12 dias para a NBA: Atlanta Hawks aumenta profundidade do elenco para sobreviver no Leste

Uma das grandes sensações da reta final da última temporada regular da NBA, o Atlanta Hawks chega em 2026/27 com algumas novidades no banco de reservas, com destaque para o calouro Kingston Flemings e a dupla ex-Thunder formada por Lu Dort e Aaron Wiggins. O grande trunfo da franquia foi envolver nas negociações apenas jogadores que não estavam desempenhando um grande papel na equipe.

Mas na Conferência Leste mais forte da década, será o suficiente para Jalen Johnson e companhia? De qualquer maneira, a última impressão foi boa. Os Hawks, afinal, foram a única equipe a vencer dois jogos dos Knicks nos playoffs, além de serem uma das grandes defesas da competição.

Como foram os Hawks na última temporada

  • Campanha: 46 vitórias e 36 derrotas

  • Classificação: 6º lugar na Conferência Leste

  • Nos playoffs: eliminado na primeira rodada pelo New York Knicks por 4 a 2

  • O que aconteceu: a temporada começou mais ou menos no ritmo das anteriores, com a campanha próxima da marca de 50% de aproveitamento e sem dar indício de que decolaria. Foi então que a direção resolveu tomar a decisão de negociar o armador Trae Young, que foi para o Washington Wizards em troca de CJ McCollum e Corey Kispert. A negociação parecia mais uma estratégia para dar flexibilidade no futuro, mas no fim das contas o time melhorou. Liderados pelo all-star Jalen Johnson, que deu mais um salto evolutivo na carreira, os Hawks decolaram na reta final da fase de classificação. Entre o final de fevereiro e início de maio, emplacaram uma corrida de 18 vitórias em 20 jogos, fundamental para a classificação direta aos playoffs, pulando o play-in. Na primeira rodada, chegaram a liderar a série contra o New York Knicks. Acabaram tomando a virada, mas pelo menos podem dizer que foram quem mais deram trabalho para os campeões.

O elenco dos Hawks para a temporada 2026/27

  • Escolhas de Draft: Kingston Flemings (armador, 8ª escolha), Zuby Ejiofor (ala-pivô, 23ª escolha) e Henri Veesaar (pivô, 52ª escolha)

  • Quem mais chegou: Lu Dort (ala - Oklahoma City Thunder), Aaron Wiggins (ala-armador - Oklahoma City Thunder), Dorian Finney-Smith (ala - Houston Rockets), Jalen Wilson (ala - Brooklyn Nets), Isaac McKeneely (armador - sem time), Cameron Corhen (ala-pivô - sem time) e Kobe Johnson (ala - sem time)

  • Quem foi embora: Jonathan Kuminga (ala - Minnesota Timberwolves), Zaccharie Risacher (ala - Dallas Mavericks), Buddy Hield (ala - Chicago Bulls), Caleb Houstan (ala - New Orleans Pelicans), Tony Bradley (pivô - New York Knicks), Christian Koloko (pivô - New Orleans Pelicans), Keaton Wallace (ala - Maccabi Tel Aviv/Israel) e Gabe Vincent (armador - sem time)

  • Provável time titular: CJ McCollum, Dyson Daniels, Nickeil Alexander-Walker, Jalen Johnson e Onyeka Okongwu

  • Reservas: Kingston Flemings, Isaac McKneely (armadores), Aaron Wiggins (ala-armador), Lu Dort, Dorian Finney-Smith, Corey Kispert, Jalen Wilson, Kobe Johnson (alas), Mouhamed Gueye, Asa Newell, Zuby Ejiofor, Cameron Corhen (alas-pivôs), Jock Landale e Henri Veesaar (pivô)

  • Técnico: Quin Snyder

O clima para a temporada

Apesar de o ato final ter sido uma derrota acachapante por 51 pontos de diferença, a temporada passada terminou com sensação positiva para o Atlanta Hawks. E depois que as férias começaram, não demorou muito para que o elenco ganhasse reforços interessantes para tentar continuar essa busca por subir de patamar competitivo no Leste.

Via Draft, chegou o armador Kingston Flemings, que chamou a atenção no basquete universitário pela velocidade e pelo controle das jogadas de pick and roll cometendo poucos erros. Não será titular, mas deve receber oportunidades para tentar ganhar espaço na rotação.

Mas as notícias mais animadoras do mercado dos Hawks vieram de Oklahoma: Andrew Wiggins e Lu Dort, dois campeões com o Thunder em 2025 que levam a Atlanta não só essa experiência vencedora, mas também muita versatilidade e força defensiva a um time que já ficou entre as dez defesas mais eficientes na última temporada. Dá para almejar subir ainda mais neste ranking.

Nesta movimentação que resultou na aquisição de Dort, os Hawks acabaram abrindo mão de Zaccharie Risacher, quem tinham selecionado com a primeira escolha no Draft de 2026. De certa maneira, é uma virada de página que simboliza bem o momento em Atlanta. O jovem francês, que teve pouco brilho nos Hawks, terá oportunidade de recomeçar em outro lugar, enquanto o time recebeu em troca uma peça já rodada, consolidada, pronta para contribuir de imediato para quem quer olhar mais para cima na briga do Leste.

Apesar de serem reforços importantes, é de se imaginar que a dupla ex-OKC seja usada a partir do banco de reservas pelo técnico Quin Snyder. Isso porque Dyson Daniels tem sido o motor defensivo do time, roubando bolas e forçando erros em um ritmo impressionante, e Nickeil Alexander-Walker respondeu da melhor maneira possível à oportunidade que recebeu de jogar mais em Atlanta: saltou para os 20,8 pontos por jogo com aproveitamento de 40% nas bolas de três ao mesmo tempo em que manteve uma defesa de alto nível. Não à toa, foi eleito o jogador que mais evoluiu.

É nessa profundidade e até em mais um salto de Jalen Johnson, agora consolidado como uma estrela da liga, que os Hawks apostam. A identidade já parece construída: defesa forte, especialmente no perímetro, para forçar erros que proporcionem contra-ataques, e volume alto nas bolas de três. Agora é hora de aprimorar, fazer com que o leque maior de opções mantenha isso funcionando por mais tempo em cada partida e, assim, diminuir a distância para o topo do Leste.

Abre aspas

"Surgiu a oportunidade de adicionar ao nosso elenco esses caras que fizeram parte de um processo de desenvolvimento de jogadores. Eles fizeram parte disso lá em OKC, têm essa experiência, e isso é algo que os outros que já estavam aqui podem se beneficiar bastante. Foi uma das razões pelas quais nós buscamos adicioná-los ao nosso time."

A declaração é do técnico Quin Snyder, referindo-se a Andrew Wiggins e Lu Dort, jogadores que foram campeões no Oklahoma City Thunder e se acostumaram a grandes aspirações nos últimos anos.

Uma esperança

Os 112,9 pontos sofridos a cada 100 posses de bola colocaram os Hawks em décimo lugar no ranking das defesas mais eficientes da temporada passada. Foi um salto e tanto para um time que se acostumou nos anos anteriores a apresentar uma defesa frágil, que aparecia entre as piores da liga.

Poder contar com Nickeil Alexander-Walker e Dyson Daniels nas formações que mais receberam minutos ao longo do campeonato ajuda a explicar esse salto. São jogadores que têm o trabalho defensivo como característica principal e que se mostraram fundamentais no que parece ser a construção de uma nova identidade.

Além de poderem continuar a apostar no que já vinha dando certo, os Hawks têm em Lu Dort e Aaron Wiggins dois reforços que podem ser muito valiosos para essa identidade. Independentemente de serem titulares ou não, são jogadores que vão ter espaço sólido na rotação.

Pela versatilidade que têm, Dort e Wiggins podem até serem valiosos em variações táticas que Quin Snyder vier a experimentar. Mas mesmo que isso não aconteça, já representam um ganho quantitativo, pois permitem aos Hawks manter o alto nível de intensidade e agressividade na marcação durante todo o jogo.

Dá para se pensar, portanto, em conseguir emplacar uma eficiência defensiva ainda maior nesta próxima temporada. O que seria uma grande arma para o time alçar voos mais altos no Leste.

Um medo

O time vem de uma boa reta final de temporada, manteve a base e trouxe alguns reforços interessantes, que devem se encaixar com alguma facilidade com o que o treinador Quin Snyder busca implantar nos dois lados da quadra. É fácil imaginar que os Hawks de hoje são uma equipe melhor do que aquela que se despediu dos playoffs caindo diante do New York Knicks.

O problema é que o restante do Leste também evoluiu consideravelmente. Times que já eram bons ficaram ainda melhores, pelo menos na teoria. Dá até para cravar que, no momento, é essa a conferência mais competitiva da NBA, coisa que parecia difícil de imaginar até pouco tempo atrás. Algum bom elenco vai acabar ficando fora até mesmo do play-in.

Será o caso dos Hawks? É provável que não. Mas em meio a tantos outros concorrentes que também se movimentaram pra evoluir, seria frustrante para a torcida em Atlanta se as boas movimentações da offseason não levarem o time para além do ponto em que alcançou na temporada passada, sem conseguir dar o salto de competitividade que tanto se espera.

O cara

All-Star, eleito para o terceiro time ideal da temporada e com médias próximas ao triplo-duplo. 2025/26 foi o grande ano da carreira de Jalen Johnson, que se firmou como o grande jogador do Atlanta Hawks. A confiança da diretoria no ala-pivô é tamanha a ponto de topar montar o jogo ao seu redor, em detrimento de Trae Young, trocado por CJ McCollum ao longo da temporada.

As médias de 22,5 pontos, 10,3 rebotes e 7,9 assistências, próximas ao triplo-duplo, dão a medida da qualidade e da importância de Johnson dentro do elenco. Ele é mais um do grupo das estrelas all-around, eficientes nos dois lados da quadra. Afinal, defensivamente ele também demonstrou qualidade ao longo do ano, muito pelo tamanho (2,03m) e versatilidade ao enfrentar adversários de todas as posições.

Se as temporadas anteriores foram de desenvolvimento e menos pressão, agora ele precisará ser a grande referência de uma franquia que tem aumentado as aspirações a cada temporada, muito por conta de suas boas atuações. Na reta final de 2025/26 e nos playoffs, por exemplo, teve bons números na reta final das partidas, mas as bolas finais das partidas, em geral, ficaram quase sempre a cargo de CJ McCollum. Muitas vezes deu certo, como nos primeiros jogos contra os Knicks, mas a sensação é a que Johnson poderia ser mais útil nestes momentos.

Com quase 25 anos, o astro está no segundo ano de um contrato de US$ 150 milhões em cinco temporadas, num modelo raro: o salário não cresce a cada temporada, como geralmente acontece com as grandes estrelas. Ele receberá US$ 30 milhões por ano até 2029/30. Como o espaço na folha salarial aumenta a cada ano, seu salário representará uma porcentagem cada vez menor do orçamento, abrindo espaço para os Hawks se reforçarem ainda mais no futuro. Para isso, Johnson precisará seguir evoluindo o máximo possível.

Também vale a pena ficar de olho

Há duas temporadas, em 2024/25, Aaron Wiggins despontou como uma das peças mais confiáveis no banco do futuro campeão Oklahoma City Thunder. Jogou 26 das 76 partidas como titular e teve 12 pontos de média, com 38% de aproveitamento do perímetro. Em 2025/26, porém, caiu um pouco de rendimento, mesmo sendo titular em parte da temporada.

Agora nos Hawks, poderá ter mais espaço além dos 21 minutos por jogo que teve em OKC na última temporada. A tendência é de que seja um dos principais nomes da segunda unidade da equipe, ao lado de nomes como Kingston Flemings, Lu Dort, Dorian Finney-Smith, Corey Kispert, Asa Newell, Mouhamed Gueye e Jock Landale. De todos esses, Wiggins é o que tem a maior capacidade de pontuar em alto volume e eficiência.

Ao longo da carreira, já teve aproveitamento acima dos 40% nos chutes de três pontos, número que precisa ser seu maior objetivo nas próximas semanas. No último ano, ficou com apenas 35%. Por fim, além dos arremessos, pode contribuir como criador secundário da equipe, bem como cortando linhas de passe na defesa, roubando a bola para sair em contra-ataques rápidos.

Quem também merece atenção é Onyeka Okongwu. O pivô assumiu de vez a titularidade na última temporada, mantendo bons números: 15,2 pontos, 7,6 rebotes, 3,1 assistências, 1,1 roubo e 1,1 toco de média.

O principal, porém, está na linha de três pontos: Okongwu aumentou o volume de arremessos de 2 para 5,2 no último ano, com 37% de aproveitamento, o suficiente para receber atenção das defesas adversárias, espaçar a quadra e criar mais opções para o ataque dos Hawks. Quando necessário, também recebe a bola na cabeça do garrafão para distribuir o jogo. Prestes a completar 26 anos, é mais um nome que ainda tem espaço para evoluir.

Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5

3 (médio) - É um time que deve fazer muitos jogos duros ao longo da temporada, com material humano para fazer frente a qualquer adversário, o que definitivamente tem seu valor. Mas daí a imaginar alguém empolgado para ver especificamente os Hawks por considerá-los imperdíveis há uma distância razoável.

Palpite para a temporada 2026/27 dos Hawks

No cenário mais otimista: a boa defesa melhora ainda mais, o que ajuda o time a vencer mais jogos e a chegar aos playoffs com mando de quadra na primeira rodada. Pode chegar à segunda fase e, dependendo do que os cruzamentos aprontarem, dá até para sonhar com uma aparição na final do Leste. Mas vencer a conferência ainda parece um pouco distante.

No cenário mais pessimista: o time dá uma estagnada, vê outros concorrentes do Leste subirem de rendimento em relação ao último ano e acaba caindo para o play-in, sem conseguir avançar para os playoffs.

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