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Bola de Prata 50 anos - Conheça o ídolo do Coritiba que ofuscou Pelé e até virou personagem da Disney

Em 49 edições ao longo da história, o Prêmio ESPN Bola de Prata Sportingbet já foi concedido a jogadores que hoje não são tão conhecidos do público atual.

Um dos casos mais emblemáticos foi Sebastião José Ferri, conhecido como Tião Abatiá, ídolo do Coritiba na década de 70.

Ele venceu a Bola de Prata de 1971 e superou Dadá Maravilha, do Atlético-MG, que foi campeão e artilheiro do Brasileirão com 15 gols marcados.

"Foi tudo para mim. É como se fosse uma convocação para a seleção brasileira", disse o ex-jogador, em entrevista à Tribuna do PR, em 2009.

Naquela competição, o Coritiba ficou apenas no décimo lugar, mas colocou Tião e o zagueiro Pescuma na seleção escolhida pela revista Placar pela primeira vez na história.

Talvez o jogo mais emblemático da carreira do atacante tenha sido na 10ª rodada do Brasileiro daquele ano, quando ele fez o único gol do Coritiba na vitória sobre o Santos de Pelé por 1 a 0, em duelo realizado no dia 27 de outubro no estádio Belfort Duarte, atualmente chamado de Couto Pereira.

Naquela partida, o jogador ofuscou o "Rei do Futebol", após dar uma arrancada espetacular, que deixou Ramos Delgado e Lima para trás, e chutar na saída do goleiro argentino Cejas.

Com o feito, ganhou diversas manchetes: "Deu Abatiá no espetáculo do Rei Pelé", disse um jornal da época.

O sucesso foi tão grande que ele virou personagem nos quadrinhos do Zé Carioca, criado por Walt Disney. Nas páginas do papagaio brasileiro que morava na Vila Xurupita, Tião Abatiá virou Tião Abaterá na edição 1055 do gibi, publicada em janeiro de 1972.

Na história "Futebol não tem lógica", ele disputa uma partida pelo Dragões do Andaraí contra o Deixa Cair, do goleiro Zé Carioca.

Tião Abaterá balança as redes duas vezes, mas no fim do duelo é enganado pelo papagaio e faz um gol contra que determina a derrota de sua equipe por 3 a 2.

"Não quero ser superior a ninguém, mas na Walt Disney, só dá eu. Nem o Pelé chegou tão longe (risos)", brincou, em entrevista.

Nascido em 20 de janeiro de 1945, na cidade de Abatiá, no Paraná, Tião começou no futebol no Cambará Atlético Clube em 1965.

No começo dos anos 70, ele se destacou pelo União Bandeirante e teve uma rápida passagem pelo São Paulo antes de ir ao Coritiba, no qual ficou famoso pela "dupla caipira" que formou ao lado de "Paquito" no ataque alviverde.

No Coxa, ele jogou entre 1971 e 1975 e foi tetracampeão paranaense (de 1972 a 1975) e faturou o Torneio do Povo (1973). No total, foram 159 jogos e 63 gols com a camisa alviverde.

Ele ainda teve passagens por Portuguesa e Colorado Esporte Clube antes de encerrar a carreira. Tião Abatiá faleceu dia 16 de agosto de 2016, aos 71 anos, em Londrina (PR), vítima de uma complicação causada por uma cirurgia.

Bola de Prata

A premiação anual foi idealizada pelos jornalistas Michel Laurence e Manoel Motta na revista Placar. Ela foi criada logo após a conquista da seleção brasileira na Copa do Mundo do México, em 1970.

A honraria foi dada pela segunda vez aos jogadores com melhores médias de notas na disputa do Campeonato Brasileiro de 1971.

Lembrando que Pelé, que jogava o Santos, não estava na disputa pois havia recebido em 1970 o prêmio "Hors Concours". A premiação do Bola de Ouro, dada ao jogador com maior média do torneio, só foi criada em 1973.

Veja a seleção do Bola de Prata de 1971:

Goleiro: Andrada (Vasco)

Lateral-direito: Humberto Monteiro (Atlético-MG)

Zagueiros: Pescuma (Coritiba) e Vantuir (Atlético-MG)

Lateral-esquerdo: Carlindo (Ceará)

Volante: Vanderlei (Atlético-MG)

Meias: Dirceu Lopes (Cruzeiro) e Rivellino (Corinthians)

Atacantes: Antônio Carlos (América-RJ), Tião Abatiá (Coritiba) e Edu (Santos)