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Bola de Prata 50 - Maior vencedor, Zico compara prêmio à melhor do mundo da Fifa e conta onde guarda seus troféus

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Bola de Prata: Zico é recordista no prêmio e maior ídolo da história do Flamengo (0:29)

Jogador conquistou nove prêmios ao longo da carreira (0:29)

Maior ídolo de todos os tempos do Flamengo, Zico é o jogador que ganhou mais troféus no Prêmio ESPN Bola de Prata Sportingbet na história. No total são nove conquistas: duas Bolas de Ouro (1974 e 1982), cinco de Prata (1974, 1975, 1977, 1982 e 1987) e ainda mais duas como artilheiro (1980 e 1982).

O "Galinho de Quintino" conta que a premiação era acompanhada de perto pelos atletas.

"Já era um desejo nosso. Era sem dúvida o que é hoje o prêmio da Fifa de melhor jogador do mundo. A mesma repercussão, é o prêmio mais importante do futebol brasileiro. O Brasileiro se tornou o torneio mais importante do calendário e, com isso, os jogadores falavam muito da conquista. A cada rodada a galera ficava prestando atenção nas notas que recebia", disse ao ESPN.com.br.

Zico faturou a Bola de Ouro logo em seu primeiro Campeonato Brasileiro como titular, em 1974. Apesar da ótima fase do jogador, o Flamengo ficou apenas na sexta posição da competição - que foi vencida pelo arquirrival Vasco -, e o camisa 10 da Gávea ainda teve outra decepção: não ter ido à Copa do Mundo daquele ano.

"O que me decepcionou muito foi não ter ido para a Copa do Mundo, porque o Brasileiro foi no primeiro semestre e eu estava muito bem. Todo mundo falando, e, de repente, gerou aquela expectativa de ir para a Alemanha. Eu fiquei entre os 44 pré-selecionados, mas não fui escolhido. Eu achava que poderia ir, principalmente pelas minhas atuações", relatou.

Em 1982 e em 1987, ele venceu o Bola de Prata e foi campeão brasileiro. Com tantos troféus em sua galeria, o ex-jogador precisou dividir alguns deles com seus familiares.

"Eu tenho em casa as cinco de prata, e as duas de ouro estão com meus netos nas casas deles. Eles me pediram, e eu deixei. Para não ter ciúmes eu dei as de ouro, só fiquei com as de prata em casa (risos)", afirmou.

Leia abaixo a entrevista completa com Zico

Qual era a importância do prêmio quando você jogava? Os jogadores ficavam acompanhando as notas?
Já era um desejo nosso. Era sem dúvida o que é hoje o prêmio da Fifa de melhor jogador do mundo. A mesma repercussão, é o prêmio mais importante do futebol brasileiro. O Brasileiro se tornou o torneio mais importante e, com isso, os jogadores falavam muito da conquista. A cada rodada a galera ficava prestando atenção nas notas que recebia. Jovem pensa desta forma, depois de um certo tempo eu já via de outra forma. Tanto que em 87 eu nem esperava que pudesse ganhar. Estava mais maduro, mas as primeiras foram fantásticas.

Logo de cara você venceu uma Bola de Ouro mesmo sendo muito jovem...
A primeira Bola de Ouro que ganhei foi no meu primeiro Brasileiro como titular, em 1974. É a segunda melhor média da história da Bola de Prata [8,74]. O que me decepcionou muito foi não ter ido para a Copa do Mundo, porque o Brasileiro foi no primeiro semestre e eu estava muito bem. Todo mundo falando, e, de repente, gerou aquela expectativa de ir para a Alemanha. Eu fiquei entre os 44 pré-selecionados, mas não fui escolhido. Eu achava que poderia ir, principalmente pelas minhas atuações no Nacional. O Flamengo não vinha bem, mas eu vinha muito bem. Estava me destacando e fazendo gols. Gerou uma expectativa de ir para a Copa e me decepcionei um pouco por não ter ido.

O ano de 1980 foi especial para vocês por tudo que gerou depois?
Em 80 foi um ano de consagração. Foi o primeiro título brasileiro do Flamengo na história. Foi esse campeonato que nos levou depois à Libertadores e ao Mundial. Eu fui artilheiro daquela competição. De 78 até 83 foram anos mágicos para todos nós.

Quais as lembranças da Bola de Ouro de 82?
Em 1982 foi um ano de viradas. Ganhamos o Brasileiro sempre saindo atrás e depois vencíamos os jogos. Foi totalmente diferente dos outros títulos que ganhamos nos outros anos. Desde o começo do campeonato, até o Grêmio na decisão. Naquela época não tinha gol fora. A única vantagem era jogar a segunda partida em casa pela campanha, e foi do Grêmio. Considero que um dos gols mais importantes que fiz na história do Flamengo foi no empate no Maracanã. Estávamos perdendo por 1 a 0 e empatei aos 44 minutos do segundo tempo. Aquilo nos colocou em igualdade de condições porque, se perdêssemos em casa, eles jogariam pelo empate em casa. E aí empatamos de novo no Sul e teve um terceiro (jogo) lá mesmo que nós vencemos. A gente precisou se superar. Na semifinal passamos pelo Guarani, que era um dos melhores times na época. Vencemos os dois jogos. Se eles ganhassem de 1 a 0 se classificavam. Eles saíram na frente, mas nós viramos.

Quais eram seus maiores concorrentes?
Os maiores concorrentes da época eram o Jorge Mendonça, o Renato, o Paulo Isidoro, o Pita... Dependia muito de como a revista escalava os times nas funções. Nem sempre correspondia à posição que você jogava no teu clube. Eles faziam uma formação e te colocavam. Naquela época era uma concorrência braba, só tinha cara de seleção brasileira. Todos os craques jogavam no Brasil até a Copa de 82.

Como foi ganhar em 1987, cerca de 13 anos depois do primeiro prêmio? O que representou naquela época?
Eu nem esperava ganhar mais, apesar de termos feito um ótimo campeonato. Eu acho que ganhei porque nossa reta final foi muito boa. Eu comecei bem, tive uma lesão e fiquei parado. Mas quando chegou na reta final, eu pude manter uma forma boa, fiz bons jogos e marquei gols. Vinha de uma lesão grave e de uma cirurgia que me deixou quase um ano parado. Eu fiquei quase no limite de partidas para vencer a Bola de Prata. Tinha um número de jogo mínimos e naquele ano a Copa União, que a própria Placar foi uma das grandes incentivadoras, tinha menos equipes. Com isso, o número de partidas era menor. Foi uma surpresa muito grande.

Já participou de alguma cerimônia de premiação da Bola de Prata?
Naquela época não existia cerimônia de premiação como existe hoje. Muitas vezes a gente recebia o prêmio dentro do gramado antes de algum jogo ou no estúdio de fotografia quando íamos fazer a foto da seleção da Bola de Prata. É uma data complicada para mim porque passei muitos anos trabalhando em Índia, Turquia e Japão, quando ainda tem jogos na época da premiação. Teve um ano que dei azar e fraturei o braço...Ainda não foi possível.

Onde você guarda seus prêmios da Bola de Prata?
Eu tenho em casa as cinco de prata. As duas de ouro estão com meus netos nas casas deles. Eles me pediram e eu deixei. Para não ter ciúmes eu dei as de ouro, só fiquei com as de prata em casa (risos).

Quem é o seu favorito a conquistar a Bola de Ouro neste ano?
É muito difícil dizer pela atual circunstância do futebol brasileiro. Os elencos mudam muito, algumas vezes o cara começa a se destacar no começo do campeonato e acaba vendido no meio do ano. Ou chega alguém de fora e passa a jogar bem. No nosso futebol é difícil saber quem vai ficar até o fim do ano.

Quem são os favoritos ao título do Brasileiro? O Flamengo está entre eles?
Se o Flamengo mantiver esse plantel, é um dos favoritos ao título, com certeza. Tem uma boa equipe e um bom elenco que pode ser campeão. O banco de reservas está à altura, e isso na reta final conta muito pela quantidade de lesões, cartões, etc...Com os times disputando Libertadores e Copa do Brasil, complica. O Grêmio era uma das melhores equipes do ano passado, mas optou pela Libertadores e deixou de lado uma competição tão importante como o Brasileiro. Os times do Brasil estão infelizmente fazendo isso. É complicado apontar favoritos.

Bola de Prata

A premiação anual foi idealizada pelos jornalistas Michel Laurence e Manoel Motta na revista Placar. Ela foi criada logo após a conquista da seleção brasileira na Copa do Mundo do México, em 1970. Lembrando que Pelé e Neymar são donos do prêmio "Hors Concours".

A premiação do Bola de Ouro, dada ao jogador com maior média do torneio, só foi criada em 1973.