Bartolomeu Jacinto Quissanga. É esse o nome do zagueiro Bastos, que acaba de fazer história: ele é o primeiro africano a receber o Prêmio ESPN Bola de Prata Aposta Ganha. Nascido em Luanda, capital de Angola, o defensor foi destaque no Botafogo e se tornou incontestável.
Aos 33 anos, o jogador, que chegou ao clube carioca em agosto de 2023, teve um ano mágico. Foi campeão da CONMEBOL Libertadores e voltou à seleção angolana, o que já havia dito que era um sonho. Ele defendeu o país por 10 anos e ficou outros três, desde 2021, sem ser chamado.
Revelado pelo Petro, de Luanda, Bastos atuou pelo FK Rostov, da Rússia, e foi para a Lazio, da Itália, em 2016. Deixou o futebol europeu em 2020, rumo ao mundo árabe. Uma confusão, porém, atrapalhou os planos.
"O Bastos tem uma história legal, porque ele saiu da Lazio com uma oferta para ir ao mundo árabe, só que, ou ele ou algum agente, confundiu o nome do clube. Ele chegou lá e não era realmente o clube que tinha expectativa de ser. Era um da segunda divisão", contou Alessandro Brito, Head Scout do Botafogo, em entrevista ao Bola da Vez, no último mês.
O zagueiro foi para o Al Ain da Arábia Saudita, e não para o time homônimo dos Emirados Árabes Unidos, que está na elite do país e disputa a Champions League Asiática. Depois, ainda voltou emprestado ao Rostov e passou pelo também saudita Al Ahli.
"A gente tinha essa informação. O agente a todo momento oferecendo [a contratação] e falando que ele poderia até sair livre. Nós trouxemos, acreditávamos muito no potencial, só que a adaptação demorou. Internamente, isso causou até... não digo ruído, mas todo mundo dizia: 'Pô, não era um zagueiro que vocês apostavam muito?'. Mas a gente sabia que era um tempo de adaptação", seguiu Brito.
"Temos de entender de onde o atleta vem e dar tranquilidade para trabalhar. Não é chegar, vestir a camisa e sair jogando. A todo momento a gente deixava as pessoas muito tranquilas, e até o próprio Bastos. Dizíamos: 'Fica tranquilo, que no momento certo você vai ter sua oportunidade'. E deu certo", completou.
Quando o angolano chegou ao Botafogo, a zaga era formada por Adryelson e Victor Cuesta, e o time brigava pelo título do Brasileirão de 2023, o que reduzia o espaço. Foram apenas quatro jogos no ano passado. Em 2024, participando da pré-temporada e já entrosado, o jogador ganhou a posição.
A necessidade de adaptação ficou restrita ao campo. Quanto ao país, ele não teve tantas dificuldades. O defensor já afirmou em mais de uma oportunidade que vê semelhanças entre Brasil e Angola, como o clima e a culinária, além de o idioma ser o mesmo.
Bastos é apenas o terceiro jogador de fora da América do Sul a levar o prêmio. Antes dele, o sérvio Petkovic (três vezes) e o holandês Seedorf (uma vez, também pelo Botafogo) receberam a honraria que faz tudo valer a pena.
Os mais de 6 mil quilômetros entre Luanda e Rio de Janeiro viraram somente um detalhe.
