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Rei de Roma, Falcão revela que quase foi parar na Inter e relembra idolatria de lendas da Itália

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Totti e De Rossi x Adriano e Verón: Relembre o clássico entre Roma e Inter de Milão de 2004 (2:34)

Equipes se enfrentam neste sábado pela 16ª rodada do Campeonato Italiano (2:34)

Rei de Roma, Falcão revelou em entrevista que estava na mira da Inter de Milão


Conhecido como o "Rei de Roma", Paulo Roberto Falcão, que ainda está ativo na carreira como técnico, fez história na Itália nos anos 80, tirando a equipe da capital do ostracismo e levando ela ao protagonismo não só na "Bota", como na Europa também.

Roma e Inter de Milão se enfrentam neste sábado, às 14h (Brasília), com transmissão AO VIVO pela ESPN no Star+.

Mas, por pouco, quase que o ex-volante brasileiro não foi parar na Inter de Milão, hoje rival da Roma pela rodada do Campeonato Italiano.

Em entrevista à ESPN, Falcão revelou como foi a sua chegada na Roma, em 1980, uma época em que não era tão comum brasileiros irem para o exterior.

"Eu fui um dos primeiros a chegar à Itália a um time que não vencia o campeonato há mais de 40 anos. Eu senti as dificuldades porque era só um estrangeiro por time. No primeiro ano só não fomos campeões porque anularam um gol nosso contra a Juventus absurdamente faltando três rodadas para o fim. Foi um grande escândalo. Era o gol da vitória, estávamos um ponto atrás e se vencêssemos os passaríamos. Depois, vencemos a Copa da Itália em cima da própria Juventus na semifinal e o Torino na final", relembrou a lenda do futebol.

"A minha contribuição, segundo o Bruno Conti, foi a mentalidade ganhadora. Foi muito mais um trabalho de vestiário que uma cidade como Roma não ter um timaço e não ser respeitada. Claro, dentro de campo também, mas é algo normal. Mas o convencimento: 'olha precisamos acreditar mais na gente e ganhar'. Os jogadores que antes eram nota 6, passaram a dar mais e viraram 6,5 ou 7. Nós construímos um grupo que foi fantástico e muito bem dirigido pelo treinador sueco Neil Leindhom, e o Dino Viola", disse Falcão.

"Em quatro anos vencemos o Italiano, Copa Itália, final da Champions League e vencemos duas Copas da Itália. Isso criou uma exigência maior no torcedor da Roma, que não cobrava muito. Eu dizia que a torcida precisava cobrar para ter times fortes para ter títulos. A Roma tinha uma faixa nos jogos que era impactante: a Roma não se discute, se ama. Isso era uma coisa fantástica, mas eu dizia: 'que maravilha, mas precisa discutir'. Hoje a torcida é mais exigente porque eles foram acostumados a vencer outra vez".

Com a Roma em alta, era evidente que Falcão até chamasse atenção de outros gigantes da Europa, mas ele preferiu ficar na capital.

"Era muito difícil eu sair da Roma por todo carinho e da maneira que fui recebido e me integrei na cidade e as pessoas curtiram o meu trabalho. Seria muito difícil jogar em outro time da Itália. Fiquei sabendo de um interesse da Inter de Milão muito tempo depois, mas sempre fiz questão de ficar na Roma. Eu me sentia muito construtor junto com os outros atletas, treinadores e diretoria de uma nova Roma, vitoriosa e respeitada".

Com tantos títulos, Falcão marcou uma geração de fãs da Roma. Alguns deles virariam ídolos também com a camisa do time e com a faixa de capitão no braço. Foram os casos de Francesco Totti e Daniele De Rossi.

"Uma vez eu encontrei o De Rossi e o defendi, disse que ele era um cara que marcava duro e firme. Uma vez fomos fazer um jogo, 80 anos da Roma, eu não ia jogar, mas me pediram. Eu cheguei no De Rossi, que era capitão da Roma, capitão da seleção italiana e campeão do mundo, e perguntei: 'Capitão, como vamos jogar?'. Ele me respondeu: 'O senhor que decide (risos)'. Essa relação de respeito é gostosa. Quando vi o Totti nos abraçamos. Tenho muito carinho pela Roma e pela Itália".

"Recebo (do clube) sempre felicitações no meu aniversário, são atenciosos e até hoje me agradecem. Essa relação que ficou e esse reconhecimento vale mais do que um gol", finalizou.

Falcão ficou na Roma entre 1980 e 1985, quando voltou ao São Paulo para fazer o último ano de sua carreira, precocemente encerrada aos 33 anos.