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Conflito entre Ucrânia e Rússia e o futebol: perguntas e respostas do que se sabe até agora sobre brasileiros, campeonatos e mais

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Na Ucrânia, técnico ex-Roma que esteve no radar do Corinthians relata 'situação complicada' que vive (0:41)

Via Twitter @PFonsecaCoach | Técnico Paulo Fonseca está em Kiev, capital da Ucrânia, que passa por conflito com a Rússia (0:41)

Confrontos militares entre exércitos de Rússia e Ucrânia mexem diretamente com o esporte


Os ataques militares por terra, ar e mar do exército da Rússia à Ucrânia desde a madrugada desta quinta-feira (24) também mexem diretamente com o esporte no país. São 41 jogadores brasileiros em ação na primeira e segunda divisões do Campeonato Ucraniano, que está paralisado pelas autoridades até segunda ordem.

Além da suspensão da liga local e do fechamento de fronteiras, que impede a saída de brasileiros por enquanto, o confronto militar também causa repercussões na Europa, com a iminente mudança de sede da final da Champions League, que aconteceria em São Petersburgo, e sanções à Rússia pela Uefa.

O ESPN.com.br mostra abaixo um compilado de perguntas e respostas de como a situação militar nos dois países reflete no futebol. Veja abaixo:

O que acontece entre Rússia e Ucrânia?

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, autorizou nesta quinta-feira (24) uma ação militar na Ucrânia. Isso acontece como resposta após uma série de ameaças entre os países e o reconhecimento da independência de duas províncias separatistas do leste ucraniano. Com autorização de Putin, o exército russo atacou por terra, ar e mar cidades como Kiev e Kharkiv.

Como ficam os campeonatos na Ucrânia?

Estão todos suspensos, conforme anunciado pelas autoridades locais. Não há data prevista para o retorno das atividades no país.

Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, anunciou que o país está sob lei marcial (em resumo, leis e autoridades civis estão suspensas. A partir de agora, passam a valer leis militares e as decisões são tomadas pelos chefes das Forças Armadas da Ucrânia).

E os jogadores?

Alguns clubes estão em intertemporada, mas a maioria já está de volta à Ucrânia. Com atividades suspensas até segunda ordem, jogadores, técnicos e integrantes de comissões não podem deixar o país, já que o tráfego aéreo foi suspenso e as fronteiras se fecharam.

Vários brasileiros que atuam na Ucrânia gravaram vídeos nesta quinta pedindo auxílio do governo para deixar o país em segurança. Um grupo de aproximadamente 20 atletas está hospedado em um hotel em Kiev.

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Via Twitter @PFonsecaCoach | Técnico Paulo Fonseca está em Kiev, capital da Ucrânia, que passa por conflito com a Rússia

Quem são os brasileiros?

Ao todo, 41 brasileiros atuam no futebol ucraniano, o que faz do país o campeão de estrangeiros na liga local. A maioria, 13, atua pelo Shakhtar Donetsk, atual campeão nacional. CLIQUE AQUI e veja a lista completa!

O que diz a Embaixada do Brasil?

Em comunicado divulgado à imprensa após várias apelos por ajuda, a Embaixada do Brasil em Kiev "solicita-se aos cidadãos brasileiros em território ucraniano, em particular aos que se encontrem no leste do país e outras regiões em condições de conflito, que mantenham contato diário com a Embaixada. Caso necessitem de auxílio para deixar a Ucrânia, devem seguir as orientações da Embaixada e, no caso dos residentes no leste, deslocar-se para Kiev assim que as condições de segurança o permitam".

Além disso, a Embaixada recomenda que "brasileiros que estejam em condições de deslocar-se por meios próprios para outros países ao oeste da Ucrânia que o façam tão logo possível, após informarem-se sobre a situação de segurança local. A recomendação das autoridades ucranianas, no momento, é de não tentar sair da capital, tendo em conta grandes engarrafamentos nas saídas da cidade. Solicita-se aguardar novas instruções da embaixada".

Quais os times mais afetados?

Shakhtar Donetsk e Zorya Luhansk, clubes das cidades mais atacadas por enquanto pelo exército russo, já não jogam em suas respectivas cidades, por conta dos conflitos existentes entre os países desde 2014. Ambas as equipes são consideradas refugiadas, justamente por terem sede nas regiões separatistas.

Além de Donetsk e Luhansk, outras cidades atingidas por mísseis da Rússia foram Kharkiv e Dnipro, segundo autoridades locais. Lá jovem o Metalist Kharkiv, hoje na segunda divisão ucraniana, e o Dnipro.

Quais os brasileiros nesses times?

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Ex-Vasco, Fabinho e jogadores brasileiros do Metalist pedem ajuda para sair da Ucrânia: 'Não temos notícia de nada'

Assim como outros atletas brasileiros que também estão no País, o pedido foi feito por meio de vídeo e divulgado nesta quinta-feira (24)

São 13 brasileiros no Shakhtar (os zagueiros Marlon Santos e Vitão, os laterais Dodô, Vinicius Tobias e Ismailly, os meio-campistas Marcos Antônio, Maycon e Alan Patrick e os atacantes David Neres, Tetê, Pedrinho, Fernando e Júnior Moraes, este naturalizado ucraniano), 1 no Dynamo (o atacante Vitinho) e 3 no Zorya (o lateral Juninho e os atacantes Guilherme Smith e Cristian).

No Dnipro, jogam Gabriel Busanello (lateral), Felipe Pires (atacante) e Bill (atacante). Já em Kharkiv, jogam o lateral Maílton e os atacantes David, Paulinho Boia e Matheus Peixoto.

E a final da Champions?

Marcada para o dia 28 de maio, em São Petersburgo, a decisão do maior torneio de clubes do mundo fatalmente mudará de sede. O anúncio oficial acontecerá nesta sexta-feira (25), após reunião extraordinária convocada pelo Comitê Executivo da entidade, que rege o futebol europeu.

Ainda não existe um consenso sobre a próxima cidade, mas cidades como Roma, Munique, Paris, Amsterdã e Barcelona são apontadas como potenciais sedes. O Estádio Wembley, em Londres, está descartado. CLIQUE AQUI e saiba mais sobre o assunto!

Sanções contra a Rússia atingem o futebol?

Na mesma reunião que confirmará a troca da sede da final da Champions, a Uefa pode anunciar sanções à Rússia. A entidade europeia deixou claro o desconforto com os desdobramentos do conflito militar, condenou a postura do país e prometeu tomar decisões que serão oficializadas nesta sexta.

Polônia, República Tcheca e Suécia já informaram que não aceitarão viajar à Rússia para disputar a repescagem por uma vaga na próxima Copa do Mundo.

Outros desdobramentos também já aconteceram. O Schalke 04, tradicional clube da Alemanha, removeu o patrocínio da empresa russa Grazprom de sua camisa oficial, como forte de repudio aos ataques do país à Ucrânia.

O Reino Unido sancionou a possibilidade de empresários russos morarem no país ou aplicarem para cidadania britânica. Um dos afetados é, por exemplo, Roman Abramovich, bilionário do ramo do petróleo que é dono do Chelsea desde 2003.