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O passado de Rüdiger, o 'maluco' que conquistou o Real Madrid, mas poderia ter feito história no Dortmund

A final da Champions League entre Borussia Dortmund e Real Madrid colocará frente a frente velhos conhecidos no próximo sábado (1º), às 16h (de Brasília), em Wembley. Mas se engana quem pensa que estamos falando de Jude Bellingham.

Apesar de ser um dos grandes nomes merengues, o inglês fica atrás no quesito passado com a camisa aurinegra. Pelo menos quando o assunto é longevidade da história.

Nascido em Berlim, Antonio Rüdiger viu em 2000, quando tinha apenas sete anos, seu irmão mais velho, Sahr Senesie, chegar às categorias de base do clube do Vale do Ruhr. Sete anos depois, foi a sua vez de ir para a equipe aurinegra.

Se nos times anteriores o jovem atuava como atacante, em Dortmund ele se viu deslocado para a defesa, onde conseguiu se destacar e demonstrar talento e vocação para a posição.

Na base do clube, Rüdiger ficou até 2011, olhando para o time profissional e vendo Jürgen Klopp comandá-lo ao título da Bundesliga. Mas, apesar de seu talento, a chance no time de cima nunca veio. Tendo Mats Hummels e Neven Subotic como titulares da equipe campeã, o jovem de 18 anos começou a perceber que seu futuro talvez não fosse vestindo amarelo e preto.

"A mudança foi muito difícil. Também não sei se essa mudança foi feita pensando no meu desenvolvimento ideal. Quando penso nisso hoje, é claro que foi perfeito", disse o zagueiro em fevereiro desse ano ao site Goal. Naquele mesmo ano, Rüdiger arrumava suas malas para tentar a sorte na base do Stuttgart.

"Saí porque queria simplesmente jogar na Bundesliga a curto e médio prazo. Vi isso mais no Stuttgart do que no Dortmund. O Borussia era campeão na época, era difícil entrar quando era um jogador muito jovem. Simplesmente havia muito talento, e não apenas Mario Götze", afirmou o defensor, citando um colega de time que recebeu mais chances na equipe profissional.

Assim como Rüdiger, outros jogadores acabaram não tendo muitas chances no time profissional. "A geração de 1991, por exemplo, incluía Daniel Ginzcek, Marco Stiepermann, Marc Hornschuh, Lasse Sobiech e assim por diante. Todos eram bons jogadores, mas nenhum deles realmente conseguiu uma chance. Apenas Mario Götze conseguiu jogar na Bundesliga pelo Dortmund. Por isso, quis procurar um caminho diferente".

Sucesso quase instantâneo no novo clube e sucesso Europa afora

A decisão do jovem zagueiro se mostrou acertada. No primeiro ano defendendo os suábios, o jovem começou a receber chances na segunda equipe, que então atuava na terceira divisão, e na temporada seguinte já surgiram as primeiras partidas no time principal.

Em 2013/14, Rüdiger já era titular da equipe alemã e, em 2015, chamou a atenção da Roma, sendo primeiramente emprestado e posteriormente comprado em definitivo. Na Itália, foram 72 jogos antes de dar um novo salto. Em julho de 2017, o Chelsea o contratou por 35 milhões de euros.

Nem tudo, porém, foram flores para o alemão. Ao site Goal, o defensor admitiu que, em 2020, as lesões e o pouco tempo de jogo no clube londrino o deixaram desmotivado e quase o levaram a aceitar uma proposta do PSG. Um dos grandes entusiastas de seu futebol era Thomas Tuchel. A negociação não vingou, mas quis o destino que o treinador entrasse em seu caminho na Inglaterra.

Em janeiro de 2021, Tuchel desembarcou em Stamford Bridge e foi fundamental para a virada de chave no time que conquistaria a Champions League - com Rüdiger sendo um dos grandes protagonistas. "Me adaptei melhor à ideia dele (Tuchel do que Lampard) de futebol e ele também gostou muito de mim como homem. Pude assumir a liderança e mostrar o caminho".

Das críticas à glória em Madri

Em julho de 2022, semanas depois da conquista da 14ª Champions do Real Madrid, Rüdiger chegou ao clube a custo zero após o encerramento de seu contrato na Inglaterra. Quando chegou, o alemão via uma defesa sólida no time titular com Alaba e Militão. A expectativa era de que ele seria um reserva de luxo para a dupla que conquistou a Europa pouco tempo antes.

No primeiro ano, porém, o defensor não convenceu. Com atuações abaixo do esperado e uma Copa do Mundo frustrante com a Alemanha no meio, o camisa 22 demorou a cair nas graças da torcida merengue e de Carlo Ancelotti. Isso começou a mudar somente no final daquela campanha.

Com Militão sofrendo com lesões, o alemão passou a ser titular mais vezes do Real. E encantou na semifinal da Champions League contra o Manchester City, quando conseguiu 'anular' o artilheiro Erling Haaland no jogo de ida. A atuação deu sinais de que o jogador estava ficando cada vez mais adaptado e poderia ser ainda mais útil.

Na atual temporada, o início ainda foi mais no banco de reservas. Mas novas lesões de seus companheiros fizeram a minutagem aumentar - além da confiança de seu treinador. O alemão passou a ser sempre o encarregado da marcação do atacante mais perigoso, com Haaland novamente sendo sua prova de fogo.

Nas quartas de final, Rüdiger novamente colocou o norueguês 'no bolso', com atuações seguras nas duas partidas. Na disputa de pênaltis, ainda foi o responsável pela cobrança decisiva que classificou seu time.

Retrospecto negativo contra o Dortmund

Rüdiger será mais uma vez importantíssimo para que o Real saia com a taça de Wembley. Mas algo pode pesar contra o camisa 22.

Ao todo, o zagueiro enfrentou o Dortmund, seu antigo formador, em três oportunidades - todas pelo Stuttgart - e nunca saiu vitorioso. Ao todo, foram duas derrotas e um empate, na última vez que se enfrentaram.

Agora, resta saber se o já experiente defensor deixará para trás esses números negativos e levantará a 'orelhuda' pela segunda vez ou se o seu passado voltará para lhe assombrar na grande decisão.