Guillermo Coppola trabalhou de 1985 e 2003 e foi salvador, vilão e amigo do eterno camisa 10 da Argentina, mas hoje torce por um título de Messi
Como um ator que chega ao set de filmagem, Guillermo Coppola aparece no bar impecavelmente vestido, cabelos brancos e enormes óculos escuros. Cumprimenta e fica no ar o perfume que está usando. Infelizmente, a fragrância não pode ser refletida na foto.
Este homem foi o representante de Diego Armando Maradona entre 1985 e 2003. Hoje, segue ligado ao futebol, com a organização da Copa Argentina - torneio que celebrou 10 anos em 2022 e dá uma vaga à Copa Libertadores. Continua, também, nas conversas "da vida" e gosta de chamar seus papos de “motivacionais”.
Aos 74 anos, viajou para assistir a vários jogos da Copa do Mundo no Qatar, a primeiro após a morte do camisa 10. Maradona morreu há dois anos, em 25 de novembro de 2020, mas, para Coppola não é bem assim: sempre que vê uma bola de futebol, sente que "Diego está lá".
"Diego é a bola de futebol, por que ele sempre estará lá. Nunca o esqueceremos, com suas virtudes e seus defeitos", disse, à Agência EFE. Ele lembrou que Maradona adorava assistir aos jogos o tempo todo, mesmo durante os anos em que se estabeleceram em Cuba para que o craque pudesse tratar de seu vício em drogas.
"Em Cuba eu vi jogos de futebol de países que eu nem sabia que existiam. Não o futebol, mas os países! Ele me fez ver tudo, pa, pa, pa [e faz o gesto de mudar] nos canais. Eu gostei", afirmou. "Sinto que Diego vai estar lá, ele sobrevoa. É uma ideia que tenho comigo e que vivo assim: sinto que Diego vai estar sempre lá".
Luzes e sombras
Diante daqueles que o chamam de vilão e o consideram culpado de muitas sombras que obscureceram a figura de Maradona, Coppola afirmou que o 10 o batizou como "a bola de sua vida" ("la pelota de su vida" e que "toda a família" lhe deu a permissão para que fizesse o transporte de seu caixão após sua morte.
"Acho que isso reflete, sintetiza e resume as dúvidas que poderiam existir", afirmou o representante, que disse que durante os 18 anos em que foi "sócio" de Maradona, a única coisa que fez foi "estar" com ele, como quando em 2000 sofreu uma overdose e quase morreu em Punta del Este (Uruguai).
"O homem que salvou a minha vida, me falou Diego, o que não é o caso, porque os médicos que o atenderam salvaram sua vida", explicou, sobre esse episódio.
De sua convivência com ele, além das festas e das importantes conexões estabelecidas em todo o mundo, Coppola relembra "um daqueles eventos que não se esquece, que fica marcado": quando Maradona foi visitá-lo na prisão, em 31 de dezembro de 1996.
O empresário ficou detido por três meses pela descoberta de drogas em sua casa. No final do ano, poucos meses antes de sua aposentadoria como jogador, Maradona fez o que ninguém imaginava: foi ao presídio para passar o final de ano com ele e até tentou agredir o diretor do local. "'Ele queria me pagar', disse o diretor para mim. Entendi ‘pagar’, mas era ‘pegar’. [Maradona queria agredir o diretor] Para ficar sob custódia e ficar com você'", contou Coppola, emocionado sobre aquela noite, que terminou com Diego sentado do lado de fora da prisão.
Coppola também lembrou de um "momento de raiva", quando Maradona disse que ele era “o homem que roubou o dinheiro das filhas". Fizeram as pazes depois.
Agora sou ‘Messista’
A Copa do Qatar é a última de Messi pela seleção argentina, e Coppola confessou que é fã do craque. “Messi é o número 1. Agora sou ‘Messista’, hoje sou ‘Messista’ porque Diego não está jogando. Se não, não duvide que sou ‘Maradoniano’ até morrer, mas hoje sou ‘messista’", disse o agente, que em 16 anos trabalhou com cerca de 180 jogadores do futebol local até encontrar “o maior de todos”.
Coppola, que também disse gostar do futebol de Erling Haaland, Cristiano Ronaldo e Ronaldo Fenômeno, expressou seu desejo de que a Argentina "conquiste a Copa" para o país, mas, sobretudo, por que Messi "merece ser campeão".
Para isso, depois do vexame na estreia com a derrota para a Arábia Saudita, a Argentina precisa vencer o México neste sábado, às 16h (horário de Brasília), para seguir com chances de se classificar para o mata-mata no Qatar.
