de poucas palavras.
"Acho que tento ser alguém que segue calmo em geral, mas como qualquer um, as emoções podem tomar conta, foco bastante nisso no vestiário. Às vezes, é parte do futebol. São coisas que você não controla. Mantenho a calma a maioria das vezes, é o que posso dizer", explicou Lloris, em entrevista coletiva na véspera da decisão deste domingo (18), às 12h (de Brasília).
Quem teve a oportunidade de ter o goleiro como companheiro, como o brasileiro Ederson, concorda com essa visão. Eles jogaram juntos no Nice e no Lyon, na França.
"Ele falava pouco, mas a gente sempre se entendeu bem porque também sou uma pessoa tranquila quando não estou jogando. Prefiro descansar e ficar em paz. E a gente se dava bem por causa disso. Íamos dormir na hora certa e nos preparávamos da maneira correta", contou, ao ESPN.com.br.
"Nos momentos em que é necessário, ele é o primeiro a falar. Ele sempre foi um líder neste sentido. Dava bons exemplos e era muito firme. Tem uma personalidade bastante forte para dar opinião. Por isso ele é o capitão da seleção francesa. Ele tem uma liderança natural", complementou.
No grupo francês, a liderança de Lloris é dividida com nomes como Raphael Varane, que é o vice-capitão de Didier Deschamps. Os dois têm a experiência de já terem sido campeões na Rússia e tentam auxiliar, principalmente, os mais jovens do grupo, que farão sua primeira final no Qatar.
“Existe um núcleo duro de jogadores mais experientes e nos completamos na abordagem dos jogos no vestiário, nas palavras. Temos jogadores jovens que respondem muito bem, funciona muito bem. Sem dúvidas é porque há muito respeito de uns pelos outros”, disse o zagueiro.
“O que acontece no vestiário nem sempre é planejado, é espontâneo. De repente, (vou dizer) o que sentir para dizer no momento", explicou Lloris. “Na final há quatro anos, o contexto era diferente, o rival era diferente, o torneio era diferente. Você tem que viver o momento. Claro, a experiência para quem jogou aquele jogo pode ajudar, mas amanhã será diferente. Queremos fazer história do nosso jeito. Já fizemos algo grande, mas queremos mais. O último jogo é o mais difícil, mas você tem que estar pronto em diferentes aspectos", complementou ele, sobre ter sido campeão em 2018.
Fã de Ronaldos e até Guga
A amizade com Ederson não é o único laço afetivo que Lloris tem com Brasil. "Ele dizia que admirava muito os jogadores brasileiros como Ronaldo e Ronaldinho por serem caras habilidosos", revelou o ex-companheiro, que surpreendeu ao contar que o goleiro não vai bem apenas com os mãos.
"Talvez poucas pessoas saibam disso, mas ele joga muito bem com os pés, é um canhoto com habilidade. Nos treinos mais descontraídos, ele jogava na linha e era impressionante."
Lloris fez sua estreia como profissional no Campeonato Francês em março de 2006, pelo Nice, clube que Ederson já defendia. "Ele se destacou muito rápido, vi que logo ia fazer sucesso e virar titular mesmo. Entrou na equipe e, quando se firmou, virou indiscutível. Teve uma evolução muito rápida."
Apenas dois anos depois, Lloris foi convocado para defender a seleção francesa. Uma outra consequência natural de suas boas atuações pelo Nice foi o interesse que despertou de grandes clubes europeus. O Tottenham, seu atual time, já queria levá-lo naquela época, assim como o Milan, que buscava uma alternativa para Dida. Quem levou a melhor, porém, foi o Lyon... De Ederson.
"Eu tinha sido contratado em janeiro de 2008 pelo Lyon, mas fizeram um acordo para que eu fosse para lá só ao final da temporada. Quando cheguei lá, o Lloris estava sendo bastante disputado no mercado. Aí eu falei para ele ir para o Lyon também. Assim ele teria a oportunidade de continuar na França, e nós poderíamos evoluir juntos. Foram mais quatro anos como companheiros e até parceiros de quarto."
As conversas entre os dois passavam bastante pelas suas respectivas famílias. Ederson se refere aos parentes de Lloris como "ótimas pessoas" e lembra até hoje do pai do francês, que foi um tenista profissional e acompanhava os jogos no estádio. Aliás, o tênis foi o primeiro esporte do garoto Hugo, que idolatrava o brasileiro Gustavo Kuerten, o Guga. A parceria entre os dois chegou ao final da temporada 2011/12, quando Ederson assinou com a Lazio. Um ano depois, Lloris juntou-se ao Tottenham, onde está até hoje e se consolidou como um dos grandes goleiros do futebol mundial.
Para fazer história na Copa do Mundo, falta só mais um jogo...
