O que Marrocos faz na Copa do Mundo do Qatar precisa ser lembrado para sempre
O futebol surpreende. E por isso é apaixonante.
Capaz de mover nações, também escreve histórias. E, muitas vezes, com protagonistas desconhecidos.
O conto mais bonito da Copa do Mundo do Qatar não vem da América do Sul. Muito menos da Europa.
Nada de Argentina, Brasil, França ou Inglaterra.
No Qatar, a seleção que arrepia dentro e fora de campo veste vermelho e verde.
O que Marrocos faz na Copa do Mundo precisa ser lembrado para sempre. E, independentemente do resultado, este "conto de fadas" tem, sim, final feliz.
O pacote marroquino inclui tudo o que o futebol precisa: bola, torcida, raça e amor à camisa.
Apoiados por fieis e apaixonados torcedores, os jogadores da grande surpresa da Copa nunca entraram no gramado sozinhos no Qatar.
Estiveram, sempre, muito bem acompanhados de uma força invisível, porém calorosa, vinda das arquibancadas.
Os marroquinos são loucos pelo futebol. E provaram isto nesta Copa do Mundo.
A cada hino, uma explosão de arrepios. O orgulho marroquino rompendo fronteiras.
A cada resultado surpreendente, uma alegria imensa. Agora o mundo conhece cada um deles.
O futebol africano muito bem representado por uma seleção que arrebentou barreiras e mostrou ao planeta que tudo é possível no futebol.
O primeiro semifinalista do continente na história do Mundial. Eliminado na semi, mas com sensação de dever cumprido.
O prêmio pode ser até maior, claro, com uma conquista de terceiro lugar no Qatar. Mas a verdadeira vitória veio muito antes. As linhas deste "conto de fadas" marroquino foram escritas a cada atitude, a cada momento compartilhado.
Como esquecer Achraf Hakimi recebendo um beijo da mãe?
Como esquecer Sofiane Boufal, puramente incrédulo, pulando de alegria com sua progenitora?
E Yassine Bounou, o melhor goleiro do Mundial, brincando com o filho no gramado?
Imagens para a história. Imagens que talvez só não sejam lembradas para sempre na Bélgica, Portugal ou Espanha, gigantes que caíram diante da humildade marroquina.
Inesquecível, também, o que fez Walid Regragui. Por Marrocos e pelo esporte.
Aos 47 anos, o técnico marroquino de origem francesa se tornou um dos grandes símbolos do time. E não só pelo campo. Também pela oratória, pelo jeito de falar.
As "aulas" de Walid Regragui vão além do que é feito dentro das quatro linhas. Ele provou, a cada jogo, que o futebol é mais do que chuteira e bola.
"Sem desejo e paixão, não teríamos chance. Estamos mostrando ao mundo que podemos chegar mesmo sem tanto talento, qualidade e dinheiro. Se trabalharem e mostrarem desejo, paixão e crença, podem, sim, ter sucesso", disse após a classificação à semifinal.
"Quando jogamos um torneio assim, temos os pequenos e os grandes. Quando somos os pequenos, temos que fazer acreditar. Eu falei que não entramos nessa Copa para jogarmos três jogos. O pessoal às vezes vem apenas para curtir. Quem pensa assim, não pode seguir comigo. Eu passei essa mensagem à minha equipe, para o meu país e para todo o continente. O futebol é o melhor esporte do mundo. Se você acreditar, se você sonhar... eu acho que é uma grande mensagem para o mundo hoje. Hoje, o mundo inteiro está com Marrocos", afirmou Regragui.
Valente contra a França do começo ao fim na semifinal, a seleção marroquina infelizmente não alcançará o lugar mais alto no Qatar. Mas o resultado pouco importa para quem realmente ama o futebol.
De Bounou a En-Nesyri, de Saiss a Amrabat, de Ziyech a Ounahi... no livro de história da Copa do Mundo, estará lá: o incrível Marrocos de 2022, a equipe que ignorou estatística para chegar aonde nenhum outro de seu continente havia chegado.
Com trabalho e humildade, a recompensa vem.
Terceiro lugar em jogo
A seleção marroquina ainda pode escrever mais um capítulo no Qatar. No sábado (17/12), a grande surpresa da Copa do Mundo enfrenta a Croácia, às 12h00 (de Brasília), no Internacional Khalifa. Se vencer, ficará com o honroso terceiro lugar.
