Mbappé não foi o craque do jogo, mas conseguiu influenciar nos gols que colocaram França na semifinal da Copa do Mundo e eliminaram Inglaterra no Qatar
Não era segredo para ninguém que Kylian Mbappé era o nome da França com quem a Inglaterra mais deveria se preocupar nas quartas de final da Copa do Mundo. Gareth Southgate sabia, seus 11 titulares sabiam, os reservas, os torcedores... Mas como pará-lo era a questão. E os ingleses bem que tentaram, mas simplesmente falharam, e os atuais campeões seguirão buscando o bi no Qatar.
Nos dias que antecederam o duelo no Estádio Al Bayt, em Al Khor, neste sábado (10), alguns veículos usaram o termo "plano anti-Mbappé" para descrever como Southgate tentaria para o camisa 10 francês. Não se tratava de nenhuma tática mirabolante, mas uma ideia que consistia em ter o lateral Kyle Walker como principal marcador do rival e sempre com o apoio de companheiros.
Para o técnico da Inglaterra, o jogador do Manchester City é capaz de "lidar com qualquer um". A promessa, porém, é que o time daria apoio a Walker com cobertura em zona. De fato, foram raras as vezes em que Mbappé dominou sem estar cercado por mais de um adversário... Mas e daí?
Aos 16 minutos de partida, por exemplo, o craque do PSG chegou a ficar cercado por três marcadores na lateral esquerda do ataque da França. Conseguiu sair da pressão, tabelou com Dayot Upamecano, cruzou a frente da área inglesa e escapou do bote de Declan Rice. Bola para Ousmane Dembelé, depois para Antoine Griezmann e, enfim, para Aurélien Tchuoameni.
Foi assim que nasceu o primeiro gol da França, em um petardo do volante do Real Madrid a 108 quilômetros por hora para vencer Jordan Pickford. Mbappé havia saído da lateral esquerda, onde foi cercado por três, e estava dentro da área, puxando marcadores e abrindo espaço na entrada dela.
No nascimento da jogada, o "plano anti-Mbappé" inglês também falhou porque Walker estava distante. Ele subiu ao ataque, e foi Jordan Henderson quem o cobriu, fazendo as vezes de lateral para que o 10 francês não recebesse sozinho. Houve apoio, como queria Southgate, com o próprio Walker e Rice, mas o craque sempre é capaz de desequilibrar, mesmo com pouco espaço.
No momento da finalização de Tchouaméni, aliás, Mbappé havia dado exatos oito toques na bola apenas na partida, segundo estatísticas do Trumedia, banco de dados exclusivo da ESPN. Mas foi o suficiente.
Na primeira vez que teve contato com a bola, com pouco menos de dois minutos, Mbappé já teve seu primeiro duelo com Walker. Balançou para cima do lateral e levou a melhor. Foi também bastante vaiado pelos torcedores ingleses, que eram leve maioria no estádio.
Até o gol, além desse lance inicial, Mbappé havia tentado apenas dois cruzamentos. Um até plástico, de três dedos, mas ambos não encontraram ninguém dentro da área.
Já após o tento, Mbappé protagonizou outros duelos individuais contra Walker, que conseguiu conter as investidas. A primeira finalização do craque francês veio só aos 38 minutos, para fora – o chute surgiu de jogada ensaiada após falta sofrida justamente por ele, cometida por Henderson.
Walker, inclusive, desde o 1 a 0 da França, foi bem mais tímido para subir ao ataque. Já quando Mbappé caia pelo meio, o lateral acompanhava, e Bukayo Saka o cobria na direita.
No segundo tempo, a Inglaterra conseguiu chegar ao empate com Harry Kane, em cobrança de pênalti, aos nove minutos. Logo em seguida, Mbappé quase criou a jogada do segundo gol da França, disparando em velocidade e deixando Walker para trás na corrida. Quando cruzou rasteiro, porém, nem Olivier Giroud, nem Dembelé em seguida conseguiram aproveitar.
Já aos 31, ele esteve cercado mais uma vez por dois ingleses, Saka e Walker. Achou espaço e gerou o cruzamento que Dembelé escorou e Giroud quase marcou, sozinho. Pickford mandou para escanteio e, dele, veio o gol decisivo da França, com o mesmo camisa 9, agora finalizando de cabeça. Para aumentar a emoção, Kane ainda teve nova chance de empatar, de pênalti, mas bateu para fora.
Foi o técnico brasileiro Tite quem falou que o verdadeiro craque não desequilibra toda vez que pega na bola. Mas tem a capacidade de decidir com uma ou duas oportunidades. Ele se referiu a Neymar, mas a lógica se aplicou perfeitamente ao também jogador do PSG que veste a 10 da França.
