Responsável por treinar o Botafogo na histórica vitória por 1 a 0 diante do PSG durante o Mundial de Clubes da Fifa, Renato Paiva, demitido do Glorioso por John Textor logo após a eliminação para o Palmeiras na mesma competição, concedeu entrevista ao diário A Bola, de Portugal, e desabafou sobre a relação com o norte-americano.
Questionado sobre o tema, Paiva chamou Textor de “esse senhor”, mas rasgou elogios ao clube carioca, ao qual chamou de “absolutamente fantástico”.
“Entendo a sua pergunta, mas eu não preciso de falar sobre John Textor porque ele fala por si próprio. Tudo aquilo que faz e diz é claro e, depois, quem está no meio, julga. A sua comunicação define-o”, iniciou.
“Dessa passagem, preferia dizer que trabalhei num clube absolutamente fantástico, com um grupo de jogadores único, cuja empatia e sinergia eram totais e absolutas. E com um apoio absurdo e uma identificação total com as pessoas com quem trabalhei no meu dia a dia. Ainda hoje nos relacionamos no Rio de Janeiro”.
Paiva contou como foi difícil remontar o time do Botafogo após as inúmeras saídas depois dos títulos da CONMEBOL Libertadores e do Campeonato Brasileiro, além de apontar os feitos que teve à frente do Glorioso no período.
“Encontrei uma equipe que vinha de ser campeã da Libertadores e do Brasileirão, mas completamente dilacerada, com 12 saídas. Houve algumas contratações que não resultaram, também por falta de paciência e de tempo, e acabámos por ir de menos a mais”.
“Quando embarcámos no avião para irmos para o Mundial de Clubes, em junho, tínhamos 13 jogos sem perder, oito vitórias, dois empates e um deles com este Flamengo, no Maracanã. Vamos para os EUA a seis pontos do Flamengo, com a segunda melhor defesa do campeonato, vivos na Libertadores e na Copa do Brasil”.
“Perante o grupo que tínhamos no Mundial, com PSG e Atlético de Madrid, dizia-se que veríamos se não seríamos goleados. Estávamos no grupo da morte. Ganhamos do Seattle Sounders, do PSG e tínhamos de perder por três gols contra o Atlético de Madrid para sermos eliminados. Perdemos por um e no último minuto”.
“Hoje, se diz no Brasil que a vitória mais emblemática do Botafogo foi essa com o PSG. Aliás, esse senhor [John Textor] disse-me na cara que era o dia mais feliz da vida dele. Deu-me, inclusivamente, um beijo em público. Eu do Botafogo fico com isto. Os números falam por nós, as ações do senhor falam por ele”, finalizou.
Ainda durante a entrevista, Renato Paiva criticou o excesso de troca de treinadores e usou o Palmeiras como exemplo a ser seguido. O clube paulista conta com Abel Ferreira no comando desde 2020 e assinou a renovação com ele até o final de 2027 mesmo após passar o ano sem conquistar nenhum título.
“Hoje em dia, e cada vez mais, é raro encontrar-se quem avalie pelo processo. É a ditadura do marcador, do resultado. Futebol é rendimento e resultado, mas, na minha opinião, não é só. Porque só ganha um e então tinha de estar sempre tudo a mudar”.
“Encontrar, por exemplo, um projeto como o do Palmeiras, em que o Abel tem tido um êxito tremendo, derivado do seu trabalho e da sua competência, só é possível devido ao projeto e à estrutura que o apoia incondicionalmente”, finalizou.
