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Executivo do Juventude contesta expulsão de Alan Ruschel por defender adversário de agressão de torcedor e vê 'precedente absurdo'

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Diretor do Juventude detona expulsão de Alan Ruschel após invasão de torcedor: 'Isso abre um precedente absurdo no futebol' (3:22)

Jogador deu um soco em homem que invadiu o gramado em duelo contra o Internacional, pela Copa do Brasil (3:22)

Garantido nas oitavas de final da Copa do Brasil, quando enfrentará o Fluminense, o Juventude não poderá contar no jogo de ida, dentro de casa, com a presença de Alan Ruschel. O lateral-esquerdo, um dos sobreviventes da tragédia com o avião da Chapecoense, é atualmente uma das referências do time gaúcho e terá que cumprir suspensão.

O problema é que a expulsão ainda não é totalmente aceita. O jogador agrediu um torcedor do Internacional que invadiu o campo e tentava partir para cima de Enner Valencia, logo depois do atacante equatoriano desperdiçar um pênalti.

Imediatamente, os jogadores do Juventude foram defender o adversário. Na confusão, Ruschel desferiu um soco no torcedor. Isso ocorreu enquanto o árbitro checava junto ao VAR uma invasão dentro da área durante a cobrança do pênalti. O árbitro mandou o pênalti voltar, mas retornou ao monitor do VAR, desta vez para checar a agressão do lateral no torcedor.

No fim das contas, o lateral do Ju levou o cartão vermelho direto. Já Valencia, na segunda tentativa, converteu o pênalti e empatou o placar em 1 a 1, depois do Juventude abrir o placar com Rodrigo Sam, nos acréscimos do primeiro tempo.

Em entrevista ao ESPN.com.br, Júlio Rondinelli, executivo de futebol do time de Caxias do Sul, admitiu que o árbitro tomou a decisão correta e que, por isso, não existe possibilidade da expulsão ser revogada, mas questionou a regra.

"O árbitro e o VAR seguiram a regra, mas é uma regra totalmente contestada. Isso rodou no mundo. Um torcedor, irresponsável, invade uma praça esportiva, vai em direção a um atleta do Internacional, com o objetivo claro de agredir. Os nossos atletas impedem isso, imobilizam o sujeito. Quando ele se levanta, tentando atingir os atletas, há o revide. Eles reagiram a uma agressão. Eles não estão corretos de agredir, não sou favorável à agressão, mas eles se defenderam. Uma defesa legítima de um trabalhador, um atleta de futebol, que quis impedir que um indivíduo estranho, agredisse um colega de profissão", iniciou.

O dirigente também citou que esse tipo de situação pode "abrir um precedente absurdo no futebol".

"No próprio jogo, um torcedor do Juventude poderia ter invadido o campo, ter se direcionado a um atleta do Inter e agredido. O atleta ia revidar e já seriam dois expulsos. Então o jogo poderia não terminar. O árbitro poderia ter ponderado, o VAR poderia ter ponderado e entendido que foi uma reação a uma agressão. Poderia ter sido atenuada a pena, o atleta poderia ter sido advertido com um cartão amarelo, mas expulsar, em uma decisão da Copa do Brasil, eu não posso concordar com isso", falou o dirigente.

"O atleta ainda corre o risco de ser punido. Esperava que o Inter fizesse uma manifestação de repúdio à atitude do torcedor, que tem que respeitar a organização do evento. O torcedor foi identificado, levado ao Jecrim, mas uma hora depois estava liberado. Eu penso que tem que ser revista essa ação. O Jaconi é um estádio seguro, que recebeu vários grandes jogos, e nunca teve incidente de torcida. Uma coisa que saiu do contexto e o Juventude poderia ter sido muito prejudicado no resultado. Foi prejudicado no jogo, mas poderia ter sido muito pior. Eu tenho certeza que abriu um debate, no mínimo um alerta para um risco que pode acontecer em outros jogos".

O discurso de Rondinelli é semelhante ao do próprio Alan Ruschel. No próprio dia do ocorrido, o jogador se manifestou pelas redes sociais e cobrou atitudes antes que aconteça uma tragédia dentro de campo.

“As coisas do futebol precisam mudar. É inadmissível uma pessoa invadir o campo para agredir um trabalhador. A gente está ali trabalhando e ele quer agredir porque as coisas não estão do jeito que ele queria. Essas coisas precisam mudar, não podem acontecer. Estou aqui para falar que repudio qualquer tipo de violência. Como falei, não estou feliz com o que eu fiz, estou errado. Mas ali de cabeça quente, para defender um colega meu, acabei fazendo o que fiz."

'Árbitro cumpriu a regra do jogo'

A expulsão, embora tenha gerado bastante polêmica, foi apontada como correta, de acordo com Renata Ruel, comentarista de arbitragem da ESPN.

"O que a regra fala sobre isso? Que o jogador deve ser expulso quando pratica uma conduta violenta, seja ela contra um adversário, companheiro de equipe, membro da comissão técnica, membro da equipe de arbitragem, espectador ou qualquer pessoa. Se praticar uma conduta violenta, agir com brutalidade e força excessiva contra qualquer pessoa, o árbitro tem que expulsar. Mas o árbitro poderia usar o bom senso porque o torcedor invadiu o campo? Não! Porque é a regra do jogo. Se o árbitro não cumpre a regra do jogo, ele será punido."

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