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Agora recordista, 'o melhor goleiro das Copas' Ochoa defende pênalti e entra ainda mais para a história do torneio

Capitão do México defendeu cobrança de pênalti batida por Lewandowski e garantiu empate na estreia da Copa do Mundo


"A cada 4 anos, ele se torna uma mistura de Neuer, Casillas e Buffon". Se você entrou nas redes sociais nos últimos meses, certamente viu comentários desse tipo sobre o goleiro Guillermo Ochoa.

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A frase é fantasiosa, mas não deixa de ter um fundo de verdade. E, nesta terça-feira (22), teve mais uma comprovação. Na estreia do México na Copa do Mundo, o camisa 13 defendeu a cobrança de pênalti de Lewandowski e garantiu o empate em 0 a 0 contra a Polônia.

Um início marcante em uma edição histórica do torneio para Ochoa. Titular em 2014 e 2018, o camisa 13 foi convocado para sua quinta Copa e se juntou a um seleto grupo de jogadores recordistas em Mundiais disputados, que inclui desde o ex-goleiro mexicano Antonio Carbajal, o italiano Gianluigi Buffon e os craques Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.

Marcado por suas grandes defesas e partidas em que parou gigantes como Brasil e Alemanha, o goleiro ainda fez sua primeira defesa de pênalti em Copas. Ao todo, o camisa 13 tinha sido vazado em cobranças feitas por Huntelaar, contra a Holanda em 2014, e Granqvist, contra a Suécia em 2018.

"A vida é assim, fazia tempo que não pegava pênalti, fiz logo hoje. É algo maravilhoso, eu fico feliz. Queria dedicar a um grande amigo meu, o pai dele infelizmente faleceu. Queria estar com ele", disse, após a partida.

Mas não só são nos pênaltis: os dados realmente comprovam a importância de Ochoa para o México. Desde que atuou pela primeira vez em uma Copa, ele acumula 37 defesas em 9 jogos, sendo 11 defesas difíceis. Além disso, é o goleiro que mais evitou gols, reforçando o quanto ele é imprescindível para a seleção mexicana. (A métrica gols evitados considera a expectativa de gols dos chutes que foram ao gol segundo o modelo do ESPN TruMedia, menos os gols realmente sofridos em chutes adversários).

"A vida me deu esse momento, essa lembrança, vou poder guardar para sempre. Desde criança quando a gente sonha em jogar futebol, sonha com Copas do Mundo, sonha em fazer história, isso é um passo. Claro que é um grupo, gostaria sempre de contribuir nesse sentido", afirmou o goleiro, depois da estreia.

Mas, no final das contas, o que Guillermo Ochoa faz nos períodos entre os Mundiais que disputa (e se destaca)?

O arqueiro subiu para o time profissional do América-MEX e, com apenas 20 anos, já era titular absoluto e figura frequente nas convocações da seleção.

No clube mexicano, entre 2003 e 2011, Ochoa chegou, inclusive, a ser algoz de times brasileiros nas competições continentais. Na Copa Sul-Americana de 2007, teve atuação decisiva para eliminar o Vasco, na época liderado por Romário dentro, como jogador, e fora de campo, como técnico interino.

No ano seguinte, na Conmebol Libertadores, o Flamengo, nas oitavas, e o Santos, nas quartas, também viram atuações marcantes do goleiro e acabaram eliminados. Na fase de grupos em 2011, ele ainda teve grande atuação contra o Fluminense no México.

Foi em julho daquele ano, então, que ele começou a ter aventuras na Europa. E uma chance de se mudar para o então recém-comprado PSG surgiu. Apesar de o acordo estar praticamente certo, um exame antidoping com a seleção em partida da Copa Ouro encerrou seu sonho. Meses depois, foi provado que ele e seus companheiros ingeriram, apenas, carne contaminada, mas já era tarde para a transferência.

Ainda assim, sua mudança para a França se concretizou, mas para um clube de menor expressão. Até 2014, ele foi titular absoluto do Ajaccio, clube em que teve maior destaque na Europa.

Depois de se destacar na Copa de 2014, alguns rumores de gigantes, como Manchester United, interessados surgiram, mas a realidade acabou sendo mais modesta. O goleiro se mudou para o Málaga, onde atuou por dois anos, mas se tornou reserva do camaronês Kameni, tendo entrado em campo em apenas 19 jogos.

O resultado foi um empréstimo de um ano para o modesto Granada, que ficou apenas um ano na elite de LaLiga e acabou rebaixado. Ochoa, então, foi para o Standard Liege para buscar "não se esconder" e perder espaço na seleção.

Sua passagem, porém, também não foi marcante, e, em agosto de 2019, ele voltou para o América, lugar onde segue sendo ídolo e precisa até lidar com o assédio de fãs.

Agora, chegou o momento de Ochoa "se transformar" na mistura de lendas para ajudar o México no grupo C da Copa do Mundo. Além da Polônia, a chave ainda conta com Argentina e Arábia Saudita.