4 dias para a NBA: De olho nos playoffs, Cleveland Cavaliers muda o banco e aposta em Peyton Watson

O Cleveland Cavaliers chega em 2026/27 com novas importantes mudanças no elenco. O maior destaque é a chegada de Peyton Watson. Mas a presença de James Harden, que chegou há poucos meses, mostra uma faceta interessante - e rara - na NBA: a coragem para fazer movimentos ousados mesmo quando está na briga pelo topo da tabela.

Afinal, os Cavs estão há alguns anos com elencos fortes e boas campanhas na temporada regular, mas caem de rendimento nos playoffs, apesar das vitórias em algumas séries. Diante disso, não são todas as franquias que aceitam fazer grandes movimentações e abrir mão de jogadores relevantes na rotação. Mas Cleveland usa deste expediente com certa frequência e espera que finalmente possa colher os louros.

Como foram os Cavs na última temporada

  • Campanha: 52 vitórias e 30 derrotas

  • Classificação: 4º lugar na Conferência Leste

  • Nos playoffs: eliminado pelo New York Knicks por 4 a 0 na final de conferência; antes disso, passou pelo Detroit Pistons por 4 a 3 na segunda rodada e pelo Toronto Raptors por 4 a 3 na primeira rodada

  • O que aconteceu: em meio a algumas lesões que foram forçando Kenny Atkinson a mexer na escalação mais do que ele gostaria, os Cavs mostraram-se um time inferior ao do ano passado, quando chegou a liderar o Leste. Grande parte disso passa pela defesa, que mostrou-se menos eficiente. O time ainda manteve uma campanha confortavelmente acima dos 50% de aproveitamento e na região do mando de quadra na primeira rodada dos playoffs, mas viam o Detroit Pistons de longe no topo da conferência. A cartada para tentar mudar isso foi a negociação que resultou na chegada de James Harden em fevereiro, em troca de Darius Garland. Foram 21 vitórias em 30 jogos depois disso, e os Cavs foram aos playoffs em quarto lugar. Suaram bastante, precisaram ir a sete jogos, mas conseguiram passar por Toronto Raptors e Detroit Pistons nas duas primeiras fases. Na final do Leste, chegou a ter a vitória no Jogo 1 encaminhada, mas sofreu uma virada impressionante do New York Knicks, que aproveitou o embalo e acabou varrendo a série.

O elenco dos Cavs para a temporada 2026/27

  • Escolha de Draft: Meleek Thomas (ala-armador, 34ª escolha)

  • Quem mais chegou: Peyton Watson (ala - Denver Nuggets), Mario Hezonja (ala - Real Madrid/Espanha), Khalifa Diop (pivô - Baskonia/Espanha) e Ernest Udeh Jr. (pivô - sem time)

  • Quem foi embora: Dean Wade (ala - Philadelphia 76ers), Max Strus (ala - Los Angeles Clippers), Dennis Schroder (armador - Charlotte Hornets), Larry Nance Jr. (ala-pivô - Indiana Pacers), Keon Ellis (ala-armador - Brooklyn Nets) e Lonzo Ball (armador - aposentadoria)

  • Provável time titular: James Harden, Donovan Mitchell, Peyton Watson, Evan Mobley e Jarrett Allen

  • Reservas: Craig Porter Jr., Tyrese Proctor (armadores), Sam Merrill, Meleek Thomas (alas-armadores), Jaylon Tyson, Mario Hezonja (alas), Nae'Qwan Tomlin (ala-pivô), Thomas Bryant, Khalifa Diop e Ernest Udeh Jr. (pivôs)

  • Técnico: Kenny Atkinson

O clima para a temporada

Os Cavs concentram praticamente toda a folha salarial do time no quinteto titular. James Harden e Donovan Mitchell, recém-renovados, Peyton Watson, recém-chegado, e Jarrett Allen e Evan Mobley, sob altos contratos, receberão US$ 179 milhões na próxima temporada.

Assim, tiveram que ser criativos ao montar a rotação do elenco. Com as saídas de Dean Wade, Max Strus, Schroder, Larry Nance Jr. e Keon Ellis, os Cavs ficaram sem praticamente todos os principais reservas, exceto Sam Merrill.

A solução foi apostar em nomes que já estavam no plantel, como Tyrese Proctor, Jaylon Tyson e Nae’Qwan Tomlin. O problema é que o trio até teve boas atuações na temporada regular, mas praticamente desapareceu das rotações nos playoffs.

Para reforçar o elenco, Cleveland fez uma curiosa aposta no croata Mario Hezonja. O ala jogou na NBA de 2015 a 2020 e teve seus bons momentos, mas sem regularidade. Após mais de meia década na Europa, principalmente pelo Real Madrid, está de volta aos 31 anos de idade. E pelas atuações na pré-temporada, pode ser uma peça realmente útil, com boa versatilidade ofensiva e aproveitamento nas bolas de três pontos.

A maior surpresa, porém, veio do Draft. O ala-armador Meleek Thomas foi apenas a 34ª escolha, mas logo subiu as expectativas de todos ao redor pelas excelentes atuações na Summer League. Com 27,3 pontos, 3,8 assistências, 3,5 rebotes, 2 roubos e 43% de aproveitamento do perímetro, foi eleito para o time ideal da competição. Nos amistosos de pré-temporada, também tem tido bons números enfrentando os profissionais, mesmo vindo do banco.

Apesar de terem desmoronado contra os Knicks nos playoffs, é inegável que os Cavs seguem em evolução. Após a saída de LeBron James, em 2018, foram quatro temporadas longe dos playoffs. Em 2022/23 voltaram a se classificar, mas caíram na primeira rodada. No ano seguinte, parou na semifinal da Conferência Leste. Em 2024/25 também, mas com a liderança da conferência na temporada regular, com as famosas “Cavalanches”, momentos da partida de absoluto domínio em que a equipe abria 10, 20, às vezes 30 pontos de vantagem rapidamente. E em 2025/26, foram até às finais da conferência.

Para sustentar as boas campanhas, a grande aposta foi em Peyton Watson para com por o quinteto titular. O ala aproveitou o espaço que teve nos Nuggets pelas lesões dos titulares e conseguiu grandes atuações. Agora, terá que se provar como um dos principais jogadores de um candidato ao título.

Por fim, existe a questão James Harden. O ‘Barba’ chegou a Cleveland em fevereiro e logo se adaptou ao time. Contudo, foi muito mal nos playoffs, como já aconteceu em outros momentos da carreira. Ainda assim, teve o contrato renovado e irá iniciar o ano com os Cavs pela primeira vez. O treinador Kenny Atkinson não deverá ter um grande trabalho com o time na temporada regular, mas manter a dominância nos playoffs será um desafio. Afinal, uma nova queda pode significar o fim do trio Mitchell/Mobley/Allen.

Abre aspas

"Esse novo papel estou assumindo, e a responsabilidade que vem a partir disso, é muito importante para mim. Desde que cheguei à liga, tenho trabalhado bastante para acelerar meu processo de amadurecimento e realmente me tornar um homem mais maduro. Tive muitas pessoas ao meu lado para me ajudar ao longo dessa caminhada, mas acho que agora o grande objetivo é dar um passo à frente e me concentrar em me tornar um jogador de defesa de elite. Obviamente, já dei inúmeras demonstrações de que posso ser alguém especial nesse aspecto do jogo. O desafio agora é conseguir juntar a disciplina, a tomada de decisões, a intensidade e a determinação para estar entre os defensores de elite da liga. Acredito que isso vai me diferenciar dos demais e também vai fazer a diferença para nosso time."

A declaração é de Peyton Watson, uma das caras novas em Cleveland, que parece confiante do que pode ser a sua maior contribuição aos Cavaliers.

Uma esperança

Ao longo das últimas temporadas, os Cavs se notabilizaram como uma das melhores defesas da NBA. Em 2025/26, porém, foram apenas a 15ª, bem no meio da tabela. É difícil determinar um grande motivo para a queda ter acontecido, mas uma série de questões impactaram o declínio.

Os desfalques variados ao longo da temporada são uma razão, bem como a queda na qualidade na defesa de perímetro, quesito em que Cleveland foi o quinto pior time da liga. Dentro do garrafão, porém, a proteção do aro continuou eficiente.

De qualquer maneira, os Cavs apostam na chegada de Peyton Watson para melhorar a defesa, ao menos na intensidade. É bem verdade que Dean Wade, que ocupava a posição, fazia parte do elenco titular com responsabilidades quase exclusivamente defensivas e fez um bom trabalho nos playoffs. Mas Watson, com 2,03m, chega com moral após ter sido um carrapato na marcação dos adversários quando jogava por Denver, além de se destacar pela intensidade nos tocos.

Além do ala, vários jovens do elenco precisarão formar uma defesa de muita força e velocidade, como Jaylon Tyson, Tyrese Proctor, Nae’Qwan Tomlin e Meleek Thomas. Não será uma tarefa fácil, só que os Cavs não precisam necessariamente criar uma boa defesa, mas sim retomar o nível que parte do elenco já apresentou em anos anteriores.

Um medo

Já faz um tempo que os Cavs se posicionam como candidatos ao título do Leste, dando a impressão de que estão a um movimento de finalmente darem o passo que falta para isso. A chegada de James Harden no meio da temporada passada mostra que a direção também vê as coisas dessa maneira. Havia a esperança de a movimentação ser a cartada que faltava para chegar ao topo, mas não deu certo.

Durante a offseason, sonhou-se em Cleveland com mais um retorno de LeBron James, o que não aconteceu. Partiu-se então para planos alternativos, e dá para enxergar com bons olhos as tentativas que foram feitas de se melhorar o elenco em torno de Harden e Donovan Mitchell, as duas grandes estrelas do elenco.

Diante de tudo isso, pode-se dizer que o maior medo dos Cavs é ver a temporada se desenrolar e chegar a uma conclusão de que assim não vai dar. Esse fantasma deve ter passado pela cabeça do torcedor algumas vezes ao longo dos últimos dois anos, mas a diretoria buscou corrigir a rota. Se mais uma temporada se passar sem que o time consiga vencer o Leste, é provável que a impressão de que não se vai a lugar algum com esse núcleo seja reforçada, e aí decisões difíceis terão de ser tomadas.

O cara

Levou alguns anos, mas Donovan Mitchell é, de fato, um dos principais jogadores da NBA. Aos 30 anos, o ala-armador mantém uma impressionante constância nos números, mas com muito mais controle e poder de decisão. E isso não vem apenas do “teste do olho”.

O Spida foi o líder em pontos no último período na última temporada, com 513. A média de 7,7 não é a maior da liga, mas como os Cavs muitas vezes precisaram correr atrás do resultado na reta final ao invés de chegar com o jogo dominado, Mitchell foi extremamente necessário - e competente. Além do recorde da temporada, também teve a maior marca num último jogo, quando anotou 24 pontos no último período contra os Wizards em dezembro

Com 27,9 pontos (36% do perímetro há quatro temporadas), 4,5 rebotes e 5,7 assistências, Mitchell foi eleito para o segundo time ideal da liga, All-Star e sétimo lugar na briga pelo MVP.

Além de ser um dos jogadores mais habilidosos da liga com a bola na mão, tem um movimento que é sua assinatura: ao avançar para a cesta, fazer um arco com a bola por cima do adversário, ainda a segurando, para só então realizar o arremesso, geralmente uma bandeja ou um floater. Como tem uma grande explosão física, Mitchell consegue tirar vantagem das marcações adversárias com facilidade. E se o avanço não funciona, o chute de média distância também é efetivo.

Desde que chegou em Cleveland, a equipe nunca ficou fora dos playoffs, o que também explica o fato dele ter se tornado o maior ídolo da equipe após a saída de LeBron James.

Também vale a pena ficar de olho

James Harden, Barba, O Sistema. O astro de 37 anos disputará a primeira temporada completa pelo Cleveland Cavaliers rodeado de expectativas. Sua chegada em fevereiro foi o movimento de uma diretoria que entendeu a necessidade de mudanças dentro do elenco. E na temporada regular, de fato, funcionou.

Foram ótimos 73% de aproveitamento nos 26 jogos que Harden disputou, contra apenas 58% nos 56 restantes. O problema foram os playoffs. É bem verdade que Cleveland alcançou as finais do Leste pela primeira vez desde 2018. Porém, o desempenho do Barba foi abaixo do esperado: o aproveitamento do perímetro caiu para 29%, e o número de erros disparou para 4,7 por jogo.

Outros aspectos, porém, pesam para o lado do armador. Sua presença em quadra potencializa a produção dos pivôs Evan Mobley e, principalmente, Jarrett Allen, muito a partir dos pick’n rolls, além de aliviar a carga sobre Donovan Mitchell.

Por isso, por mais que a queda nos playoffs não seja uma novidade na carreira de Harden, a perspectiva de tê-lo ao longo de toda a temporada é animadora para os Cavs, principalmente num momento em que a Conferência Leste está mais disputada que em anos anteriores.

Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5

4 (alto) - É um time com duas estrelas, ainda que James Harden não esteja mais no auge, com potencial de emplacar um ataque legal para quem estiver assistindo e uma defesa redonda. Nos playoffs pode ser que uma oscilada apareça, mas durante a temporada regular, ver os Cavs com força máxima tende a ser uma ótima pedida.

Palpite para a temporada 2026/27 dos Cavs

No cenário mais otimista: depois de tanto bater na trave nos últimos anos, o time consegue levar para os playoffs a mesma força e o mesmo nível de intensidade da temporada regular, dá o passo que falta e vence a conferência.

No cenário mais pessimista: outros concorrentes diretos do Leste melhoram, os Cavs não conseguem acompanhar o ritmo e caem para a zona de play-in. Podem até chegar aos playoffs assim, mas não passam da primeira rodada.

Veja as análises de todos os times da NBA:

Clique no escudo para ler. Será publicada uma análise por dia até 19/10, véspera da estreia da NBA.