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Prass conta bastidores do pênalti que deu Copa do Brasil de 2015 ao Palmeiras: 'P***, vou ter que bater'

Ex-goleiro do Palmeiras cobrou o pênalti que deu o título da Copa do Brasil de 2015 ao clube paulista, em decisão contra o Santos


Longe dos gramados desde o ano passado, quando pendurou as luvas a serviço do Ceará, o ex-goleiro Fernando Prass teve a oportunidade de conquistar alguns dos títulos mais importantes do futebol brasileiro. Um deles o da Copa do Brasil, que faturou duas vezes, a última delas vestindo a camisa do Palmeiras em 2015.

Na decisão da competição naquele ano contra o Santos, o ex-atleta foi o responsável por bater a última cobrança na série de pênaltis, após empate em 2 a 2 no placar agregado ao final do tempo normal do jogo de volta, no Allianz Parque. E apesar de até então nunca ter cobrado um pênalti pelo ex-clube, Prass assumiu a responsabilidade, converteu e deu o título ao Alviverde.

Em entrevista ao canal Desimpedidos, Fernando Prass lembrou do lance e contou os bastidores do pênalti. O ex-goleiro até brincou e disse que, nem mesmo ele, sabia que converteria a cobrança.

"Começou com o Marcelo Oliveira (técnico). Tendo jogo, que poderia ir para os pênaltis ou não, ele treinava pênalti toda a semana, para não ficar aquela coisa maçante na véspera. E todo dia eu ficava lá. Teve um jogo entre Fortaleza e Coritiba que o Deola e o Edson Bastos tiveram que bater, e logo depois Botafogo e Fluminense, que o Jefferson e o Cavalieri tiveram que bater. Aí eu falei, 'imagina se eu tenho que bater, nunca chutei uma bola para o gol, como vou fazer?'. Vou treinar", começou por dizer.

"Eu comecei a bater, os caras dividiam em grupos e treinavam um pouco cada um, eu treinava todo dia. Eu comecei a bater, e um dia passou o Paulo Nobre (presidente) e falou 'está batendo bem, vai decidir para a gente'. Eu falei 'tá maluco, Paulo'. Isso uns três meses antes da Copa do Brasil, não sabia nem de final e semifinal. Em 2015 foi um ano de transformação no Palmeiras, chegou muita gente de clube e nova de idade, a gente terminou a final da Copa do Brasil com o Lucas Taylor, lateral, menino da base, Vitor Hugo estava recém-chegando, o Matheus Sales, de 20 anos, e era um time muito novo", prosseguiu.

Em seguida, Prass trouxe detalhes da disputa por pênaltis, até chegar à sua cobrança, que definiu o título para o Palmeiras.

"Foi para os pênaltis, aí faz aquela roda no meio, e o treinador começa a passar 'está com confiança para bater?', e tem cara que fala assim 'se precisar eu bato', aí você via que o cara amarrava a chuteira, virava de costas, não é fácil. Aí o Alecsandro falou assim para o Marcelo (Oliveira) 'o Prass bate bem'. Eu falei 'eu bato bem? tá bom' - eu era o mais experiente, de clube, se tivesse numa lista estaria entre os 6 primeiros de qualidade -. Só que eu pensei 'cara, se um menino desses erra vai levar um peso do caramba nas costas', e eu errar, também vou, mas tinha 37 para 38 anos. 'Eu aguento, vou bater'. O Alecsandro falou 'bota ele de quinto (batedor)'. O Gustavo Henrique foi bater, e eu peguei, na hora eu falei assim 'peguei, não vou precisar bater' (risos). Veio o Marquinhos Gabriel, mandou para fora, ai o Rafa (Rafael Marques) veio e errou. Na minha cabeça veio assim 'p***, vou ter que bater'. O 5º (batedor) deles (Santos) era o Ricardo Oliveira, eu falei 'o Ricardo vai querer fazer graça comigo, vai querer bater no meio'. Você lembra aonde ele bateu? Ele veio, veio, 'vou ficar no meio', quase consegui pegar, se eu fico parado eu pegava firme. Eu estava torcendo para pegar o do Ricardo", disse.

"Se eu bater ali, na cara dele, quinto pênalti ele não vai ficar parado no meio. Só que o Scarpa tinha escorregado na semifinal, o Marquinhos Gabriel escorreu, a gente foi bater pênalti ali antes e estava muito desgastado o gol, tanto é que estava jogando com uma chuteira que nem é das atuais, com 6 travas a mais para não escorregar. Fiquei com medo de bater e jogar, o pé escorregar e a pancada ir lá no segundo anel. Falei 'vou tirar o peso, vou botar o corpo um pouco mais de lado'. Era para ir no meio, mas o Vanderlei, na hora que eu fui bater ele falou 'vou ficar no meio, você vai bater no meio'. Eu falei 'filha da p***...e agora, o que eu faço?'. Aí eu arrumo a meia e falo 'vou soltar a porrada no meio', mas aí ele pulou para o canto cruzado", prosseguiu.

"Nós fomos num programa depois do campeonato, eu e Dudu, aí o apresentador perguntou 'e aí, Dudu, e o Prass bater?', ele falou 'não, eu sabia que o Prass iria fazer'. Eu falei 'Dudu, cala a boca, nem eu sabia' (risos)", finalizou.

Naquela decisão, o Palmeiras venceu o Santos por 2 a 1 no tempo normal, mas como o Peixe havia vencido na ida por 1 a 0, na Vila Belmiro, a decisão foi para a marca da cal. Nos pênaltis, o Alviverde venceu por 4 a 3 e levou o título da Copa do Brasil.