Eagle cita esquema de caixa, dívidas e conclaves no Botafogo e tenta tirar Textor de novo

John Textor, dono da SAF do Botafogo, no Mundial de Clubes JUAN MABROMATA/AFP via Getty Images

A Eagle entrou com um pedido de recurso na Justiça para reverter uma decisão que manteve John Textor no comando do Botafogo. E acusou o americano de praticar "desmandos e atos protelatórios ilegais, dentro e fora do processo", de ter "objetivos escusos", de "atos ilícitos, abusivos e temerários".

A Eagle é a acionista controladora e proprietária de 90% das ações da SAF Botafogo. E está em guerra judicial com o clube há alguns meses. Agora, vem contestando uma decisão que determinou a permanência de Textor no cargo de presidente do conselho, anulando reuniões da SAF e negando suspensão dos poderes do dirigente.

Ela diz que recentes atitudes de Textos foram realizadas para "promover interesses emulativos e causar danos irreparáveis não apenas à Eagle, mas também ao patrimônio da própria SAF Botafogo, por meio da diluição acionária da Eagle Bidco e do esvaziamento dos ativos da companhia em benefício de veículos pessoais do sr. Textor".

De acordo com a empresa, Textor utilizava o Grupo Eagle para criar um "esquema de 'caixa-único' entre seus times de futebol, operando-os como uma única entidade: contraindo dívidas 'intercompany', trocando atletas e oferecendo garantias entre si, de modo temerário e irresponsável".

A Eagle citou o rebaixamento do Lyon como um alerta ao Botafogo.

"No âmbito de investigação, a gestão temerária do Sr. Textor fez com que fosse decretada provisória e administrativamente o rebaixamento do Lyon à segunda divisão de futebol francesa. O salvamento da situação requereu uma mudança drástica na administração do Lyon. Dentre elas, a substituição do Sr. Textor em sua posição, bem como uma injeção de capital emergencial para evitar o rebaixamento por motivos financeiros. Todos os acionistas do Grupo Eagle contribuíram com essa injeção emergencial, com exceção de um: o Sr. Textor. A saída do Sr. Textor e a injeção de capital reposicionaram o Lyon com as autoridades francesas e preservaram seu status e posição na primeira divisão", apontou.

De acordo com a empresa, o passivo da SAF atual corresponde a mais de R$ 1,5 bilhão. A empresa alertou que 20% das receitas mensais são repassadas ao clube associativo para quitação de débitos anteriores à constituição da sociedade anônima e que recente reunião do conselho mostrou que serão necessários novos aportes para o time de futebol continuar competindo em alto nível em 2026.

Segundo a Eagle disse à Justiça, o "uso irrefreado do caixa da SAF Botafogo para financiar outros empreendimentos do sr. Textor custou caro". A companhia citou auditorias independentes que apontaram incerteza na continuidade operacional, uma dívida de R$ 174 milhões que "evidencia a necessidade de um plano de ação da administração para reverter o atual cenário".

A empresa acrescentou que Textor impõe interesses e uma agenda pessoal em cima da sociedade, "fabricando conclaves ocultos", e ingressou com um processo exigindo o pagamento de R$ 152 milhões, mas "com lastro em supostas dívidas pagas meses antes do ajuizamento", o que não passou de uma tentativa de retirar a Eagle do quadro de acionistas da SAF Botafogo, então sob "indevida gestão do sr. Textor".

Por fim, a Eagle pediu que seja suspensa a determinação de manutenção de Textor em sua posição estatutária.

"O sr. Textor não pode seguir sozinho e irrefreado à frente da SAF Botafogo, praticando atos em grave prejuízo ao patrimônio da companhia e em benefício próprio, sem observar os direitos da Eagle Bidco na qualidade de acionista proprietária de 90% do capital social da SAF Botafogo", finalizou a empresa.

A ESPN procurou o Botafogo, que informou que não fará comentários sobre o assunto.

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